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Em Busca de Um Sentido

Dias Cinzentos

Nem todos os dias têm que ser o dia mais feliz da tua vida. Há dias que não são felizes nem tristes. Depois há dias em que não queres sair na cama e tudo te parece fora de hipótese.

Depende de ti o dia para que pendes. Não há nada de errado em ter dias menos bons, dias cinzentos e sem graça... Estes também fazem falta para contrabalançar com o que há de bom e fazer com que voltes a ter os pés na Terra. A distinção entre fazer disto rotina ou ser algo pontual está na forma como tu os encaras.

Não é fácil ter força para sair mesmo quando não se tem vontade, muito menos se for para estar rodeada de barulho quando tudo o que precisas é de silêncio para ouvir tudo o que paira na tua mente e que está escondido enquanto vives a vida a 200 km/h. A diferença está em saber viver esses momentos para depois erguer a cabeça e seguir em frente e não em entrar no ciclo que é afundar-nos nos nossos próprios pensamentos, que nos vão tirar a vontade de respirar fundo e aproveitar o sol que entra através da janela.

Ser-se alguém por natureza negativo e remar contra a maré é um trabalho árduo, mas demasiado recompensador. Não há nada como a sensação de saber que há dois anos a minha maneira de pensar era completamente diferente. Por muito que fosse alguém que motivava os outros, era-me muito fácil desistir das minhas próprias vontades e deixar-me ficar sentada à sombra da bananeira. Ver que o facto de estar a esforçar-me para sair da minha zona de conforto me está a trazer frutos maravilhosos só me motiva a continuar atrás dos pequenos objetivos que vou encontrando e é a esse sentimento que me tento agarrar quando me persegue a vontade de procrastinar infinitamente.

Para que serve uma família?

Hoje acompanhei uma das minhas avós a fazer um exame que exigia que fosse acompanhada por alguém de confiança... Aproveitei que estava em casa esta semana e acabei por passar a manhã em que ela estava na cidade com ela.

Acompanhei-a até à enfermeira que a ia levar para a realização do exame e a senhora perguntou se eu era neta, respondeu-me que era muito bonito o que estava a fazer e deu-me os parabéns.

A questão é a seguinte: eu tenho consciência que a relação que a minha família tem entre si é bonita e tudo mais, mas faz sentido darem-nos os parabéns? Na minha cabeça não faz.

Uma família serve mesmo para se cuidar e amar e, devido a tudo o que já passei, cada vez mais digo que família é quem trata bem de nós e se preocupa incondicionalmente.

Percebi que a enfermeira não o disse com má intenção... O que me preocupa é pensar que se ela o disse é porque eu sou a exceção, e devia ser a regra. Os idosos deviam ser acompanhados no seu dia a dia, seja por netos, filhos, sobrinhos... Cuidaram de nós uma vida inteira e agora é a nossa vez de cuidar deles e de fazer com que se sintam protegidos e mimados...

Gosto de ti, Lisboa.

Ao fim de mais um dia de correria, posso dizer-vos que tinha mesmo saudades de estar em Lisboa.

Para além de adorar o meu curso e isso fazer com que me custe um bocadinho menos todo o trabalho que me dá, sentia falta de acabar o dia completamente cansada.

Estar assim faz-me querer aproveitar os momentos que estou sozinha, apenas aqui, a olhar para o computador, ou a ler um livro, ou até mesmo só a olhar para o teto entre os meus pensamentos.

As férias dão-me muito tempo livre, mas saber que tenho o dia todo implica que eu não valorize o tempo que é só meu.

Em Lisboa tenho sempre alguma coisa para fazer, nem que seja ajudar uma amiga com qualquer coisa e isso faz-me sentir útil, ao mesmo tempo que me dá a sensação de estar usar cada segundo do meu dia para alguma coisa minimamente importante... Sei que daqui a umas semanas já estou a pedir férias de novo, mas antes desse momento preciso de dizer que gosto de Lisboa e de tudo o que me tem proporcionado até agora.

Eu pertenço a um mundo de diversidade!

Não gosto de rótulos. Não sei quando ou como me surgiu esta necessidade de afirmar que rótulos não é comigo, mas apareceu e não consigo fazer com que volte para o sítio de onde veio.

Noto que fico irritada sempre que alguém precisa de me dizer "isto não é o teu estilo", quando nem eu própria me consigo definir dentro de um padrão, seja em relação ao que for. Sou instável por natureza, com tudo o que possam imaginar.

Tudo o que sei acerca de mim, que não é muito, implica que eu não tenho preferências demasiado vincadas e acabo por oscilar entre coisas totalmente opostas sem que isso me incomode.

Gosto de me vestir de forma discreta e no dia seguinte ser mais ousada. Gosto de ter uma playlist em que encontro baladas, funk, rock e tantos outros estilos. Gosto de ver uma comédia romântica tanto quanto gosto de ficção científica. Até nos livros sou assim, uma vez que passo de José Saramago para livros de adolescentes com bastante facilidade e sem me fazer mossa alguma.

Gosto de ser livre para mudar a minha própria opinião tantas vezes quanto me apetecer, e se acontecer na mesma semana, qual é o problema? Eu sou feliz assim. Só não associem a coisas demasiado específicas, não me coloquem em caixas quando eu pertenço a um mundo de diversidade.

Para além disso, também não me levem demasiado a sério. É natural eu mudar - todos estamos em constante evolução e não existe mal nisso: faz parte de ser-se humano e de se estar sempre a aprender.

E quando eu disser que gosto de tudo, não me achem vira-casacas; fiquem felizes por conhecerem alguém que consegue retirar algo positivo de praticamente tudo - menos filmes de terror. Não mos apresentem, a menos que volte a mudar de ideias e tente apreciar algo que me assusta e me faz ter pesadelos. Afinal o objetivo deste texto é afirmar o quanto mudo de opinão, certo?