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Em Busca de Um Sentido

Cores do Mundo

Nem sempre o mundo é colorido à primeira... Por vezes precisamos de aprender a respirar fundo, agarrar nas tintas e dar-lhe a cor que queremos, com calma... Aproveitar o processo é um bem necessário, porque talvez o resultado não vá ser a cor que pretendemos, mas sim a que precisamos...

Nem sempre as cores dos outros vão dar certo com as tuas. Cabe-te a ti decidir se queres mudar a tua pintura para te adaptares, ou procurar algo que seja mais próximo daquilo que para ti é harmonioso. Nenhuma decisão é errada, só o será se não fores fiel ao que o teu coração te disser... Sei que às vezes podes não ouvi-lo, mas ele guiar-te-á pelo caminho que te leva à tela que te fará mais feliz.

Vão haver folhas rasgadas, tintas estragadas, cores imprevistas... Mas vai valer a pena no fim... Apenas vai pintando, o resultado vai ser o melhor.

Roma, eu sou assim...

Há uma semana estava a entrar num bar, em Roma, sem saber que ia passar a noite toda a falar com pessoas que possivelmente nunca mais vou ver, mas que me permitiram ver Roma para lá das filas de turistas apressados.

Estive em Roma três dias, com duas amigas, e na madrugada de sábado para domingo tivemos a oportunidade de ter dois italianos a mostrar-nos pontos históricos da cidade enquanto explicavam a sua história. 

Vimos imensos monumentos e os assuntos das conversas foram vários, desde a política dos nossos países, à religião, e até sobre as mulheres terem sido privadas de fazer parte do exército durante muito tempo.

Toda a minha estadia foi maravilhosa, embora andasse a dormir três ou quatro horas de cada vez... No entanto, para mim, o momento mais marcante foi quando olhei para as minhas amigas a atirar uma moeda para a Fonte de Trevi e decidi replicar o gesto.

Não sei explicar o que senti em concreto. Foi um misto de felicidade com orgulho e gratidão. E enquanto fechava os olhos e me foquei no desejo, emocionei-me com todos os sentimentos bons que se apoderaram de mim. Foi quando eu percebi onde estava e que fui eu que me permiti estar ali.

Pedi desculpa. E pelo meio uma delas olhou para mim e disse "Tatiana, tu és uma pessoa mais emocional do que a maioria, está na hora de aceitares. Não tem mal seres assim, até é querido". E aí, na minha cabeça soou "Sim, tenho que me aceitar. Eu sou assim." 

Tenho esperança...

Não são raros os dias em que olho à volta e me sinto eternamente grata a quem me permitiu que eu estivesse rodeada de pessoas inteligentes, esforçadas, sensíveis e empáticas. 

Dizem muitas vezes que a maior parte das pessoas muito inteligentes não têm sensibilidade, porque passam a vida a olhar para os livros na esperança de que isso lhes ensine o que é o mundo em vez de levantarem a cabeça e aprenderem-no com os seus próprios sentidos.

Quem diz isso não conhece quem eu conheço. Não vê a amiga que eu tenho, que se emociona com as desgraças do mundo, na esperança de um dia ter o poder de alterá-las, e que também me explica a medicina veterinária com uma doçura infinita. Não vê o rapaz que enche os olhos de água quando vê um sem abrigo, e que também devora livros de Física. Não vê os grupos de estudantes que se juntam para apoiar quem sofre com o preconceito da sociedade. Não vê o que eu vejo, e eu sinceramente tenho pena, porque o mundo visto daqui tem mais beleza e enche-me de esperança em relação ao que está para vir. 

Esta será a geração futura. Sim, muitos jovens adultos não são assim. Mas há tantos que o são, que quero acreditar que vão dar o exemplo de uma forma brilhante e vão mudar tudo quanto conseguirem, até alcançarem a paz que tanto procuram.