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Em Busca de Um Sentido

Eu e o mundo...

Por vezes acordo com vontade de te escrever acerca do que nunca chegámos a viver, mas que planeámos até à exaustão. Todas as viagens, todos os restaurantes, todos os cantos e recantos de uma cidade que viu nascer um amor e também o viu ir...

No meio do turbilhão de emoções que me iam ocupando a mente, a adrenalina foi desvanescendo e ficou apenas um enorme carinho que se pode confundir com tantas outras coisas e que fui aceitando, como se nunca fosse merecer mais do que um amor calmo e sereno, tão sereno que se torna apenas o estar e não o ser.

De tanto te querer, deixei o momento passar e deixei com isso irem todas as coisas bonitas que um dia dissemos olhos nos olhos, que tanto sentido faziam e que hoje me apertam o coração. Não é que eu não o quisesse... Mas há mais para lá das cortinas que se fecham quando eu me foco apenas em criar uma fantasia do par perfeito e não consigo ver que às vezes as coisas não são para ser e que existem os meus próprios limites, que não quero ultrapassar.

Para além de ti, existo eu. Um dia que não estejas, vou estar eu. E se eu não estou serena, como podemos estar nós? Se eu não gosto do silêncio quando estou aqui, como posso gostar quando estás tu?

Nunca digo nunca, aprendi com os meus erros... Também deixei as despedidas para outro dia... Mas para hoje quero isto. Eu, as minhas letras salpicadas em folhas velhas, os meus livros que foram acumulando nas prateleiras e o mundo que vou descobrir sozinha, por agora.

Roma, eu sou assim...

Há uma semana estava a entrar num bar, em Roma, sem saber que ia passar a noite toda a falar com pessoas que possivelmente nunca mais vou ver, mas que me permitiram ver Roma para lá das filas de turistas apressados.

Estive em Roma três dias, com duas amigas, e na madrugada de sábado para domingo tivemos a oportunidade de ter dois italianos a mostrar-nos pontos históricos da cidade enquanto explicavam a sua história. 

Vimos imensos monumentos e os assuntos das conversas foram vários, desde a política dos nossos países, à religião, e até sobre as mulheres terem sido privadas de fazer parte do exército durante muito tempo.

Toda a minha estadia foi maravilhosa, embora andasse a dormir três ou quatro horas de cada vez... No entanto, para mim, o momento mais marcante foi quando olhei para as minhas amigas a atirar uma moeda para a Fonte de Trevi e decidi replicar o gesto.

Não sei explicar o que senti em concreto. Foi um misto de felicidade com orgulho e gratidão. E enquanto fechava os olhos e me foquei no desejo, emocionei-me com todos os sentimentos bons que se apoderaram de mim. Foi quando eu percebi onde estava e que fui eu que me permiti estar ali.

Pedi desculpa. E pelo meio uma delas olhou para mim e disse "Tatiana, tu és uma pessoa mais emocional do que a maioria, está na hora de aceitares. Não tem mal seres assim, até é querido". E aí, na minha cabeça soou "Sim, tenho que me aceitar. Eu sou assim." 

Gosto de ti, Lisboa.

Ao fim de mais um dia de correria, posso dizer-vos que tinha mesmo saudades de estar em Lisboa.

Para além de adorar o meu curso e isso fazer com que me custe um bocadinho menos todo o trabalho que me dá, sentia falta de acabar o dia completamente cansada.

Estar assim faz-me querer aproveitar os momentos que estou sozinha, apenas aqui, a olhar para o computador, ou a ler um livro, ou até mesmo só a olhar para o teto entre os meus pensamentos.

As férias dão-me muito tempo livre, mas saber que tenho o dia todo implica que eu não valorize o tempo que é só meu.

Em Lisboa tenho sempre alguma coisa para fazer, nem que seja ajudar uma amiga com qualquer coisa e isso faz-me sentir útil, ao mesmo tempo que me dá a sensação de estar usar cada segundo do meu dia para alguma coisa minimamente importante... Sei que daqui a umas semanas já estou a pedir férias de novo, mas antes desse momento preciso de dizer que gosto de Lisboa e de tudo o que me tem proporcionado até agora.

Confia...

Por vezes, a autosuperação não tem a ver com conseguirmos atingir marcos grandes e visíveis nas nossas vidas. Por vezes, conseguirmo-nos olhar ao espelho e sentir orgulho do que somos, sem peso na consciência, sem "e se", sem todas essas pequeninas coisas que nos fazem ficar para trás já é uma grande evolução e por isso devemos sentir que nos estamos a superar e a melhorar.

Nem todos os dias são bons dias. Muito menos te posso garantir que a partir desse incrível momento, todas as vezes que o teu companheiro for o espelho te vais sentir incrível. É normal haver baixos no meio dos bons momentos e são esses que nos fazem crescer como pessoas. Mas, por outro lado, posso dar-te praticamente a certeza de que no dia em que conseguires encarar a vida como uma sequência de momentos que te faz ser cada vez mais e melhor vai ser bem mais fácil sair dos baixos.

Vão existir noites difíceis. Não te minto. Vão existir segundos em que vais querer jogar tudo ao chão e gritar "desisto", mas o mais importante é conseguires ter força para fechar os olhos, respirar fundo e acreditar que amanhã o sol vai brilhar e vais superar esse obstáculo. Eu sei que és capaz, e tu bem no fundo também o sabes. Confia. E sê feliz.

Eu pertenço a um mundo de diversidade!

Não gosto de rótulos. Não sei quando ou como me surgiu esta necessidade de afirmar que rótulos não é comigo, mas apareceu e não consigo fazer com que volte para o sítio de onde veio.

Noto que fico irritada sempre que alguém precisa de me dizer "isto não é o teu estilo", quando nem eu própria me consigo definir dentro de um padrão, seja em relação ao que for. Sou instável por natureza, com tudo o que possam imaginar.

Tudo o que sei acerca de mim, que não é muito, implica que eu não tenho preferências demasiado vincadas e acabo por oscilar entre coisas totalmente opostas sem que isso me incomode.

Gosto de me vestir de forma discreta e no dia seguinte ser mais ousada. Gosto de ter uma playlist em que encontro baladas, funk, rock e tantos outros estilos. Gosto de ver uma comédia romântica tanto quanto gosto de ficção científica. Até nos livros sou assim, uma vez que passo de José Saramago para livros de adolescentes com bastante facilidade e sem me fazer mossa alguma.

Gosto de ser livre para mudar a minha própria opinião tantas vezes quanto me apetecer, e se acontecer na mesma semana, qual é o problema? Eu sou feliz assim. Só não associem a coisas demasiado específicas, não me coloquem em caixas quando eu pertenço a um mundo de diversidade.

Para além disso, também não me levem demasiado a sério. É natural eu mudar - todos estamos em constante evolução e não existe mal nisso: faz parte de ser-se humano e de se estar sempre a aprender.

E quando eu disser que gosto de tudo, não me achem vira-casacas; fiquem felizes por conhecerem alguém que consegue retirar algo positivo de praticamente tudo - menos filmes de terror. Não mos apresentem, a menos que volte a mudar de ideias e tente apreciar algo que me assusta e me faz ter pesadelos. Afinal o objetivo deste texto é afirmar o quanto mudo de opinão, certo?