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Em Busca de Um Sentido

18
Mar18

Quando me vão perceber? | A Tati escreveu...

Tatiana

A Tati Escreveu.png

 

Évora, 8 de março, 2014

 

Gostava de saber quando é que o mundo me vai perceber! Será que sou complicada ao ponto de ninguém compreender o que digo e sinto? Agora tudo o que falo é mal interpretado. Custa, mas é a verdade... Talvez seja a forma como falo... Afogo-me nos meus pensamentos aos poucos e depois disparo-os todos misturados... 

 

Talvez a complicação esteja em mim e não nos outros... Talvez o erro esteja presente na minha mente e não na compreensão dos outros... Sou livre para me expressar, mas encontro-me limitada por quem me ouve... Não tenho obrigação de agradar ninguém, mas encontro-me a obrigar-me a agir de forma a que agrade...

 

E ainda me pedem justificações para pensar da forma que penso quando sabem que o pensamento é algo espontâneo...

03
Mar18

Objetos perdidos. Ou serão histórias?

Tatiana

Vou passeando por ruas que nunca conheci e dou com objetos que não deviam fazer parte daquele local. Restos de pessoas que lhes podiam ou não ter apego, mas ainda assim, restos de pessoas. E sou incapaz de não pensar no que uma simples "coisa" pode dizer sobre alguém e o quanto os nossos objetos nos caracterizam e marcam.

 

Pergunto-me se o que agora observo não fará falta a quem o perdeu... Ou se por outro lado, foi deixado ali com uma intenção que me é desconhecida, mas que mesmo assim me intriga e me faz pensar no porquê de aquilo ali estar. Que histórias contaria se pudesse falar? 

 

O anel deitado fora pela janela de uma casa outrora feliz, mas que agora se veste de luto para virar costas a um casamento terminado. O guarda-chuva partido, abandonado, porque de um dia para o outro perdeu a única utilidade que realmente tinha. A chupeta deixada cair pela criança irrequieta, sem que os olhos de quem a carrega dêm pela perda que ainda vai gerar horas de choro. A esferográfica que escreveu desde cartas de amor a apontamentos naquelas aulas monótonas que os adultos garantem ser o nosso futuro... Eu bem sei o que é ter objetos preferidos e deixá-los sei lá onde, à espera que por milagre regressem a mim.

 

E no meio da minha divagação quero dizer-me grata por tudo o que tenho e que não perco. Por tudo o que sendo material, me faz falta e me deixaria com um enorme vazio caso desaparecesse. Seja a caneta dada pelo meu irmão naquele 14 de novembro e que me suportou nos exames com um "never stop dreaming"... Ou então as castanholas que animavam o centro de dia pelas mãos do meu avô, e que agora me recordam a alegria que ele transmitia... Ou ainda a pulseira feita pela minha irmã numa altura em que íamos deixar de estar constantemente juntas, e que eu uso religiosamente...

 

Objetos que fazem parte do que sou e de quem tenho no coração. Objetos aos quais atribuo demasiado simbolismo, mesmo sabendo que o verdadeiro significado está no sentimento e não no físico. Mas ainda assim objetos de um valor incalculável e bem mais ricos do que qualquer outra coisa...

 

E por isso me pergunto... Que histórias perdidas estarão por detrás de cada objeto deixado por aí, sem querermos?

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