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Em Busca de Um Sentido

Relações Tóxicas

Ontem ia no metro e presenciei uma discussão entre um casal. Não eram mais velhos do que eu, para ser sincera, fiquei com a sensação de que ainda estavam no secundário.

Iam a falar num tom normal, mas perfeitamente audível para quem estava ao redor. Enquanto ele ia a olhar para o telemóvel, para tentar disfarçar, ela agarrava-lhe num braço e dizia "olha para mim, estou a falar contigo, já te pedi desculpa, eu preciso de ti, já não gostas de mim?". Ao que ele respondia "gosto, mas não quero estar sempre a ser mal tratado, larga-me". E voltava a olhar para o telemóvel. E ela fingia que chorava enquanto repetia "mas eu preciso de ti, também me estás a tratar mal agora, mas eu perdoo-te, porque gosto de ti". Até que em algum momento ouvi "estás a deixar-me desconfortável".

O motivo da discussão não importa. O que importa é que eu já fui aquela rapariga, e não me orgulho disso. E também já tive um namorado que tratava com frieza os momentos em que eu me arrependia de ser assim. Tudo naquela relação estava errado, éramos tóxicos um para o outro. E assusta-me ver miúdas a traçar os meus passos. A terem relações tóxicas em que se atiram culpas um ao outro até que fazem as pazes e tudo se repete. De novo. E de novo.

Talvez elas nunca tenham a força de virar costas, porque só vi o quão mau tudo aquilo era para ambos, quanto já estava sem falar com ele e depois de muita tentativa de manter o contacto. Talvez nunca venham a entender que para além de gostarem de uma pessoa, tem que haver respeito, confiança e que uma relação é suposto dar-nos calma e não fazer de nós a nossa pior versão. 

Objetos perdidos. Ou serão histórias?

Vou passeando por ruas que nunca conheci e dou com objetos que não deviam fazer parte daquele local. Restos de pessoas que lhes podiam ou não ter apego, mas ainda assim, restos de pessoas. E sou incapaz de não pensar no que uma simples "coisa" pode dizer sobre alguém e o quanto os nossos objetos nos caracterizam e marcam.

Pergunto-me se o que agora observo não fará falta a quem o perdeu... Ou se por outro lado, foi deixado ali com uma intenção que me é desconhecida, mas que mesmo assim me intriga e me faz pensar no porquê de aquilo ali estar. Que histórias contaria se pudesse falar? 

O anel deitado fora pela janela de uma casa outrora feliz, mas que agora se veste de luto para virar costas a um casamento terminado. O guarda-chuva partido, abandonado, porque de um dia para o outro perdeu a única utilidade que realmente tinha. A chupeta deixada cair pela criança irrequieta, sem que os olhos de quem a carrega dêm pela perda que ainda vai gerar horas de choro. A esferográfica que escreveu desde cartas de amor a apontamentos naquelas aulas monótonas que os adultos garantem ser o nosso futuro... Eu bem sei o que é ter objetos preferidos e deixá-los sei lá onde, à espera que por milagre regressem a mim.

E no meio da minha divagação quero dizer-me grata por tudo o que tenho e que não perco. Por tudo o que sendo material, me faz falta e me deixaria com um enorme vazio caso desaparecesse. Seja a caneta dada pelo meu irmão naquele 14 de novembro e que me suportou nos exames com um "never stop dreaming"... Ou então as castanholas que animavam o centro de dia pelas mãos do meu avô, e que agora me recordam a alegria que ele transmitia... Ou ainda a pulseira feita pela minha irmã numa altura em que íamos deixar de estar constantemente juntas, e que eu uso religiosamente...

Objetos que fazem parte do que sou e de quem tenho no coração. Objetos aos quais atribuo demasiado simbolismo, mesmo sabendo que o verdadeiro significado está no sentimento e não no físico. Mas ainda assim objetos de um valor incalculável e bem mais ricos do que qualquer outra coisa...

E por isso me pergunto... Que histórias perdidas estarão por detrás de cada objeto deixado por aí, sem querermos?

Talvez...

Olho-te nos olhos e sinto que agora é o momento certo... Algo na forma como me olhas me faz sentir segura e capaz de tudo neste mundo.

Contigo sou livre, por mais incoerente que possa soar. Contigo rio-me das coisas mais parvas que possam acontecer, sinto-me criança de novo e não tenho vergonha de o ser. É como se as barreiras caissem e ficasse totalmente despida de vergonhas e medos tontos. Tudo o que sou, mostro-te, e é tão bom sentir que gostam de nós mesmo conhecendo todos os nossos pontos fracos.

Agarro-te com toda a força que sou capaz de ter, numa simulação falhada de te fazer entender o quanto te quero por perto... Falhada porque, infelizmente, a minha força não mostra nem um terço do quanto eu preciso de ti na minha vida.

Quero correr o mundo de mão dada contigo, olhar-te nos olhos e perceber a sorte que tenho por ter encontrado o amor no meu melhor amigo.

Sempre ouvi dizer que o amor está na pessoa que nos completa... Mas sabes que para mim isso são tretas? Eu sinto-me plena no que sou, mas contigo sou a versão melhorada de tudo o que posso ser, transbordo amor e boas energias e isso faz-me sentir que talvez esteja a encontrar o sentido que tanto procuro. 

E se chegar o fim?

Se o fim chegar nós sabemos como recomeçar, sempre soubemos e acho que essa pode ser a nossa magia...

Sabemos reiventarmo-nos como poucos sabem... E inacreditavelmente nós nunca soubemos que já estivemos exatamente nesta situação de nos querermos irremediavelmente, sem filtros, só nós e este brilho no olhar que insistes em dizer que é a coisa mais bonita que viste na vida enquanto eu te garanto que o amor te faz cometer loucuras e delirar. Isso é só mais uma alucinação que tiveste, porque nunca te ensinaram o que é amar, nunca te explicaram que irias perder a fome só porque todas as tuas necessidades vão estar saciadas enquanto os meus olhos estiverem colados aos teus, a falar como se o mundo fosse acabar amanhã...

A necessidade de fugir às vezes torna-se maior do que qualquer outra coisa, mas o nosso refúgio é a nossa união e essa vai existir aqui, em Paris ou na Lua, desde que estejamos juntos não precisamos de muito mais. E talvez esse seja o sinal de que precisamos para nos mantermos firmes e fortes, como se fosse destino, entendes?

Insisto em fazer-te acreditar em tudo o que existe fora do que consegues alcançar ou ver, falo-te de signos, destino, previsões, outras vidas que não a que conhecemos e sei que em cada segundo tu te fascinas, porque embora a ciência seja o teu primeiro fascínio, eu ganhei-te doutra forma. Sei que não te faço duvidar das tuas realidades, mas também tenho a certeza que ouves cada teoria como se fosse a maior sabedoria deste mundo.

E talvez esse seja o sinal de que preciso para saber-te meu... Porque a mim já me tens.