Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Em Busca de Um Sentido

Tenho esperança...

Não são raros os dias em que olho à volta e me sinto eternamente grata a quem me permitiu que eu estivesse rodeada de pessoas inteligentes, esforçadas, sensíveis e empáticas. 

Dizem muitas vezes que a maior parte das pessoas muito inteligentes não têm sensibilidade, porque passam a vida a olhar para os livros na esperança de que isso lhes ensine o que é o mundo em vez de levantarem a cabeça e aprenderem-no com os seus próprios sentidos.

Quem diz isso não conhece quem eu conheço. Não vê a amiga que eu tenho, que se emociona com as desgraças do mundo, na esperança de um dia ter o poder de alterá-las, e que também me explica a medicina veterinária com uma doçura infinita. Não vê o rapaz que enche os olhos de água quando vê um sem abrigo, e que também devora livros de Física. Não vê os grupos de estudantes que se juntam para apoiar quem sofre com o preconceito da sociedade. Não vê o que eu vejo, e eu sinceramente tenho pena, porque o mundo visto daqui tem mais beleza e enche-me de esperança em relação ao que está para vir. 

Esta será a geração futura. Sim, muitos jovens adultos não são assim. Mas há tantos que o são, que quero acreditar que vão dar o exemplo de uma forma brilhante e vão mudar tudo quanto conseguirem, até alcançarem a paz que tanto procuram. 

Redes Sociais e as Vidas Perfeitas

Vivemos num mundo em que somos constantemente confrontados com vidas aparentemente perfeitas.

Pessoas que partilham as suas viagens a sítios deslumbrantes, que têm relações maravilhosas e são igualmente fascinantes... Pessoas que têm toda uma vida materialista que por alguma razão nós ambicionamos...

Chegamos até a invejar aquela cintura 34 de quem mal come, a pele lisa de quem se enche de maquilhagem cara ou então o namorado lindo que apenas serve para posar para as fotografias. E aquela vivenda espetacular? Que sonho de vida...

Ficamos presos de tal forma a esse mundo que não é nosso, que queremos absorver tudo o que podemos e esquecemo-nos de que também nós temos uma vida que pode ser espetacular à nossa maneira. Passamos os dias a ver os milhares de vídeos, as centenas de fotografias e não saímos desse ciclo vicioso por estarmos constantemente à procura da fórmula mágica que nos vai dar a solução de que precisamos.

Mas os dias passam... E cada vez nos sentimos mais deprimidos... Não conseguimos entender porque é que só connosco é que não resulta, se fizemos tudo como mostram que deveria ser feito... E esquecemo-nos da parte mais importante... Não é por fulano parecer extremamente feliz na sua vida que nós vamos conseguir alcançar exatamente o mesmo nível de felicidade caso alcancemos as mesmas metas.

Por outro lado, nós não sabemos o que as pessoas enfrentam diariamente para conseguirem tudo o que mostram ter. Não sabemos a que tipo de situações se submetem para poderem dar aquele ar de plenitude e de quem não se preocupa com problemas reais... E se soubéssemos, será que iríamos continuar a invejar?

Está na hora de estabelecermos as nossas próprias metas, lutarmos por coisas que realmente nos acrescentam e nos vão fazer sentir a felicidade de termos algo único, nosso. Para quê observar a vida dos outros quando podemos ter uma nossa e fazer dela o que quisermos?

Desapega-te do que não é teu e vai ser feliz...

Vergonha Alheia

Ultimamente tenho-me deparado com imensas pessoas a falar ao telemóvel de problemas familiares e super pessoais, quase aos gritos e quando alguém lhes pede silêncio ainda se indignam.

Será que sou só eu que sinto imensa vergonha alheia quando me apercebo do que está a acontecer? Já presenciei estas coisas no metro, nos correios, no supermercado, sendo que nos correios a senhora foi alertada e quase por vingança ainda começou a falar mais alto.

Admito, sofro do síndrome da coscuvilhice. Por vezes o meu dia está a ser tão desinteressante que até me calha bem ouvir toda uma novela mexicana. No entanto, não deixo de me sentir mal, porque embora saiba que Lisboa é enorme, também sei que o mundo é pequeno o suficiente para que um dia se esteja a conversar sobre algo efetivamente "secreto" no meio de desconhecidos e apareça por lá uma cara conhecida.

Por estas e por outras é que evito fazer chamadas em público. Isto de ser uma linguaruda qualquer dia sai-me mal e não quero ter que lidar com as consequências disso.

Lisboa tem a parte boa...

Durante anos vivi na sombra do que é querer ser-se o modelo da perfeição e do ideal que a sociedade cria. Vivi agarrada a um conjunto de estereótipos que tomei como sendo a minha forma de pensar e continua a ser complicado deixá-los de lado.

Lisboa tem todos os lados maus que eu vou referindo. Lisboa tem um lado sombrio que me assusta, que me faz pensar que talvez vá perder a sensibilidade que trouxe de casa. Apesar de tudo isso, também tem pessoas diferentes, vindas de todas as partes do país e até do mundo, e isso permite-me a cada segundo mudar alguns pormenores do que assumo como a minha "filosofia de vida".

Para além de ter conhecido bastantes exemplos daquilo que não quero para mim, tenho outros tantos que me fascinam e que me fazem ambicionar chegar mais longe e ser cada vez melhor do que aquilo que sou. Lisboa deu-me a liberdade de ser eu e de aproveitar a plenitude que é ter-se vinte anos e estar a viver o sonho de menina.

Larguei as ideias pré-concebidas do que é ser-se mulher, deixei de lado as roupas que me escondiam e me faziam invisível, aprendi a falar aquilo que realmente penso sem querer agradar a quem me ouve... Aprendi que ser-se ousada, na quantidade certa, dá um certo charme e me faz aproveitar o que o mundo tem para me oferecer.

Agarrei e agarro todas as oportunidades que tenho e que me fazem dar mais um passo no trilho que pretendo percorrer no mundo.

Se posso vir a mudar a minha forma de ser? Claro que posso... Tenho um longo caminho pela frente e é certo que as minhas ideias se vão alterar e até evoluir. Mas é tão bom sentir-me eu e descobrir quem sou.

Metáforas minhas...

E como que por um ato de magia estou aqui, a ver o sol pôr-se e a ouvir o mar revoltar-se com uns meros grãos de areia... Atribuo ao momento um certo simbolismo, talvez obscuro, mas que me conforta e me faz sentir compreendida.

Tal como o dia que termina, também a nossa vida tem fases que acabam, e por mais nostálgico que possa ser, é maravilhoso observar esta correria, vivendo sempre como se não existisse o antes e o depois. A verdade é que tudo neste mundo é composto por ciclos, e mesmo que uns sejam mais curtos do que outros, nenhum toma maior relevo.

Nada há mais bonito do que ver que mesmo com todo o conforto que o conhecido nos traz, conseguimos viver como se tudo nos fosse desconhecido. Continuamos a abraçar cada ocasião como se fosse o primeiro contacto com aquela realidade.

É como o mar quando se mistura com a areia... Embora seja um casamento antigo, todo aquele atrito incomoda e parece tudo novo, ou até primitivo. O mar lida com a areia como se não fosse suposto que ela ali estivesse, mune-se de um certo egoísmo, que na quantidade certa faz com que a união prevaleça. Finge não conhecê-la, mesmo sabendo que aquilo é o seu mundo.

Embora tenham a sua identidade definida, são um conjunto indivisível. 

E lá vai o mar, a descer, a afastar-se, a desistir de estar aqui... Mas não te preocupes. Amanhã de manhã estamos de pazes feitas e ele volta. Volta sempre.