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Em Busca de Um Sentido

A minha Véspera de Natal

Entre risos, doces e calor humano encontrei o espírito natalício que tinha deixado algures entre idas ao hospital e tardes de estudo que me pareceram infinitas, mesmo que o conteúdo reflita tudo aquilo que quero na minha vida.

Tenho a minha família por perto, nem que seja no coração... Isto mesmo sabendo que a avó, por teimosia, quis passar a noite de Natal sozinha.

Este Natal tem um sabor agridoce, porque embora seja o primeiro que vou passsar depois de perder o meu avô paterno, estou a passá-lo em casa, e não no hospital com o meu outro avô.

De Menino Jesus, como dizem as minhas avós, só peço saúde e força para que consigamos continuar esta caminhada de cabeça erguida e mãos dadas. 

Este ano iniciamos uma nova tradição, que pretendo que se mantenha. Visto que já não há crianças pequenas entre nós, fizemos Amigo Secreto. Vai ser giro, uma vez que neste momento ainda não chegámos à meia noite, e portanto, não se fez a troca de prendas.

A noite começou com a recolha de telemóveis, pelo meu pai, para que pudessemos conviver sem a interferência de telecomunicações... Embora isto tenha durado menos de duas horas, foi o suficiente para que se criasse tema de conversa para a noite toda e para que começasse um filme que estamos a ver em conjunto na televisão.

Tudo isto serviu para que o meu coração ficasse bem quentinho... É bom ver que apesar de todas as diferenças existentes entre nós, somos uma família unida.

Espero que isto se mantenha durante longos anos, mesmo que o meu espírito natalício apareça quase fora de horas.

No final das contas sou uma sortuda e sou imensamente feliz por assim o ser.

***

Entregues e abertas as prendas, com direito a papel de embrulho espalhado por tudo quanto é canto, posso dizer-vos que sou uma criança feliz. Pela prenda que recebi? Não. Pelas risadas que demos em família com as imitações que fizemos uns dos outros, para mostrar quem seria o dono da prenda que se tinha na mão... Até o meu avô, mesmo cansado, teve forças para imitar alguém.

Foi um dos melhores Natais que tive, por isto mesmo... Pela família que somos, pelo amor que transborda o meu coração... 

Sou feliz, e vou dormir feliz. A vocês desejo-vos um dia de Natal repleto de coisas boas!

Que assim seja...

Encontro-me sentada em frente de um dos homens que me viu crescer. Posso até dizer que foi e é uma das pessoas que mais me ensinou e continua a ensinar o que é ser-se humano. Sem estudos, sem saber escrever ou ler, é das pessoas mais humildes e sensatas que eu conheço. 

Queria não estar aqui. Queria estar em frente à televisão, com uma mesa cheia de livros, perto do vinho e da aguardente que ele próprio faz. Tudo o que tenho neste momento é uma cama de hospital, e a mão dele para me confortar, enquanto diz piadas para que eu fique menos preocupada. 

Tem mais de oitenta anos, e nunca usufruiu da reforma que tanto merece. Em ar de brincadeira digo-lhe que estes dias são só umas férias das abelhas, que são a sua paixão. Tudo o que eu quero é que ele fique bem, que ele fale do que é preciso para curar as diversas doenças que esses bichinhos irritantes têm, que ele me explique que as abelhas são como nós, simplesmente não falam. 

Podemos vir a passar o Natal por aqui... Mas que assim seja, desde que o resto do ano que aí vem o passe em casa, saudável e capaz de me contar tantas vezes quando possa tudo aquilo que me conta desde que eu sou pequenina e que eu continuo a ouvir e a questionar como se fosse a primeira vez.

Gratidão

Esta altura do ano não implica apenas que o Natal está perto, mas também que vem aí um novo ano, mais uma oportunidade de corrermos atrás do que queremos... No entanto, antes disso, há que repensar tudo o que se passou e principalmente o quanto conquistámos até agora e o quanto de gratidão temos no coração devido às pequenas conquistas do dia a dia.

2017 para mim foi um conjunto de pequenos ganhos, o que permite que neste momento eu me sinta uma das raparigas mais sortudas do mundo.

O meu ano teve alguns pontos baixos, uns de maior relevância do que outros... Apesar disso, eu consegui terminar o ano letivo com um bom aproveitamento e mudar para um curso que faz com que eu me sinta no meu mundo. Consegui chegar a Dezembro envolvida em alguns projetos que me satisfazem ainda mais do que esperava. Cheguei aqui rodeada de pessoas que me amam e que realmente marcam a diferença na minha vida.

Claro que mudava alguns aspetos... Qualquer pessoa minimamente incoformista gostaria de alterar algo. No entanto, temos que encarar as partes menos boas como aprendizagens importantes para o que aí vem e ter esperança de que não se repetirão, ou que pelo menos vamos conseguir lidar com elas caso sejam algo inevitável.

Posso afirmar com toda a certeza, mesmo a duas semanas do fim do ano, que a palavra do meu ano é Gratidão. Gratidão pelo que conquistei. Gratidão por me manter firme. Gratidão pela família que tenho. Gratidão pelos amigos que me aturam. Gratidão pelo blog que alimento. E gratidão por vocês, que me leem... 

Carta ao Pai Natal

Querido Pai Natal,

Sei que já passaram alguns anos desde a última vez que te escrevi, mesmo que obrigada. Sei que sempre disse que não existias, e confesso que achei os professores meio tontos por acharem que com 8 anos ainda acreditava em ti.

Por isso mesmo, percebo que aches hipócrita da minha parte escrever-te, a pedir coisas para mim. No entanto, é aí que te enganas. Eu não te vou exigir prendas, ou coisas materiais que nem sequer me fazem falta. Tenho tudo o que realmente preciso, e apesar do caminho que a vida possa levar, contento-me com o que tenho, porque sou feliz.

Estou a escrever-te esta carta para que, no caso de existires, consigas mudar um bocadinho daquilo que tenho visto e ouvido. 

Escrevo-te para te pedir que ofereças paciência a todos aqueles que a perderam pelo caminho, bom senso a quem tem cargos altos e se esqueceu que as suas ações influenciam um grande conjunto de pessoas, saúde àqueles que estão débeis demais para viver de verdade, comida a quem não a tem em cima da mesa, roupa aos que têm frio nestas noites geladas, um teto a quem dorme à chuva... E sorrisos, milhares de sorrisos para todos.

Peço-te apenas coisas que podem efetivamente mudar este mundo triste e cinzento que está a tornar-se degradante e assustador. Peço-te que analises toda e qualquer situação que possa ser alterada e nos forneças meios para possamos agir. Sim, eu sei que não és Deus ou qualquer outro ser digno desse nome... Mas não ofereces prendas a quem se porta bem?

Só te estou a pedir um mundo onde seja agradável viver sem meter em causa a injustiça da desigualdade... E não é por mim, é por todos... E acredita, é o mínimo que te posso pedir.

Espero que atendas os meus pedidos, ou pelos menos tentes,

Tatiana

E se Jesus nascesse atualmente?

Vivemos numa altura extremamente digital... Chegamos ao cúmulo de conversar verdadeiramente com as pessoas com quem convivemos apenas pelas redes sociais... 

E se Maria soubesse que vai ficar grávida digitalmente? Como seriam os preparativos para o nascimento do menino? E os reis magos?

Deixo-vos com este vídeo brilhante que retrata exatamente isto!