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Em Busca de Um Sentido

Por quanto tempo morre o homem?

"Quanto vive o homem, por fim?

Vive mil anos ou um só?

Vive uma semana ou vários séculos?

Por quanto tempo morre o homem?

Que quer dizer para sempre?"

Pablo Neruda

Há dias em que acredito que há vida depois daquilo a que chamamos vida. Por vezes tento enganar-me e mudar de ideias, dizer que tudo termina no segundo em que fechamos os olhos e a nossa respiração deixa de marcar o passar do tempo.

Não consigo convencer-me de que estamos aqui só porque sim, só porque os átomos são incríveis e existe uma energia que não sabemos bem qual é, mas que nos faz sobreviver. Essa é a parte de mim que me faz ir um bocadinho contra o que se denomina por Ciência, mesmo que eu tenha fé de que um dia vamos conseguir chegar lá.

Muitas são as questões que com o passar dos anos se foram formando na minha mente. Várias foram as provas, mesmo que imaginadas, embora eu queira crer que existiram. 

Talvez tudo sejam esperanças de uma idealista, que quer que o mundo seja perfeito, que pretende que tudo seja construído de forma a que nós consigamos evoluir cada dia mais um bocadinho. Ainda assim, para mim faz sentido que exista algo depois... Para onde vai toda a energia que temos? Como é que desligamos assim, do nada?

Consigo defender ambas as ideias: a de que não existe nada quando se morre e a de que continuamos a viver, mas como energia. No entanto, quase sempre opto pela segunda. E sim, eu sei que menciono com alguma regularidade que não tenho uma religião.

A verdade é que não tenho nenhuma religião. No entanto, tenho a esperança, tenho a fé... Posso até dizer que tenho mais fé que muitos religiosos que por aí andam. Acredito que tudo é energia e que, quer queiramos ou não, tudo o que fazemos tem uma consequência, mesmo que essa seja recebida tarde, vai chegar. Acredito que os nossos pensamentos podem afetar o que nos rodeia, que puxamos o que desejamos para os outros.

Para mim faz sentido que estejamos no mundo para nos melhorarmos moralmente, para evoluirmos, para dar melhores condições às gerações futuras, que talvez sejamos nós, ou talvez seja outra pessoa qualquer.

Se às vezes me acho louca? Acho. Mas isso passa... Não somos todos loucos, afinal?

Eu não tenho religião, mas...

Eu não tenho religião, mas fecho os olhos e imagino um mundo melhor, onde ninguém depende de ninguém e todos somos fortes e independentes. Na minha cabeça vivo nessa utopia de que o mundo está limpo de males e que todas as almas que por aqui andam são puras.

Sei que não sou a única com essas ambições, ouço-te falar por aí do quanto seria bom que os presidentes fizessem pelo povo e não pelos bolsos que têm, que já vão bem cheios, enquanto os nossos esvaziam cada vez mais.

Mas eu tenho esperança... Às vezes até posso dizer que tenho fé, visto que quando dou por mim estou numa angústia gigante e rezo. Sabes pelo que rezo? Rezo pela mudança, pela paz a cair-nos aos pés sem que seja duro lutar por ela. Estou tão farta de ver crianças abandonadas, pessoas a passar fome, países a arder e políticos a discutir coisas que em nada mudam a situação em que estamos.

Quantas vezes por dia ligas a televisão? Sabias que estou desligada do mundo? Não me orgulho de dizer que sou sempre, ou quase sempre, das últimas a saber o que se passa por aqui. Gosto de viver com a consciência tranquila, sem ter medo de rir, sem ter medo de ser feliz, sem ter medo de ser ambiciosa. Mas por vezes reprovo-me... Reprovo-me ao ponto de me ir informar... E sinto um vazio gigante. Com tanta gente a passar mal, eu estou aqui, a escrever num computador, enquanto o mundo está cada vez mais degradado. Enquanto o mundo vai de mal a pior, eu estou aqui, a querer ter uma casa grande e dinheiro na conta. Enquanto eu vivo a minha vida sem pesos, há quem carregue mundos para conseguir sobreviver.

E por instantes, eu desejo que todos nos juntemos e rezemos. Rezemos para que um dia não sejamos nós... Rezemos para que os bens sejam melhor repartidos... Rezemos por tudo e por nada. Mas isso passa-me, sabes porquê?

Porque eu não tenho religião, mas rezo. Eu não tenho religião, mas quero marcar a diferença. Eu não tenho religião, mas quero dar de comer a quem não o tem. Eu não tenho religião, mas também não a finjo ter.

E tu? Tu, que finjes ter religião, que te assumes católico, protestante ou o que raio lhe queiras chamar... Que fazes para mudar o nosso mundo?

Fé e Proteção