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Em Busca de Um Sentido

Para que serve uma família?

Hoje acompanhei uma das minhas avós a fazer um exame que exigia que fosse acompanhada por alguém de confiança... Aproveitei que estava em casa esta semana e acabei por passar a manhã em que ela estava na cidade com ela.

Acompanhei-a até à enfermeira que a ia levar para a realização do exame e a senhora perguntou se eu era neta, respondeu-me que era muito bonito o que estava a fazer e deu-me os parabéns.

A questão é a seguinte: eu tenho consciência que a relação que a minha família tem entre si é bonita e tudo mais, mas faz sentido darem-nos os parabéns? Na minha cabeça não faz.

Uma família serve mesmo para se cuidar e amar e, devido a tudo o que já passei, cada vez mais digo que família é quem trata bem de nós e se preocupa incondicionalmente.

Percebi que a enfermeira não o disse com má intenção... O que me preocupa é pensar que se ela o disse é porque eu sou a exceção, e devia ser a regra. Os idosos deviam ser acompanhados no seu dia a dia, seja por netos, filhos, sobrinhos... Cuidaram de nós uma vida inteira e agora é a nossa vez de cuidar deles e de fazer com que se sintam protegidos e mimados...

A sorte que tenho...

O dia termina e mais uma vez tu não estás aqui. Sei que não é por falta de querer, e do alto da minha independência digo que não preciso de ti, que isso é uma parvoíce... Era o que faltava, precisar de companhia para dormir.

Mas a verdade é que, não preciso, mas faz falta. A minha cabeça deitada no teu peito, os teus dedos a pentearem-me o cabelo... Tu não sabes, mas durmo sempre melhor, quando durmo contigo. Há toda uma sensação de segurança que não sei explicar... Há quem diga que é amor... Será?

As saudades que tenho tuas crescem a partir do momento em que os meus olhos deixam de te ver e aqui fico, a viver a minha rotina, sem ti. Não me queixo, atenção! Sou feliz com o que tenho, gosto de tudo o que a vida me proporciona... Mas gostava de ter mais tempo contigo, conosco.

Talvez um dia isso venha, e aí eu diga "maldita a hora em que pedi isto", mas sabes que vai ser exagero, como sempre... E no fim tu vais sorrir... "Só sabes refilar?"

E eu olho-te com a mesma ternura de sempre, a pensar na sorte que tenho por ter alguém como tu para partilhar as minhas histórias.

Como é ser voluntária internacional?

Recentemente, fui voluntária em Espanha durante duas semanas.

O trabalho consistia em planearmos atividades para crianças dos 3 aos 14 anos que envolvessem o inglês de uma forma divertida. Éramos 6 voluntários de várias partes do mundo, mais 3 monitores da vila onde nós estávamos.

Acabou por ser um trabalho rotineiro de segunda a sexta, todas as manhãs. Só uma hora por dia era dedicada aos voluntários e a restante manhã era planeada pelos monitores e nós ajudávamos. Cheguei a dizer em tom de brincadeira que estava a ter umas férias pagas, porque não sentia que estava a trabalhar. Para mim todas as manhãs ia brincar com os miúdos e sentir-me uma criança de novo.

A ligação com as crianças foi maravilhosa, estavam constantemente a perguntar coisas sobre as nossas culturas e o facto de estar em Espanha ajudou-me na comunicação, visto que embora não fale muito, entendo praticamente tudo. O único problema em relação à língua foi chegar ao ponto de misturar português com espanhol e inglês, porque fui com uma amiga minha, comunicava em inglês com os voluntários e em espanhol com os miúdos.

Apesar de saber que ia gostar bastante do que iria fazer, nunca achei que me ia custar tanto voltar à "vida real". Sem querer acabamos a apegar-nos às pessoas com quem lidamos diariamente e a despedida doeu um bocadinho.

E se pensam que foi tudo um mar de rosas, desenganem-se. Tive que passar uma noite inteira no aeroporto de Lisboa, o cartão do meu telemóvel decidiu não funcionar e fiquei sem poder contactar com ninguém (apenas quando apanhava internet algures), comi fígado e fingi que gostei com medo de parecer mal-educada... Acreditem, para uma pessoa ansiosa e que está habituada a ver tudo pelo lado negativo, foram algumas coisas difíceis de superar.

Levo como lado positivo a convivência com todas as pessoas que fizeram parte deste projeto, o quanto conheci de Espanha devido a ter-me aventurado e a certeza de que sou capaz de tudo o que quiser (neste caso, o voluntariado internacional serviu-me para provar a mim mesma que consigo comunicar em inglês e que isso nunca mais vai poder ser uma desculpa para arriscar).

