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Em Busca de Um Sentido

Redes Sociais e as Vidas Perfeitas

Vivemos num mundo em que somos constantemente confrontados com vidas aparentemente perfeitas.

Pessoas que partilham as suas viagens a sítios deslumbrantes, que têm relações maravilhosas e são igualmente fascinantes... Pessoas que têm toda uma vida materialista que por alguma razão nós ambicionamos...

Chegamos até a invejar aquela cintura 34 de quem mal come, a pele lisa de quem se enche de maquilhagem cara ou então o namorado lindo que apenas serve para posar para as fotografias. E aquela vivenda espetacular? Que sonho de vida...

Ficamos presos de tal forma a esse mundo que não é nosso, que queremos absorver tudo o que podemos e esquecemo-nos de que também nós temos uma vida que pode ser espetacular à nossa maneira. Passamos os dias a ver os milhares de vídeos, as centenas de fotografias e não saímos desse ciclo vicioso por estarmos constantemente à procura da fórmula mágica que nos vai dar a solução de que precisamos.

Mas os dias passam... E cada vez nos sentimos mais deprimidos... Não conseguimos entender porque é que só connosco é que não resulta, se fizemos tudo como mostram que deveria ser feito... E esquecemo-nos da parte mais importante... Não é por fulano parecer extremamente feliz na sua vida que nós vamos conseguir alcançar exatamente o mesmo nível de felicidade caso alcancemos as mesmas metas.

Por outro lado, nós não sabemos o que as pessoas enfrentam diariamente para conseguirem tudo o que mostram ter. Não sabemos a que tipo de situações se submetem para poderem dar aquele ar de plenitude e de quem não se preocupa com problemas reais... E se soubéssemos, será que iríamos continuar a invejar?

Está na hora de estabelecermos as nossas próprias metas, lutarmos por coisas que realmente nos acrescentam e nos vão fazer sentir a felicidade de termos algo único, nosso. Para quê observar a vida dos outros quando podemos ter uma nossa e fazer dela o que quisermos?

Desapega-te do que não é teu e vai ser feliz...

É segredo...

Num dia em que pouco tinha para fazer, com os meus catorze anos, recebi uma mensagem de um rapaz que eu não conhecia de lado nenhum. Por alguma razão dei-lhe conversa... Uma daquelas coisas de miúda que faz as coisas só porque sim e porque está aborrecida. Tinha a certeza que nunca iria conhecer aquela pessoa, mas naquele momento apetecia-me conversar...

Achei-o atirado, com a mania que era bom e engraçado... Como qualquer adolescente, fiquei interessada... Uma autêntica parvoíce. Como é que estava a ficar interessada em alguém com quem nunca iria poder estar?

A verdade é que daí surgiu uma amizade, visto que dificilmente poderia desenvolver-se um romance, por muito que de brincadeira alimentássemos essa ideia. Foram existindo uns namoros pelo meio, uns mais sérios que outros... Cheguei a achar que uma das relações que tive, que acabou por durar 3 anos e pouco, iria ser o resto da minha vida.

Várias foram as voltas dadas... Muitas coisas aconteceram que me fizeram acreditar que o melhor para mim seria virar as costas àquele rapaz que conheci online, visto que já não tinha mais 14 anos e que os anos foram passando sem nunca sequer lhe dizer um "olá" cara a cara.

No entanto, o tempo passou, e eu fui sempre ficando. Algo me prendia, mesmo que eu quisesse ter força suficiente para desapegar... Se eu nem sequer conhecia a pessoa deveria ser mais fácil, não é? E com este vai, não vai, com tantas histórias à mistura, eu fui-me deixando ficar até passarem 5 anos.

Conseguem acreditar? A tontinha que se achava super independente, que odiava rapazes, que era (e é) super melodramática, conseguiu manter-se a falar por mensagens com a mesma pessoa praticamente todos os dias durante 5 anos, sem nunca sequer sentir um abraço e a sentir-se cada vez mais conectada.

A verdade é que me mudei para Lisboa, com um bocadinho de esperança de ter aquele amigo na minha vida e deixar de lado a palavra "virtual" quando falava dele. Tudo aquilo me deixava nervosa, mas feliz ao mesmo tempo, porque era algo que eu queria muito e era uma pessoa especial para mim.

Estou há um ano e meio em Lisboa... Meio ano de namoro com esse rapaz que há quase seis anos se meteu comigo nas redes sociais. E sabem uma coisa? Estou cada vez mais apaixonada... Mas não lhe contem, é segredo.