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Em Busca de Um Sentido

Estou diferente...

Recentemente, recebi uma mensagem a dizer que a fotografia que tinha anteriormente numa das minhas redes sociais era muito mais bonita do que a atual. Eu pintei e cortei o cabelo há cerca de um mês e depois de tantas mudanças em mim não me sentia confortável em manter nas redes sociais uma versão minha loira e de cabelo comprido.

Sendo que foi uma pessoa relativamente próxima a mim há alguns anos eu quero acreditar que o comentário não foi de todo intencionado, mas desde esse dia que fiquei a pensar na conversa toda que existiu e ainda continuo triste com toda a situação.

A verdade é que eu não coloco fotografias minhas nas redes sociais com frequência por ser bastante insegura e a conversa fez-me sentir que atualmente estou mais feia do que há um ano atrás, o que até pode ser verdade, mas a mudança do cabelo trouxe-me uma segurança diferente. Sinto-me mais eu com algumas das mudanças que fui fazendo ao longo do ano, e isso passa por me identificar com a imagem de óculos e cabelo avermelhado que vejo no espelho, uma vez que de alguma forma revela tanto a parte nerd quanto a parte do mau feitio. 

E depois disto tudo fiquei a acreditar que se não me vêm a mim na "imagem" que tenho agora, talvez não me conheçam de verdade e não consigam entender aquilo que sou... Obviamente que não sou só a rapariga do cabelo estranho, mas atingi um nível de sossego me permite colocar fotografias espontâneas em redes sociais que tenho como privadas sem me importar com o que vão dizer, a não ser que seja alguém por quem tenho consideração a vir com "Achas mesmo que essa fotografia está melhor? Nunca pensei."

A conversa acabou a dizerem-me que estou diferente, apenas por ter respondido que não coloco fotografias para agradar alguém, e que há formas menos rudes de abordar alguém.

Ainda bem que estou diferente... Ao fim de dois anos era muito chato se eu continuasse igual, com as mesmas ideias e a calar-me perante certas situações.

Por fim, se o único assunto que têm com alguém implica tecer comentários que não acrescentam em nada a vida da outra pessoa, talvez seja porque não existe muito em comum e está na hora de ou reverter a situação ou seguir em frente.

Muitos parabéns, avó!

Hoje a minha avó materna faz anos. Hoje mais do que nunca eu gostava de estar em casa, gostava de poder abraçá-la e dizer-lhe tudo o que merece ouvir.

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Desde sempre que oiço "és tal e qual a tua avózinha, que raio de mau feitio", sendo que a minha avó se desculpa sempre com o signo. Somos as duas escorpião e para ela isso é justificação suficiente para o facto de eu ser bastante parecida com ela.

Eu, por outro lado, gosto de justificar isso com os genes. Todas as mulheres da nossa família têm um feitio complicado, somos ótimas pessoas... Mas difíceis de aturar. Para além disso, antes de entrar para a escola passava muito tempo em casa da minha avó, enquanto os meus pais iam trabalhar. Portanto, é perfeitamente normal que eu tenha ganho manias dela, não é verdade?

A minha avó é uma das pessoas que mais admiro, porque apesar de ter vivido sempre do campo, gosta de saber, gosta de aprender, anda sempre informada e é uma mulher de armas. Sempre foi o braço direito do meu avô e apesar de eu ser quase igual a ela, falta-me a organização.

Liguem-lhe a perguntar em que sítio da horta tem um molho de coentros, que ela vai responder tão correto que só lhe vão faltar as coordenadas. E para fazer contas de cabeça não há melhor do que ela, confiem. 

Devo-lhe tudo, tal como o devo a qualquer elemento mais próximo da minha família. Apesar do mau feitio, de chocarmos imenso, de eu parecer mãe dela sempre que não concordo com alguma coisa, eu amo-a.

Muitos parabéns, avó!

E é perdida que encontro o meu lugar...

Sinto-me perdida, mesmo quando sei exatamente onde estou... E o mais estranho é que gosto da sensação... Perco-me nos campos acabados de florir, no som da água a correr por onde consegue... Vou olhando para tudo como se fosse a primeira vez que ali estou e como se nunca mais pudesse voltar a apreciar tudo o que a Natureza tem para me oferecer...

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Sei que dou atenção a pormenores que mais ninguém consegue ver, mesmo que tente, encontro beleza numa simples folha com duas ou três gotas de água... Alguns acham que perco o meu tempo sempre que agarro na máquina fotográfica e vou captando tudo quanto consigo, até coisas que possam parecer verdadeiramente insignificantes... No entanto, para mim tudo tem potencial e é isso que me permite continuar a sentir felicidade quando clico no botão.

Perco noção do tempo, as horas tornam-se curtas para a vontade que eu tenho de absorver tudo o que os meus olhos conseguem alcançar... E eu sei que para além do horizonte há mais para ver, para observar, para me apaixonar... E vou andando em frente, à descoberta de um mundo que a minha objetiva ainda não alcançou, mesmo que me garantam que é tudo igual ao que vi na semana passada.

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Quando me apercebo que o tempo realmente passa, já está a escurecer e preciso de voltar à realidade dos dias monótonos, em que tudo é igual e a rotina é a mesma de sempre. Mas se há uma coisa que sei, é que não vão deixar de existir esses dias em que me deixo ir ao sabor do vento, sem me preocupar com os segundos a passar...

Sabes uma coisa? É ali, no nascer de algo novo, no florir de um mundo, que eu encontro a minha essência e tudo o que me traz harmonia.