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Em Busca de Um Sentido

Vamos fazer com que seja melhor...

A tarefa devia ser outra e a concentração deveria estar entre a equação de ondas, espelhos, interferências e coisas que o valham... Mas está aqui, entre dúvidas existenciais, crises de identidade e problemas com solução fácil, mas que insisto em complicar.

E a música enche-me os ouvidos enquanto o mundo à minha volta é colorido com marcadores pastel. Tudo o que eu queria era saber que um dia tudo valerá a pena, que as horas "perdidas" entre um esforço desmedido para decorar matéria e uma vontade enorme de dormir infinitamente vão compensar.

Passo o dia entre mensagens de telemóvel, músicas para estar concentrada e equações que não me entram na cabeça, e nos entretantos a vida lá fora acontece e pergunto-me "porque raio acho sempre que é boa ideia fazer melhorias?".

Exijo demais, sempre exigi, por uma necessidade exagerada de aproveitar todas as oportunidades que me caem ao colo e fazer delas o melhor que consigo fazer. No fim das contas, isto pode vir a ser o meu futuro e não me quero arrepender de me ter esforçado menos do que deveria... Mesmo que saiba o que valho e que talvez não faça assim tanta diferença, se pode ser melhor, vamos fazer com que seja melhor. 

Roma, eu sou assim...

Há uma semana estava a entrar num bar, em Roma, sem saber que ia passar a noite toda a falar com pessoas que possivelmente nunca mais vou ver, mas que me permitiram ver Roma para lá das filas de turistas apressados.

Estive em Roma três dias, com duas amigas, e na madrugada de sábado para domingo tivemos a oportunidade de ter dois italianos a mostrar-nos pontos históricos da cidade enquanto explicavam a sua história. 

Vimos imensos monumentos e os assuntos das conversas foram vários, desde a política dos nossos países, à religião, e até sobre as mulheres terem sido privadas de fazer parte do exército durante muito tempo.

Toda a minha estadia foi maravilhosa, embora andasse a dormir três ou quatro horas de cada vez... No entanto, para mim, o momento mais marcante foi quando olhei para as minhas amigas a atirar uma moeda para a Fonte de Trevi e decidi replicar o gesto.

Não sei explicar o que senti em concreto. Foi um misto de felicidade com orgulho e gratidão. E enquanto fechava os olhos e me foquei no desejo, emocionei-me com todos os sentimentos bons que se apoderaram de mim. Foi quando eu percebi onde estava e que fui eu que me permiti estar ali.

Pedi desculpa. E pelo meio uma delas olhou para mim e disse "Tatiana, tu és uma pessoa mais emocional do que a maioria, está na hora de aceitares. Não tem mal seres assim, até é querido". E aí, na minha cabeça soou "Sim, tenho que me aceitar. Eu sou assim." 

Gosto de ti, Lisboa.

Ao fim de mais um dia de correria, posso dizer-vos que tinha mesmo saudades de estar em Lisboa.

Para além de adorar o meu curso e isso fazer com que me custe um bocadinho menos todo o trabalho que me dá, sentia falta de acabar o dia completamente cansada.

Estar assim faz-me querer aproveitar os momentos que estou sozinha, apenas aqui, a olhar para o computador, ou a ler um livro, ou até mesmo só a olhar para o teto entre os meus pensamentos.

As férias dão-me muito tempo livre, mas saber que tenho o dia todo implica que eu não valorize o tempo que é só meu.

Em Lisboa tenho sempre alguma coisa para fazer, nem que seja ajudar uma amiga com qualquer coisa e isso faz-me sentir útil, ao mesmo tempo que me dá a sensação de estar usar cada segundo do meu dia para alguma coisa minimamente importante... Sei que daqui a umas semanas já estou a pedir férias de novo, mas antes desse momento preciso de dizer que gosto de Lisboa e de tudo o que me tem proporcionado até agora.

Ouvi "férias"?

Durante estes dias tenho estado em casa. Não, não estou doente. E não, também não estou em Lisboa. Estou em casa, casa. No meio do Alentejo, onde nada acontece - a não ser um sismo que me acordou e me ia matando de susto e uma escola secundária que fechou por tempo indefinido porque lhe faltam condições, a mesma escola onde algumas pessoas me ensinaram o que me permite ser o que sou.

Apercebi-me de várias realidades que na correria da capital me estavam a escapar. Não por eu ser desatenta, mas porque não parava tempo suficiente, uma vez que passava o dia numa correria imensa ou demasiado focada nos exames que tinha que fazer. 

A verdade é que quando não estou em tempo de aulas, é difícil tirar-me de casa... No entanto, isso implica que escrevo menos, fico mais preguiçosa, durmo mais durante o dia e passo a noite ansiosa. Apesar desta pausa letiva, tenho uma lista de coisas que gostava de cumprir, mas que parecem cada vez mais distantes, pela sonolência que se vai apoderando da minha pessoa.

A somar a isso tenho vontade de ler mais, mas cada vez que pego num livro vem-me uma vontade enorme de me virar para o lado e voltar a dormir. Ou seja, até a fazer algo que realmente gosto tenho vontade de dormir e deixar o dia passar sem que faça algo produtivo.

A grande questão é: estarei eu verdadeiramente cansada e a precisar de repor os sonos, ou sou uma eterna preguiçosa que precisa de uma rotina para fazer algo de útil para si própria?

Resumidamente, para além de vos estar a informar que estou finalmente de férias, quero também dizer que precisava delas, mesmo quando achei que estava em perfeitas condições para começar já o próximo semestre. Apesar disso, tenho que começar a repor energias, porque esta vida de alentejana está a dar cabo de mim.