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Em Busca de Um Sentido

Não sou o que achei que seria...

Neste momento da minha vida, não sou a pessoa que a Tatiana de 16 anos achava que iria ser.

No sonho que tinha com a jovem adulta em que me iria tornar, estava no terceiro ano de Medicina. O namorado de sempre, continuava a sê-lo. A Tatiana conformista continuava a aceitar o que lhe era oferecido, em vez de exigir da vida tudo o que merecia...

Há quem ache que isso tem algo de negativo... Ter deixado alguns objetivos escaparem-me das mãos... No entanto, a verdade é que isso nunca foram objetivos reais. Isso seria ir pelo que me era dito que era "o melhor" sem me autoanalisar. Seria ir pelo caminho óbvio, em vez de observar aquilo que realmente me fazia feliz...

Não sou a pessoa que seria caso tivesse seguido sempre em frente, sem parar para pensar... Não a sou porque decidi que seria eu a escrever o meu destino e a tomar as minhas decisões... Queria mais do que aquilo que estava logo ali. Queria mais do que sentir-me bem. Queria ser feliz.

Sempre fui de ir pelo caminho mais difícil e ainda bem, porque graças a este feitio complicado cheguei aqui...

Estou envolvida em projetos maravilhosos, conheci pessoas que me acrescentam de uma forma inexplicável, sem me anularem e segui as áreas que realmente gosto, por saber que o fim será bom por estar a estudar o que me apaixona todos os dias.

E vocês? São a pessoa que achavam que irião ser?

Instabilidade

Há exatamente quatro anos escrevi este texto no meu diário (que já não uso, por perguiça, mas devia). É engraçado ver que por muito que cresça alguns sentimentos pressistem e esta necessidade de ser compreendida e de me compreender é um desses sentimentos.

A Tati Escreveu.png

Évora, 25 de março, 2014

Acho que cheguei a um momento de pausa para pensar e organizar cada pensamento... Falo, ou pelo menos tento falar, no entanto as palavras falham-me e não me expresso da forma correta... Tenho-me perguntado tantas vezes se sou compreendida que me esqueci de reparar que eu mesma não me compreendo. 

Há pensamentos que surgem do nada e que me deixam a pensar que aquilo não é meu, eu não sou assim, mas o pensamento não é algo que vem doutra pessoa, é nosso. Logo, eu sou assim. Se me aceito? Talvez não, há dias mais fáceis que outros.

Num momento adoro a pessoa que sou, e no outro tenho vergonha de mim mesma. Sei que iso não é bom. Se eu não me amar dificilmente alguém me vai aceitar como sou sem reclamar.

A instabilidade toma conta de mim a cada segundo e eu só tenho que aprender a controlá-la. É minha obrigação, meu dever... Até pode ser difícil, mas tenho que acreditar que sou capaz, mesmo que não queira acreditar. Talvez só tenha que fingir que ela não existe, esta instabilidade que me domina...

Assusta-me a ideia de fim...

Algures na correria dos meus dias dou por mim a pensar no quão finito tudo o que me rodeia é. Um pensamento que me ocorre demasiadas vezes, bem mais do que aquelas que desejaria... 

Assusta-me a ideia de que um dia, vou acordar e não vou ter mais aqueles que amo por perto... Que vou querer ter um abraço e não vou conseguir alcançá-lo, por mais que me esforce.

Esta noção de efemeridade acaba por me deixar nostálgica e faz-me perceber o quanto poderia aproveitar mais tudo o que tenho e tudo aquilo que me dão... Mas quando analiso este meu pensamento com maior pormenor vejo que tudo o que tenho, dou... Parece que sou capaz de abdicar de uma quantidade infinita de coisas só para que os outros estejam bem.

Soa até contraditório alguém sentir que poderia aproveitar mais, mas ao mesmo tempo perceber que dá tudo de si... E acaba a assustar-me também esta ideia de que estou a deixar tudo escapar-me pelos dedos por ter uma necessidade gigante de chegar a todos e de agradar cada um que me é próximo.

Dispendo bastante energia num correr que chega a maratona, mas podia ser tão menos... Perco-me na dimensão da complicação que crio em mim e para mim. Sou o princípio dos meus problemas, ou pelo menos da maioria deles e quando me apercebo disso caio num abismo que achei nunca voltar a encontrar.

Só que a vida tem coisas destas... Surpreende-nos... Faz-nos ter a certeza de que nada neste mundo é certo. Nem mesmo o que temos por garantido.