Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Em Busca de Um Sentido

Roma, eu sou assim...

Há uma semana estava a entrar num bar, em Roma, sem saber que ia passar a noite toda a falar com pessoas que possivelmente nunca mais vou ver, mas que me permitiram ver Roma para lá das filas de turistas apressados.

Estive em Roma três dias, com duas amigas, e na madrugada de sábado para domingo tivemos a oportunidade de ter dois italianos a mostrar-nos pontos históricos da cidade enquanto explicavam a sua história. 

Vimos imensos monumentos e os assuntos das conversas foram vários, desde a política dos nossos países, à religião, e até sobre as mulheres terem sido privadas de fazer parte do exército durante muito tempo.

Toda a minha estadia foi maravilhosa, embora andasse a dormir três ou quatro horas de cada vez... No entanto, para mim, o momento mais marcante foi quando olhei para as minhas amigas a atirar uma moeda para a Fonte de Trevi e decidi replicar o gesto.

Não sei explicar o que senti em concreto. Foi um misto de felicidade com orgulho e gratidão. E enquanto fechava os olhos e me foquei no desejo, emocionei-me com todos os sentimentos bons que se apoderaram de mim. Foi quando eu percebi onde estava e que fui eu que me permiti estar ali.

Pedi desculpa. E pelo meio uma delas olhou para mim e disse "Tatiana, tu és uma pessoa mais emocional do que a maioria, está na hora de aceitares. Não tem mal seres assim, até é querido". E aí, na minha cabeça soou "Sim, tenho que me aceitar. Eu sou assim." 

Como é ser voluntária internacional?

Recentemente, fui voluntária em Espanha durante duas semanas.

O trabalho consistia em planearmos atividades para crianças dos 3 aos 14 anos que envolvessem o inglês de uma forma divertida. Éramos 6 voluntários de várias partes do mundo, mais 3 monitores da vila onde nós estávamos.

Acabou por ser um trabalho rotineiro de segunda a sexta, todas as manhãs. Só uma hora por dia era dedicada aos voluntários e a restante manhã era planeada pelos monitores e nós ajudávamos. Cheguei a dizer em tom de brincadeira que estava a ter umas férias pagas, porque não sentia que estava a trabalhar. Para mim todas as manhãs ia brincar com os miúdos e sentir-me uma criança de novo.

A ligação com as crianças foi maravilhosa, estavam constantemente a perguntar coisas sobre as nossas culturas e o facto de estar em Espanha ajudou-me na comunicação, visto que embora não fale muito, entendo praticamente tudo. O único problema em relação à língua foi chegar ao ponto de misturar português com espanhol e inglês, porque fui com uma amiga minha, comunicava em inglês com os voluntários e em espanhol com os miúdos.

Apesar de saber que ia gostar bastante do que iria fazer, nunca achei que me ia custar tanto voltar à "vida real". Sem querer acabamos a apegar-nos às pessoas com quem lidamos diariamente e a despedida doeu um bocadinho.

E se pensam que foi tudo um mar de rosas, desenganem-se. Tive que passar uma noite inteira no aeroporto de Lisboa, o cartão do meu telemóvel decidiu não funcionar e fiquei sem poder contactar com ninguém (apenas quando apanhava internet algures), comi fígado e fingi que gostei com medo de parecer mal-educada... Acreditem, para uma pessoa ansiosa e que está habituada a ver tudo pelo lado negativo, foram algumas coisas difíceis de superar.

Levo como lado positivo a convivência com todas as pessoas que fizeram parte deste projeto, o quanto conheci de Espanha devido a ter-me aventurado e a certeza de que sou capaz de tudo o que quiser (neste caso, o voluntariado internacional serviu-me para provar a mim mesma que consigo comunicar em inglês e que isso nunca mais vai poder ser uma desculpa para arriscar).

Não vos conto aqui todas as burocracias necessárias para nos envolvermos em algo assim por achar que não vai interessar a todos, no entanto, se alguém está a pensar fazer o mesmo, pode mandar-me um mail para embuscadeumsentido.blog@gmail.com e perguntar tudo o que quiser.

Páscoa na Alemanha

Encontro-me sentada no sofá de uma casa que não é a minha, mas que adoro como se fosse. Num país que não é o meu, rodeada das pessoas que são a minha família e que me receberam de braços abertos desde o primeiro segundo, para uma Páscoa que já passou.

Sempre achei que este dia estava bastante distante. Não imaginei que iria chegar tão depressa, mas ainda bem que chegou, porque as saudades transbordavam no meu pequenino coração... Muita gente não consegue perceber o apego que tenho à minha família, mas eu amo-os com toda a força que tenho e por mim tinha-os sempre por perto.

Passei os últimos dias na Alemanha, rodeada de amor, risos e calor. Conheci o meu primo mais novo, que tem um ano e pouco, nascido já aqui, filho de um primo meu e foi maravilhoso.

Até o S. Pedro ajudou, visto que nos deu ótimos dias para passear e aproveitar o que queríamos visitar.

Tudo me pareceu surreal, um sonho a ser realizado. Apesar de ter consciência de que estava fora do meu país, senti-me tão segura que custou-me a acreditar que realmente tinha apanhado aquele avião... Foi a primeira viagem que fiz de avião e vim com os meus irmãos.

Hoje é o meu último dia por aqui e já me está a chegar a nostalgia, por saber que falta um tempinho para voltar a ver os meus tios e os meus primos... Custa-me ir embora e deixá-los aqui, mas a vida é assim e sei que aqui estão melhor.

Fica a promessa de voltar assim que consiga, e o fascínio por um país que embora seja desenvolvido tem uma aparência rústica e natural.