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Em Busca de Um Sentido

Tenho esperança...

Janeiro 16, 2019

Não são raros os dias em que olho à volta e me sinto eternamente grata a quem me permitiu que eu estivesse rodeada de pessoas inteligentes, esforçadas, sensíveis e empáticas. 

 

Dizem muitas vezes que a maior parte das pessoas muito inteligentes não têm sensibilidade, porque passam a vida a olhar para os livros na esperança de que isso lhes ensine o que é o mundo em vez de levantarem a cabeça e aprenderem-no com os seus próprios sentidos.

 

Quem diz isso não conhece quem eu conheço. Não vê a amiga que eu tenho, que se emociona com as desgraças do mundo, na esperança de um dia ter o poder de alterá-las, e que também me explica a medicina veterinária com uma doçura infinita. Não vê o rapaz que enche os olhos de água quando vê um sem abrigo, e que também devora livros de Física. Não vê os grupos de estudantes que se juntam para apoiar quem sofre com o preconceito da sociedade. Não vê o que eu vejo, e eu sinceramente tenho pena, porque o mundo visto daqui tem mais beleza e enche-me de esperança em relação ao que está para vir. 

 

Esta será a geração futura. Sim, muitos jovens adultos não são assim. Mas há tantos que o são, que quero acreditar que vão dar o exemplo de uma forma brilhante e vão mudar tudo quanto conseguirem, até alcançarem a paz que tanto procuram. 

Como é ser voluntária internacional?

Agosto 14, 2018

Recentemente, fui voluntária em Espanha durante duas semanas.

 

O trabalho consistia em planearmos atividades para crianças dos 3 aos 14 anos que envolvessem o inglês de uma forma divertida. Éramos 6 voluntários de várias partes do mundo, mais 3 monitores da vila onde nós estávamos.

 

Acabou por ser um trabalho rotineiro de segunda a sexta, todas as manhãs. Só uma hora por dia era dedicada aos voluntários e a restante manhã era planeada pelos monitores e nós ajudávamos. Cheguei a dizer em tom de brincadeira que estava a ter umas férias pagas, porque não sentia que estava a trabalhar. Para mim todas as manhãs ia brincar com os miúdos e sentir-me uma criança de novo.

 

A ligação com as crianças foi maravilhosa, estavam constantemente a perguntar coisas sobre as nossas culturas e o facto de estar em Espanha ajudou-me na comunicação, visto que embora não fale muito, entendo praticamente tudo. O único problema em relação à língua foi chegar ao ponto de misturar português com espanhol e inglês, porque fui com uma amiga minha, comunicava em inglês com os voluntários e em espanhol com os miúdos.

 

Apesar de saber que ia gostar bastante do que iria fazer, nunca achei que me ia custar tanto voltar à "vida real". Sem querer acabamos a apegar-nos às pessoas com quem lidamos diariamente e a despedida doeu um bocadinho.

 

E se pensam que foi tudo um mar de rosas, desenganem-se. Tive que passar uma noite inteira no aeroporto de Lisboa, o cartão do meu telemóvel decidiu não funcionar e fiquei sem poder contactar com ninguém (apenas quando apanhava internet algures), comi fígado e fingi que gostei com medo de parecer mal-educada... Acreditem, para uma pessoa ansiosa e que está habituada a ver tudo pelo lado negativo, foram algumas coisas difíceis de superar.

 

Levo como lado positivo a convivência com todas as pessoas que fizeram parte deste projeto, o quanto conheci de Espanha devido a ter-me aventurado e a certeza de que sou capaz de tudo o que quiser (neste caso, o voluntariado internacional serviu-me para provar a mim mesma que consigo comunicar em inglês e que isso nunca mais vai poder ser uma desculpa para arriscar).

 

Não vos conto aqui todas as burocracias necessárias para nos envolvermos em algo assim por achar que não vai interessar a todos, no entanto, se alguém está a pensar fazer o mesmo, pode mandar-me um mail para embuscadeumsentido.blog@gmail.com e perguntar tudo o que quiser.

Redes Sociais e as Vidas Perfeitas

Fevereiro 07, 2018

Vivemos num mundo em que somos constantemente confrontados com vidas aparentemente perfeitas.

 

Pessoas que partilham as suas viagens a sítios deslumbrantes, que têm relações maravilhosas e são igualmente fascinantes... Pessoas que têm toda uma vida materialista que por alguma razão nós ambicionamos...

 

Chegamos até a invejar aquela cintura 34 de quem mal come, a pele lisa de quem se enche de maquilhagem cara ou então o namorado lindo que apenas serve para posar para as fotografias. E aquela vivenda espetacular? Que sonho de vida...

 

Ficamos presos de tal forma a esse mundo que não é nosso, que queremos absorver tudo o que podemos e esquecemo-nos de que também nós temos uma vida que pode ser espetacular à nossa maneira. Passamos os dias a ver os milhares de vídeos, as centenas de fotografias e não saímos desse ciclo vicioso por estarmos constantemente à procura da fórmula mágica que nos vai dar a solução de que precisamos.

