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Em Busca de Um Sentido

Como é ser voluntária internacional?

Recentemente, fui voluntária em Espanha durante duas semanas.

O trabalho consistia em planearmos atividades para crianças dos 3 aos 14 anos que envolvessem o inglês de uma forma divertida. Éramos 6 voluntários de várias partes do mundo, mais 3 monitores da vila onde nós estávamos.

Acabou por ser um trabalho rotineiro de segunda a sexta, todas as manhãs. Só uma hora por dia era dedicada aos voluntários e a restante manhã era planeada pelos monitores e nós ajudávamos. Cheguei a dizer em tom de brincadeira que estava a ter umas férias pagas, porque não sentia que estava a trabalhar. Para mim todas as manhãs ia brincar com os miúdos e sentir-me uma criança de novo.

A ligação com as crianças foi maravilhosa, estavam constantemente a perguntar coisas sobre as nossas culturas e o facto de estar em Espanha ajudou-me na comunicação, visto que embora não fale muito, entendo praticamente tudo. O único problema em relação à língua foi chegar ao ponto de misturar português com espanhol e inglês, porque fui com uma amiga minha, comunicava em inglês com os voluntários e em espanhol com os miúdos.

Apesar de saber que ia gostar bastante do que iria fazer, nunca achei que me ia custar tanto voltar à "vida real". Sem querer acabamos a apegar-nos às pessoas com quem lidamos diariamente e a despedida doeu um bocadinho.

E se pensam que foi tudo um mar de rosas, desenganem-se. Tive que passar uma noite inteira no aeroporto de Lisboa, o cartão do meu telemóvel decidiu não funcionar e fiquei sem poder contactar com ninguém (apenas quando apanhava internet algures), comi fígado e fingi que gostei com medo de parecer mal-educada... Acreditem, para uma pessoa ansiosa e que está habituada a ver tudo pelo lado negativo, foram algumas coisas difíceis de superar.

Levo como lado positivo a convivência com todas as pessoas que fizeram parte deste projeto, o quanto conheci de Espanha devido a ter-me aventurado e a certeza de que sou capaz de tudo o que quiser (neste caso, o voluntariado internacional serviu-me para provar a mim mesma que consigo comunicar em inglês e que isso nunca mais vai poder ser uma desculpa para arriscar).

Não vos conto aqui todas as burocracias necessárias para nos envolvermos em algo assim por achar que não vai interessar a todos, no entanto, se alguém está a pensar fazer o mesmo, pode mandar-me um mail para embuscadeumsentido.blog@gmail.com e perguntar tudo o que quiser.

Voluntariado - A minha experiência

No 12º ano comecei a fazer voluntariado. Tinha acabado de fazer 18 anos quando decidi inscrever-me numa equipa que atuava no hospital da minha cidade. Daí fui a uma outra associação que tinha e tem um banco de voluntários para ações esporádicas e que, para além disso, oferece um conjunto de formações incrível, ajudando-nos não só ao nível da atividade do voluntariado, mas também a nível pessoal.

Ao início sentia-me pequenina. Tinha ao meu lado pessoas bestiais, que trabalhavam em imensos projetos e eu, uma miúda de 18 anos, achei que não seria capaz de aguentar dois meses, quanto mais anos seguidos.

Durante um ano inteiro o final do meu dia às quartas-feiras era passado a ajudar a dar refeições num hospital. Aquilo que eu achei que não seria capaz de fazer tornou-se uma rotina que me apaixonava. A minha semana só tinha sentido quando eu entrava naquele hospital e percebia que era aquilo que eu queria fazer o resto da minha vida: ajudar pessoas a ter motivação quando esta lhes falta. Eu não era apenas a menina que dava a refeição, era a menina que os fazia rir, que lhes levantava o ânimo para continuar a lutar, mesmo que mais tarde percebesse que era possível essa luta chegar ao fim.

Para além do hospital, acabei por apoiar uma criança no deslocamento escola-casa. Era igualmente gratificante. Essa intervenção permitiu-me ser entrevistada como "jovem voluntária" numa sessão de sensibilização, dando-me ainda mais força para continuar com a minha ideia de participar em projetos de voluntariado sempre que me fosse possível.

O voluntariado ajudou-me em imensos pontos da minha vida, quer tenha sido por me ensinar a lidar com todo o tipo de pessoas, quer tenha sido por ser um compromisso que assumi, obrigando-me a saber a gerir o meu tempo. Fizesse chuva, fizesse sol, estivesse bem, estivesse mal, precisasse de estudar ou não, eu obrigava-me a estar ali, porque sabia que no fim iria valer a pena cada segundo.

Infelizmente, acabei por deixar essa parte da minha rotina um pouco de lado quando me mudei para Lisboa. Cheguei a inscrever-me numa associação, mas senti que existia uma enorme falta de organização o que me fez nem me chegar a candidatar a alguma atividade. Acabei por deixar passar o tempo, um bocadinho por medo da realidade que iria encontrar, mas também porque não tinha todo o tempo que gostava para me envolver num projeto. Foi um ano de muitas adaptações.

Espero que este ano consiga ganhar coragem para me integrar num projeto de ação social, seja onde for... Para além disso, tenciono fazer voluntariado internacional pelo menos uma vez até ao fim do curso. 

Têm alguma experiência com este tipo de atividades? Partilhem comigo!