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Em Busca de Um Sentido

Tenho Medo De Sair De Casa Sozinha - Bárbara Cardoso

Há uns meses escrevi sobre assédio sexual, num momento de revolta em que precisava de falar e defender os meus direitos enquanto mulher. A verdade é que não conheço nenhuma mulher que nunca tenha sido assediada, e tal como a Bárbara acho que é necessário tocar no assunto, e que isso não significa banalizá-lo.

Vejam o vídeo, tirem 20 minutos do vosso dia e percebam que mandar piropos, mensagens "inocentes" e tudo o mais que possam pensar, provoca medo em nós, mulheres. São comentários desses que nos fazem sentir inferiorizadas, ter nojo de nós próprias e ter medo de simplesmente sair à rua.

Por favor, analisem os vossos comportamentos e tentem ser melhores todos os dias, vocês, homens e mulheres, que educam crianças e devem ensinar o certo e o errado e assim começar a mudança. 

Às vezes uma simples frase pode ser o gatilho para criar em alguém todo um conjunto de inseguranças, tenham atenção.

Trovoada...

Queria estar aí agora, perto de ti e de toda a alegria da nossa casa, que embora pequena é suficiente para a enchermos com os sentimentos mais bonitos. 

Queria poder agarrar-te nessas bochechas que já arranham devido à pouca barba que te vai crescendo, olhar-te nos olhos e dizer-te que eu estou aqui, como estive no dia em que vieste ao mundo e me permitiste que corresse o mundo de mão dada contigo, para não ter tanto medo de tudo.

Sou a mais refilona e ao mesmo tempo a mais protetora... Até quando quero que sejas tu a proteger-me, sinto-me na obrigação de olhar por ti e garantir que ambos seguimos um caminho que nos é comum e confortável, para te manter perto e sentir-me segura.

Sei que o mundo aqui fora parece escuro e até nos dá voltas à barriga, como se assim que metesses o pé de fora começasse uma trovoada imensa da qual não podes escapar.

Não te vou mentir... Essa trovoada existe, existe sempre e é complicado escaparmos dela. No entanto, depois disso vêm os dias bonitos, vem a tranquilidade de saberes que o que está para trás era teu, mas que o que agora consegues mirar também é e é tão colorido, brilhante e promissor...

Não contes a ninguém, mas estou com medo da trovoada e por isso é que te escrevo... Para saberes que mesmo deste tamanho continuo a temer a natureza, como quando éramos pequenos e eu gritava para não te sujares enquanto tu fazias o favor de sujar-me também. 

Aqui mesmo...

Sinto a tua presença como se existisse algo de magnético entre nós e sob o brilho do luar eu tenho vontade de te abraçar e pedir que dances comigo. Aqui mesmo, debaixo da chuva que me limpa de preconceitos e de medos... Aqui mesmo, onde o nosso amor merece toda a atenção que posso dar... Aqui mesmo, onde me sinto tua e te sei meu, mesmo que seja só por agora...

Encontro-te em cada rua que desagua no rio e sinto-me tão mais eu quando isso acontece... Há algo de mágico na forma como o som da água me faz lembrar a melodia da tua voz e sei que se fechar os olhos me vou lembrar do nosso primeiro beijo sentados num banco a ouvir este mesmo barulho...

Agarraste a minha mão e sem medos roubaste-me todos os medos que eu tinha, dando-me em troca uma segurança que não sabia que podia sentir.

Será que é isso que é amar? Tomar os pesadelos de alguém como nossos só para garantir que pesam menos...

Sempre que volto aqui sei que há memórias impossíveis de apagar... Há memórias que passam a fazer parte de nós... Mesmo que um dia seja outra pessoa a fazer o pedido... Mesmo que um dia o teu sorriso deixe de fazer com que me sinta sortuda... Mesmo que um dia perceba que afinal não era para ser.

O que importa é que hoje é, e é uma das sensações mais reconfortantes do mundo.

Eu e o Carnaval, o Carnaval e eu...

A minha relação com o Carnaval é uma relação de amor-ódio.

Nunca fui daquelas crianças que andava atrás da mãe a implorar por um disfarce novo - que eu me lembre. No entanto, gostava de me mascarar para andar com os meus amigos da escola a brincar. Mas gostava ainda mais de analisar as outras pessoas disfarçadas e de ver os desfiles que existem para esse propósito. Para mim o Carnaval só faz sentido por isso. 

E vocês perguntam-me... Porque falaste em ódio, então? 

Eu explico... Sempre fui uma criança medrosa. Sabem aquelas miúdas que não podem ouvir um grito que começam logo a chorar? Eu era dessas. Ver princesas e desenhos animados era ótimo, mas monstros? Sabem lá o medo que isso me metia...

Assim sendo, um belo dia, estava a pequena Tatiana a brincar na sala da sua avó, de janela aberta, já de noite, quando três ou quatro adolescentes - esses malditos - têm a infeliz ideia de gritar com a cabeça encostada ao vidro da janela. Não existiria problema se fosse apenas isso, o problema nasceu quando as benditas criaturas decidiram fazer isso com máscaras horríveis.

Eu fiquei em completo pânico... A imaginação de uma criança é traiçoeira e eu na altura não consegui entender que eram apenas pessoas idiotas que acharam que teria piada andar a assustar pessoas pela aldeia, mas a verdade é que isso fez com que eu deixasse de achar graça ao Carnaval. E assim continuo até hoje...

E vocês? Gostam do Carnaval? Costumam aproveitar esta altura do ano para se mascararem?