 

Mas os dias passam... E cada vez nos sentimos mais deprimidos... Não conseguimos entender porque é que só connosco é que não resulta, se fizemos tudo como mostram que deveria ser feito... E esquecemo-nos da parte mais importante... Não é por fulano parecer extremamente feliz na sua vida que nós vamos conseguir alcançar exatamente o mesmo nível de felicidade caso alcancemos as mesmas metas.

 

Por outro lado, nós não sabemos o que as pessoas enfrentam diariamente para conseguirem tudo o que mostram ter. Não sabemos a que tipo de situações se submetem para poderem dar aquele ar de plenitude e de quem não se preocupa com problemas reais... E se soubéssemos, será que iríamos continuar a invejar?

 

Está na hora de estabelecermos as nossas próprias metas, lutarmos por coisas que realmente nos acrescentam e nos vão fazer sentir a felicidade de termos algo único, nosso. Para quê observar a vida dos outros quando podemos ter uma nossa e fazer dela o que quisermos?

 

Desapega-te do que não é teu e vai ser feliz...

Mais uma história...

Fevereiro 05, 2018

Releio textos antigos que retratam sentimentos dos quais nem me recordava e percebo o quanto fui mudando com o passar dos dias, que se tornaram meses e um dia serão anos... Mudei ao ponto de as palavras parecerem ter sido escritas por outro alguém, mais sensível, mais imaturo, mais impulsivo... Mais incompreensivo.

 

Sei contar a história por alto, como aqueles contos que os nossos avós nos contam quando somos pequenos e irrequietos.

 

Lembro-me do calor que aqueles risos me davam, do frio na barriga que sentia quando olhava aqueles olhos, do nervosismo que sentia quando existiam planos entre nós...  E lembro-me das palavras ditas nos momentos de discussão, das lágrimas que foram plantadas por aí, sem necessidade... Porque na verdade eu consigo perceber que estou mais feliz, mais calma, mais mulher... Até noto que a atual relação que tenho me faz sentir muito mais realizada e plena.

 

Mas salto da cama a sentir-me em baixo porque te tenho na minha cabeça, porque não consigo apagar recordações que ficaram gravadas ao longo dos anos...

 

Só sei dizer que tudo poderia ter sido tão melhor, tão menos doloroso, tão mais saudável... Mas depois percebo que tudo o que disse ser amor não o era, porque se o fosse permanecia, e olho para as estrelas para perceber que nem elas duram para sempre, como iria durar uma relação destinada ao fracasso?

 

Lembro-me de tudo como se tivesse sido outra vida, uma em que eu tinha planos diferentes e irrealistas... Aliás, parece ter sido tudo escrito num livro que li há séculos, mas que mantenho guardado na prateleira. No entanto, quando olho para a lombada imagens percorrem-me a mente e volto a um ciclo que não queria para mim.

 

É como se quisesse esquecer tudo com força suficiente para nem me lembrar dos pormenores... As recordações surgem, mas sem ligação entre si. Vivi uma vida em que o círculo de pessoas que me rodeava era aquele que eu achava que iria de mãos dadas comigo até ao infinito...Mas não veio.

 

E eu sei que se me ligasses eu iria provavelmente rejeitar a chamada, mesmo que me doesse mais do que tudo neste mundo, mesmo que continue a mandar mensagens para saber se estás bem, mesmo que no fundo queira que se apaguem as más memórias e fique a amizade que se tinha... 

 

Lembro-me levemente do teu sorriso... O que me faz perceber que talvez daqui a vinte anos cada um tenha a sua vida e contemos a nossa história por aí, sem sequer nos lembrarmos dos rostos, uma vez que tal como eu deves ter apagado as fotografias que poderiam ter ficado...

 

Garanto-te que não guardo remorsos... Apenas tenho pena de esta ser apenas mais uma história mal resolvida na minha vida, embora tenha consciência que seja impossível de resolver. E a culpa é dos dois...

Vergonha Alheia

Janeiro 19, 2018

Ultimamente tenho-me deparado com imensas pessoas a falar ao telemóvel de problemas familiares e super pessoais, quase aos gritos e quando alguém lhes pede silêncio ainda se indignam.

 

Será que sou só eu que sinto imensa vergonha alheia quando me apercebo do que está a acontecer? Já presenciei estas coisas no metro, nos correios, no supermercado, sendo que nos correios a senhora foi alertada e quase por vingança ainda começou a falar mais alto.

 

Admito, sofro do síndrome da coscuvilhice. Por vezes o meu dia está a ser tão desinteressante que até me calha bem ouvir toda uma novela mexicana. No entanto, não deixo de me sentir mal, porque embora saiba que Lisboa é enorme, também sei que o mundo é pequeno o suficiente para que um dia se esteja a conversar sobre algo efetivamente "secreto" no meio de desconhecidos e apareça por lá uma cara conhecida.

 

Por estas e por outras é que evito fazer chamadas em público. Isto de ser uma linguaruda qualquer dia sai-me mal e não quero ter que lidar com as consequências disso.

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