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Em Busca de Um Sentido

Volto à confusão...

Sensação crescente de que escolher-me faz de mim alguém egoísta e amargo, quando na verdade tenho todo o direito de decidir o que quero ou não na minha vida.

Todas as escolhas me parecem ser feitas em momentos de impulsão, sem pensamento acerca dos assuntos, quando na verdade sou a pessoa que remói cada pedacinho de pensamento para ter a certeza de tudo.

Olho-me ao espelho e vejo várias de mim. Essa total desidentificação com algo concreto leva a que ande à deriva entre ideais, entre grupos e até entre hobbies. Não sou só cientista, mas também não sou só artista. Não sou só sentimental, mas também não sou só a durona. Não sou só a organizada, mas também não sou só a que se perde nas listas. Não sou só a que se maquilha, mas também não sou só a que anda de fato de treino.

A lista poderia continuar... Tudo isto para dizer que a minha pluraridade de reações e de identificações leva-me à confusão extrema por vezes. Aceito-me, mas não consigo descrever o que aceito. Apenas sei que sou e que gosto do que sou. E volto à confusão...

Não sou o que achei que seria...

Neste momento da minha vida, não sou a pessoa que a Tatiana de 16 anos achava que iria ser.

No sonho que tinha com a jovem adulta em que me iria tornar, estava no terceiro ano de Medicina. O namorado de sempre, continuava a sê-lo. A Tatiana conformista continuava a aceitar o que lhe era oferecido, em vez de exigir da vida tudo o que merecia...

Há quem ache que isso tem algo de negativo... Ter deixado alguns objetivos escaparem-me das mãos... No entanto, a verdade é que isso nunca foram objetivos reais. Isso seria ir pelo que me era dito que era "o melhor" sem me autoanalisar. Seria ir pelo caminho óbvio, em vez de observar aquilo que realmente me fazia feliz...

Não sou a pessoa que seria caso tivesse seguido sempre em frente, sem parar para pensar... Não a sou porque decidi que seria eu a escrever o meu destino e a tomar as minhas decisões... Queria mais do que aquilo que estava logo ali. Queria mais do que sentir-me bem. Queria ser feliz.

Sempre fui de ir pelo caminho mais difícil e ainda bem, porque graças a este feitio complicado cheguei aqui...

Estou envolvida em projetos maravilhosos, conheci pessoas que me acrescentam de uma forma inexplicável, sem me anularem e segui as áreas que realmente gosto, por saber que o fim será bom por estar a estudar o que me apaixona todos os dias.

E vocês? São a pessoa que achavam que irião ser?

Foi um dia bom...

Há dias que correm particularmente bem. Nós nem sabemos o porquê de sentirmos as boas vibrações a alimentar-nos a alma, mas saímos da cama a perceber que o dia vai ser render, mesmo quando os últimos dias têm sido cansativos e melancólicos.

Hoje foi um dia excecionalmente positivo. Não ganhei o euromilhões, não descobri a cura para uma doença, mas encontrei um ponto de inspiração que nem sabia que iria existir.

Há umas semanas que ando mais embaixo... Tenho publicado por aqui textos escritos há algum tempo, mas que sem querer acabam por revelar um bocadinho do peso que tenho sentido. Peso esse que vem apenas das minhas inseguranças, da minha falta de autovaliação positiva, da minha necessidade de me meter o mais na Terra possível para não me desiludir. 

O problema começa quando deixo de festejar as coisas boas que me vão acontecendo e me foco apenas nas que me fazem arrastar os pés na esperança que o destino se encarregue de construir o lugar a que quero chegar. E esqueço-me de que sou eu quem constrói o meu caminho. Melhor ou pior, mas faço-o.

E hoje foi o dia em que eu olhei à minha volta e percebi que algures em mim existe potencial, como há em qualquer pessoa, e que preciso de acreditar mais nisso. Hoje foi o dia em que eu olhei para alguém que admiro e reparei que é possível alcançar o sonho que estou a alimentar, e que tenho que me esforçar para conseguir fazer com que se torne realidade. Basicamente, descobri que um professor meu, para além de ter uma carreira bastante positiva nas ciências, escreve romances. Uma pequena motivação para a pequena criança que existe em mim.

Sabem? Hoje foi mesmo um dia bom, e espero que consiga levar esta positividade ao longo do semestre. Estou a precisar!

Lisboa tem a parte boa...

Durante anos vivi na sombra do que é querer ser-se o modelo da perfeição e do ideal que a sociedade cria. Vivi agarrada a um conjunto de estereótipos que tomei como sendo a minha forma de pensar e continua a ser complicado deixá-los de lado.

Lisboa tem todos os lados maus que eu vou referindo. Lisboa tem um lado sombrio que me assusta, que me faz pensar que talvez vá perder a sensibilidade que trouxe de casa. Apesar de tudo isso, também tem pessoas diferentes, vindas de todas as partes do país e até do mundo, e isso permite-me a cada segundo mudar alguns pormenores do que assumo como a minha "filosofia de vida".

Para além de ter conhecido bastantes exemplos daquilo que não quero para mim, tenho outros tantos que me fascinam e que me fazem ambicionar chegar mais longe e ser cada vez melhor do que aquilo que sou. Lisboa deu-me a liberdade de ser eu e de aproveitar a plenitude que é ter-se vinte anos e estar a viver o sonho de menina.

Larguei as ideias pré-concebidas do que é ser-se mulher, deixei de lado as roupas que me escondiam e me faziam invisível, aprendi a falar aquilo que realmente penso sem querer agradar a quem me ouve... Aprendi que ser-se ousada, na quantidade certa, dá um certo charme e me faz aproveitar o que o mundo tem para me oferecer.

Agarrei e agarro todas as oportunidades que tenho e que me fazem dar mais um passo no trilho que pretendo percorrer no mundo.

Se posso vir a mudar a minha forma de ser? Claro que posso... Tenho um longo caminho pela frente e é certo que as minhas ideias se vão alterar e até evoluir. Mas é tão bom sentir-me eu e descobrir quem sou.