Não vos conto aqui todas as burocracias necessárias para nos envolvermos em algo assim por achar que não vai interessar a todos, no entanto, se alguém está a pensar fazer o mesmo, pode mandar-me um mail para embuscadeumsentido.blog@gmail.com e perguntar tudo o que quiser.

Eu e o Carnaval, o Carnaval e eu...

A minha relação com o Carnaval é uma relação de amor-ódio.

Nunca fui daquelas crianças que andava atrás da mãe a implorar por um disfarce novo - que eu me lembre. No entanto, gostava de me mascarar para andar com os meus amigos da escola a brincar. Mas gostava ainda mais de analisar as outras pessoas disfarçadas e de ver os desfiles que existem para esse propósito. Para mim o Carnaval só faz sentido por isso. 

E vocês perguntam-me... Porque falaste em ódio, então? 

Eu explico... Sempre fui uma criança medrosa. Sabem aquelas miúdas que não podem ouvir um grito que começam logo a chorar? Eu era dessas. Ver princesas e desenhos animados era ótimo, mas monstros? Sabem lá o medo que isso me metia...

Assim sendo, um belo dia, estava a pequena Tatiana a brincar na sala da sua avó, de janela aberta, já de noite, quando três ou quatro adolescentes - esses malditos - têm a infeliz ideia de gritar com a cabeça encostada ao vidro da janela. Não existiria problema se fosse apenas isso, o problema nasceu quando as benditas criaturas decidiram fazer isso com máscaras horríveis.

Eu fiquei em completo pânico... A imaginação de uma criança é traiçoeira e eu na altura não consegui entender que eram apenas pessoas idiotas que acharam que teria piada andar a assustar pessoas pela aldeia, mas a verdade é que isso fez com que eu deixasse de achar graça ao Carnaval. E assim continuo até hoje...

E vocês? Gostam do Carnaval? Costumam aproveitar esta altura do ano para se mascararem?

É segredo...

Num dia em que pouco tinha para fazer, com os meus catorze anos, recebi uma mensagem de um rapaz que eu não conhecia de lado nenhum. Por alguma razão dei-lhe conversa... Uma daquelas coisas de miúda que faz as coisas só porque sim e porque está aborrecida. Tinha a certeza que nunca iria conhecer aquela pessoa, mas naquele momento apetecia-me conversar...

Achei-o atirado, com a mania que era bom e engraçado... Como qualquer adolescente, fiquei interessada... Uma autêntica parvoíce. Como é que estava a ficar interessada em alguém com quem nunca iria poder estar?

A verdade é que daí surgiu uma amizade, visto que dificilmente poderia desenvolver-se um romance, por muito que de brincadeira alimentássemos essa ideia. Foram existindo uns namoros pelo meio, uns mais sérios que outros... Cheguei a achar que uma das relações que tive, que acabou por durar 3 anos e pouco, iria ser o resto da minha vida.

Várias foram as voltas dadas... Muitas coisas aconteceram que me fizeram acreditar que o melhor para mim seria virar as costas àquele rapaz que conheci online, visto que já não tinha mais 14 anos e que os anos foram passando sem nunca sequer lhe dizer um "olá" cara a cara.

No entanto, o tempo passou, e eu fui sempre ficando. Algo me prendia, mesmo que eu quisesse ter força suficiente para desapegar... Se eu nem sequer conhecia a pessoa deveria ser mais fácil, não é? E com este vai, não vai, com tantas histórias à mistura, eu fui-me deixando ficar até passarem 5 anos.

Conseguem acreditar? A tontinha que se achava super independente, que odiava rapazes, que era (e é) super melodramática, conseguiu manter-se a falar por mensagens com a mesma pessoa praticamente todos os dias durante 5 anos, sem nunca sequer sentir um abraço e a sentir-se cada vez mais conectada.

A verdade é que me mudei para Lisboa, com um bocadinho de esperança de ter aquele amigo na minha vida e deixar de lado a palavra "virtual" quando falava dele. Tudo aquilo me deixava nervosa, mas feliz ao mesmo tempo, porque era algo que eu queria muito e era uma pessoa especial para mim.

Estou há um ano e meio em Lisboa... Meio ano de namoro com esse rapaz que há quase seis anos se meteu comigo nas redes sociais. E sabem uma coisa? Estou cada vez mais apaixonada... Mas não lhe contem, é segredo.