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Em Busca de Um Sentido

Ainda acham que há liberdade...

Sento-me. Reparo na calma que a brisa me transmite. O Sol, que me aquece a pele, faz com que volte à menina que outrora fui. Esse tempo em que o meu dia se resumia a sair à rua e correr sem destino... Esse tempo em que a minha felicidade era proporcional à quantidade de Sol que a minha pele recebia...

liberdade

O vento nos ramos das árvores lembra-me o mar... Imagino a praia. No entanto, esse pensamento é cortado por outro som. Um ruído. Serão feras? Parecem-me feras... Apressadas... Os seus rugidos estranhos... Tomo atenção e percebo que são apenas carros.

 Ao fechar os olhos perceciono mais que vento e carros. Há o piar agudo e urgente dos pássaros que parecem querer dizer-me algo importante, como uma mãe preocupada com esperança que os filhos a entendam.

Quando abro os olhos, o tronco só e abandonado não se encontra onde há segundos atrás eu podia jurar que o tinha visto. Uma grande árvore tomou o seu lugar e agora o vento faz com que estremeça. Parece abanar os seus braços num cumprimento agradável e só me apetece sorrir. A ela juntam-se as companheiras e numa sintonia quase perfeita dançam alegres ao som da brisa matutina. Estão felizes com o novo dia que chegou e eu invejo-as, porque só me queria sentir igual.

Ao acordar para a minha realidade, voltei a ser só mais um tronco perdido, sozinho, com companhias alegres que adoram dançar, sem se aperceberem que na verdade estão enjauladas dentro de grades que lhes cortam a liberdade.

Lá fora, o mundo continua a sua vida normal, com a pressa do costume que o impede de viver. Aqui, as árvores continuam presas, a sobreviver entre grades, controladas pelos outros com a ilusão de que são livres.

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