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Em Busca de Um Sentido

Vamos fazer com que seja melhor...

A tarefa devia ser outra e a concentração deveria estar entre a equação de ondas, espelhos, interferências e coisas que o valham... Mas está aqui, entre dúvidas existenciais, crises de identidade e problemas com solução fácil, mas que insisto em complicar.

E a música enche-me os ouvidos enquanto o mundo à minha volta é colorido com marcadores pastel. Tudo o que eu queria era saber que um dia tudo valerá a pena, que as horas "perdidas" entre um esforço desmedido para decorar matéria e uma vontade enorme de dormir infinitamente vão compensar.

Passo o dia entre mensagens de telemóvel, músicas para estar concentrada e equações que não me entram na cabeça, e nos entretantos a vida lá fora acontece e pergunto-me "porque raio acho sempre que é boa ideia fazer melhorias?".

Exijo demais, sempre exigi, por uma necessidade exagerada de aproveitar todas as oportunidades que me caem ao colo e fazer delas o melhor que consigo fazer. No fim das contas, isto pode vir a ser o meu futuro e não me quero arrepender de me ter esforçado menos do que deveria... Mesmo que saiba o que valho e que talvez não faça assim tanta diferença, se pode ser melhor, vamos fazer com que seja melhor. 

Gosto de ti, Lisboa.

Ao fim de mais um dia de correria, posso dizer-vos que tinha mesmo saudades de estar em Lisboa.

Para além de adorar o meu curso e isso fazer com que me custe um bocadinho menos todo o trabalho que me dá, sentia falta de acabar o dia completamente cansada.

Estar assim faz-me querer aproveitar os momentos que estou sozinha, apenas aqui, a olhar para o computador, ou a ler um livro, ou até mesmo só a olhar para o teto entre os meus pensamentos.

As férias dão-me muito tempo livre, mas saber que tenho o dia todo implica que eu não valorize o tempo que é só meu.

Em Lisboa tenho sempre alguma coisa para fazer, nem que seja ajudar uma amiga com qualquer coisa e isso faz-me sentir útil, ao mesmo tempo que me dá a sensação de estar usar cada segundo do meu dia para alguma coisa minimamente importante... Sei que daqui a umas semanas já estou a pedir férias de novo, mas antes desse momento preciso de dizer que gosto de Lisboa e de tudo o que me tem proporcionado até agora.

Amo amar-te.

E cá estou eu de novo. À beira rio, de mão dada contigo e com toda a liberdade que me fazes sentir. Disseram-me que isto iria acontecer... Sentir-me livre quando encontrasse a pessoa certa. E eu só consigo pensar que andei a esconder-me de ti e de nós este tempo todo, quando podia ter largado todos os meus medos e dizer-te "és tu".

Mas a coragem faltou-me e eu deixei o tempo passar... Mas passou apenas até eu conseguir dizer-te que o meu lugar é aqui: ao pé de ti e deste rio que ouve confidências e guarda segredos só nossos. E por mais que te escreva e te diga tudo o que ficou por dizer, sinto que não é o suficiente.

E por isso continuo a ocupar estas linhas enquanto me lembro das gargalhadas, do meu cabelo a voar, da felicidade que nos rodeava e do bater do meu coração, sempre acelerado quando estás por perto. Chego a acreditar que ele pressente a tua chegada antes de eu a notar.

Só queria dizer que te amo. Mesmo que amanhã diga outra coisa. Hoje amo-te, e amo amar-te. 

Fazes-me feliz.

Que sonhos mais serão perdidos?

Vou no metro a ler um livro que não sei dizer se me está a alimentar a alma ou se me está a desconstruir aos poucos. Vou descansada uma vez que vou percorrer a linha praticamente toda. Assim posso enlear-me nas linhas que tenho nas mãos.

Entra uma criança pela mão da mãe e é obrigada a sentar-se de frente para mim. Noto que está a olhar-me com espanto, como se fosse estranho alguém andar com um livro fora de casa. Lê o título em voz alta - como ainda não olhei na sua direção acha que não estou a ouvir.

"Mãe, tens livros?"

"Só em casa..."

"Quero ler. Posso ler?"

E a mãe passa-lhe para as mãos um panfleto que por momentos lhe serve - afinal só quer ler. Depressa entende que aquilo é chato, não tem uma história.

"Mãe, tens papel e caneta? Quero escrever uma história..."

E a mãe faz-lhe sinal para sossegar, tem que se portar bem em frente às outras pessoas.

Saímos na mesma estação e seguimos caminhos opostos.

Vou a descer as escadas e pergunto-me se aquela mãe irá alimentar os desejos da criança ou ignorá-los por julgar que aquilo é um pedido idiota de alguém que pela tenra idade que tem só quer imitar tudo o que vê...

Se for uma vontade ignorada, vou ter pena... Se a minha mãe tivesse ignorado as minhas ideias de criança eu não estava agora a escrever um blog no tempo que tenho livre do curso que me faz ir ao encontro dos sonhos de menina.

Este é o caminho...

Algures na minha vida decidi que uma das melhores formas de desabafar é escrever. Aliás, não foi uma decisão que tomei do dia para a noite, foi algo que foi fazendo parte da minha rotina, desde que me lembro de saber ler e escrever.

Com o passar dos anos, as responsabilidades aumentaram e o tempo livre diminuiu. À medida que eu me tornei cada vez mais exigente com tudo o que assumia como meu, acabei por entender que me estava a afogar numa angústia imensa sem que houvesse justificação.

Eu era uma miúda com uma vida normal, que se focava bastante na escola e se esquecia de viver o que se passava à sua volta. Apercebi-me, já no secundário, que me fazia falta escrever, andar com o meu caderninho atrás e despejar tudo o que me vem à mente, nem que seja uma simples frase.

No 12º ano comecei a fazer voluntariado e entendi que essa era outra das peças que me fazia falta, porque me faz sentir útil, mesmo que por coisas bastante simples que acabam por marcar a diferença.

A tudo isto juntou-se a fotografia, nem sei bem como, nem porquê. Quando percebi a paixão era quase tão grande como a que sentia pela escrita. Por momentos, chegou mesmo a substituir a minha necessidade de escrever.

O primeiro ano em Lisboa foi complicado. Foi o ano em que cresci mais, aliado ao facto de ter feito algumas mudanças bruscas na minha vida. Desleixei-me na escrita, na fotografia e no voluntariado. Estive o ano praticamente todo bastante instável emocionalmente, cheguei a estar doente semanas seguidas. Nunca soube as razões de tanto alto e baixo.

Mudei de curso. Tenho o triplo do trabalho, escrevo, saio por aí a captar momentos e dou aulas uma vez por semana na Universidade Sénior, de fotografia.

Estou no fim do primeiro semestre do que considero que vai ser o resto da minha vida profissional, com pouco tempo para respirar, mas realizada e cada vez mais empenhada.

Onde está a miúda instável? Não sei, mas deixe-se estar onde ficou, porque estou a gostar bastante do rumo que tudo está a levar.