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Em Busca de Um Sentido

Estou diferente...

Recentemente, recebi uma mensagem a dizer que a fotografia que tinha anteriormente numa das minhas redes sociais era muito mais bonita do que a atual. Eu pintei e cortei o cabelo há cerca de um mês e depois de tantas mudanças em mim não me sentia confortável em manter nas redes sociais uma versão minha loira e de cabelo comprido.

Sendo que foi uma pessoa relativamente próxima a mim há alguns anos eu quero acreditar que o comentário não foi de todo intencionado, mas desde esse dia que fiquei a pensar na conversa toda que existiu e ainda continuo triste com toda a situação.

A verdade é que eu não coloco fotografias minhas nas redes sociais com frequência por ser bastante insegura e a conversa fez-me sentir que atualmente estou mais feia do que há um ano atrás, o que até pode ser verdade, mas a mudança do cabelo trouxe-me uma segurança diferente. Sinto-me mais eu com algumas das mudanças que fui fazendo ao longo do ano, e isso passa por me identificar com a imagem de óculos e cabelo avermelhado que vejo no espelho, uma vez que de alguma forma revela tanto a parte nerd quanto a parte do mau feitio. 

E depois disto tudo fiquei a acreditar que se não me vêm a mim na "imagem" que tenho agora, talvez não me conheçam de verdade e não consigam entender aquilo que sou... Obviamente que não sou só a rapariga do cabelo estranho, mas atingi um nível de sossego me permite colocar fotografias espontâneas em redes sociais que tenho como privadas sem me importar com o que vão dizer, a não ser que seja alguém por quem tenho consideração a vir com "Achas mesmo que essa fotografia está melhor? Nunca pensei."

A conversa acabou a dizerem-me que estou diferente, apenas por ter respondido que não coloco fotografias para agradar alguém, e que há formas menos rudes de abordar alguém.

Ainda bem que estou diferente... Ao fim de dois anos era muito chato se eu continuasse igual, com as mesmas ideias e a calar-me perante certas situações.

Por fim, se o único assunto que têm com alguém implica tecer comentários que não acrescentam em nada a vida da outra pessoa, talvez seja porque não existe muito em comum e está na hora de ou reverter a situação ou seguir em frente.

Objetos perdidos. Ou serão histórias?

Vou passeando por ruas que nunca conheci e dou com objetos que não deviam fazer parte daquele local. Restos de pessoas que lhes podiam ou não ter apego, mas ainda assim, restos de pessoas. E sou incapaz de não pensar no que uma simples "coisa" pode dizer sobre alguém e o quanto os nossos objetos nos caracterizam e marcam.

Pergunto-me se o que agora observo não fará falta a quem o perdeu... Ou se por outro lado, foi deixado ali com uma intenção que me é desconhecida, mas que mesmo assim me intriga e me faz pensar no porquê de aquilo ali estar. Que histórias contaria se pudesse falar? 

O anel deitado fora pela janela de uma casa outrora feliz, mas que agora se veste de luto para virar costas a um casamento terminado. O guarda-chuva partido, abandonado, porque de um dia para o outro perdeu a única utilidade que realmente tinha. A chupeta deixada cair pela criança irrequieta, sem que os olhos de quem a carrega dêm pela perda que ainda vai gerar horas de choro. A esferográfica que escreveu desde cartas de amor a apontamentos naquelas aulas monótonas que os adultos garantem ser o nosso futuro... Eu bem sei o que é ter objetos preferidos e deixá-los sei lá onde, à espera que por milagre regressem a mim.

E no meio da minha divagação quero dizer-me grata por tudo o que tenho e que não perco. Por tudo o que sendo material, me faz falta e me deixaria com um enorme vazio caso desaparecesse. Seja a caneta dada pelo meu irmão naquele 14 de novembro e que me suportou nos exames com um "never stop dreaming"... Ou então as castanholas que animavam o centro de dia pelas mãos do meu avô, e que agora me recordam a alegria que ele transmitia... Ou ainda a pulseira feita pela minha irmã numa altura em que íamos deixar de estar constantemente juntas, e que eu uso religiosamente...

Objetos que fazem parte do que sou e de quem tenho no coração. Objetos aos quais atribuo demasiado simbolismo, mesmo sabendo que o verdadeiro significado está no sentimento e não no físico. Mas ainda assim objetos de um valor incalculável e bem mais ricos do que qualquer outra coisa...

E por isso me pergunto... Que histórias perdidas estarão por detrás de cada objeto deixado por aí, sem querermos?