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Em Busca de Um Sentido

Tenho Medo De Sair De Casa Sozinha - Bárbara Cardoso

Há uns meses escrevi sobre assédio sexual, num momento de revolta em que precisava de falar e defender os meus direitos enquanto mulher. A verdade é que não conheço nenhuma mulher que nunca tenha sido assediada, e tal como a Bárbara acho que é necessário tocar no assunto, e que isso não significa banalizá-lo.

Vejam o vídeo, tirem 20 minutos do vosso dia e percebam que mandar piropos, mensagens "inocentes" e tudo o mais que possam pensar, provoca medo em nós, mulheres. São comentários desses que nos fazem sentir inferiorizadas, ter nojo de nós próprias e ter medo de simplesmente sair à rua.

Por favor, analisem os vossos comportamentos e tentem ser melhores todos os dias, vocês, homens e mulheres, que educam crianças e devem ensinar o certo e o errado e assim começar a mudança. 

Às vezes uma simples frase pode ser o gatilho para criar em alguém todo um conjunto de inseguranças, tenham atenção.

"Desculpa" como reflexo...

Sou uma dessas pessoas que pedem desculpa umas vinte vezes no dia. Para mim é efetivamente um reflexo, algo que eu só percebo que disse depois de dizê-lo. Peço desculpa por falar alto, por rir compulsivamente, por sentir demais, por ser sensível em alturas em que devia ser forte, por tropeçar, por andar devagar... Basicamente, eu peço desculpa por cada detalhe que penso que pode incomodar as pessoas com quem estou a interagir. É como se sentisse que lhes estou a faltar ao respeito, e por "educação" devo pedir que me desculpem. Chego até a iniciar frases com "desculpa, mas...".

E sim, eu sei que há situações em que se deve utilizar essa expressão, mas não devia ser apenas quando efetivamente fizemos algo de errado e nos arrependemos disso? Por ser uma expressão usada tão frequentemente não lhe estamos a tirar os sentimentos que lhe deveriam estar associados?

Apenas recentemente me apercebi de como me culpabilizo constantemente por coisas mínimas e o quanto isso pode afetar a forma como vivo a minha vida... A verdade é que se eu mudasse certas características minhas, pelas quais me desculpo, eu deixava de ser a pessoa que sou e isso não é algo que eu queira.

A necessidade de estar sempre a agradar quem me rodeia causa-me uma ansiedade enorme e o peso com que vou vivendo para não sair da linha é complicado de gerir...

Assim sendo, deixo-vos o vídeo que me levou a escrever este post e que me fez entender que não tenho que ter medo de ser quem sou e que se usar outras palavras continuo a ser educada e não me estou a culpar.

Estou num percurso de auto-conhecimento em o processo de substituir palavras que me fazem mal tem-me levado por um bom caminho e descobrir este tipo de conteúdo é refrescante.