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Em Busca de Um Sentido

Gosto de educação!

Gosto de pessoas e gosto ainda mais quando estas são educadas.

Sou naturalmente educada, e por favor, não confundam simpática com educada. Fui ensinada a usar as palavras mágicas e cada vez que elas me falhavam ouvia "não foi assim que eu te ensinei, o que é que se diz?". Óbvio que não me bastava que me ensinassem, ver o exemplo é o melhor e os meus pais são bastante educados com toda a gente.

O que acontece é que, desde que vim para Lisboa, é muito difícil arrancar um "bom dia" de alguém e isso faz-me comichão, até porque estou a falar de pessoas que contactam comigo diariamente/semanalmente. Para acrescentar, ainda olham para mim como se eu sofresse de uma doença em estado terminal. "O quê? Bom dia? Mas esta agora está a falar comigo?".

Não consigo aceitar falta de empatia com as pessoas, porque a verdade é que seja a quem for, faz diferença receber uma palavra mais atenciosa, seja o "olá, como está?" ou o "desculpe" quando se pisa o pé de alguém na correria desta cidade.

Sinto bastante a falta da reciprocidade visto que venho de um meio pequeno, em que, se não for atenciosa, daí a dois segundos tenho a minha mãe a perguntar porque não disse nada à D. Maria que calhou a passar por mim.

E ainda me causa mais comichão saber que os mesmos que hoje não me devolvem a palavra daqui a uns anos são capazes de me mostrar um sorriso amarelo no meio de um "Bom dia, Sra. Engenheira". Realmente, há muita gente a viver de e para aparências, e saber disso dá-me cabo do pouco juízo que ainda tenho...

"Desculpa" como reflexo...

Sou uma dessas pessoas que pedem desculpa umas vinte vezes no dia. Para mim é efetivamente um reflexo, algo que eu só percebo que disse depois de dizê-lo. Peço desculpa por falar alto, por rir compulsivamente, por sentir demais, por ser sensível em alturas em que devia ser forte, por tropeçar, por andar devagar... Basicamente, eu peço desculpa por cada detalhe que penso que pode incomodar as pessoas com quem estou a interagir. É como se sentisse que lhes estou a faltar ao respeito, e por "educação" devo pedir que me desculpem. Chego até a iniciar frases com "desculpa, mas...".

E sim, eu sei que há situações em que se deve utilizar essa expressão, mas não devia ser apenas quando efetivamente fizemos algo de errado e nos arrependemos disso? Por ser uma expressão usada tão frequentemente não lhe estamos a tirar os sentimentos que lhe deveriam estar associados?

Apenas recentemente me apercebi de como me culpabilizo constantemente por coisas mínimas e o quanto isso pode afetar a forma como vivo a minha vida... A verdade é que se eu mudasse certas características minhas, pelas quais me desculpo, eu deixava de ser a pessoa que sou e isso não é algo que eu queira.

A necessidade de estar sempre a agradar quem me rodeia causa-me uma ansiedade enorme e o peso com que vou vivendo para não sair da linha é complicado de gerir...

Assim sendo, deixo-vos o vídeo que me levou a escrever este post e que me fez entender que não tenho que ter medo de ser quem sou e que se usar outras palavras continuo a ser educada e não me estou a culpar.

Estou num percurso de auto-conhecimento em o processo de substituir palavras que me fazem mal tem-me levado por um bom caminho e descobrir este tipo de conteúdo é refrescante.

Foi um dia bom...

Há dias que correm particularmente bem. Nós nem sabemos o porquê de sentirmos as boas vibrações a alimentar-nos a alma, mas saímos da cama a perceber que o dia vai ser render, mesmo quando os últimos dias têm sido cansativos e melancólicos.

Hoje foi um dia excecionalmente positivo. Não ganhei o euromilhões, não descobri a cura para uma doença, mas encontrei um ponto de inspiração que nem sabia que iria existir.

Há umas semanas que ando mais embaixo... Tenho publicado por aqui textos escritos há algum tempo, mas que sem querer acabam por revelar um bocadinho do peso que tenho sentido. Peso esse que vem apenas das minhas inseguranças, da minha falta de autovaliação positiva, da minha necessidade de me meter o mais na Terra possível para não me desiludir. 

O problema começa quando deixo de festejar as coisas boas que me vão acontecendo e me foco apenas nas que me fazem arrastar os pés na esperança que o destino se encarregue de construir o lugar a que quero chegar. E esqueço-me de que sou eu quem constrói o meu caminho. Melhor ou pior, mas faço-o.

E hoje foi o dia em que eu olhei à minha volta e percebi que algures em mim existe potencial, como há em qualquer pessoa, e que preciso de acreditar mais nisso. Hoje foi o dia em que eu olhei para alguém que admiro e reparei que é possível alcançar o sonho que estou a alimentar, e que tenho que me esforçar para conseguir fazer com que se torne realidade. Basicamente, descobri que um professor meu, para além de ter uma carreira bastante positiva nas ciências, escreve romances. Uma pequena motivação para a pequena criança que existe em mim.

Sabem? Hoje foi mesmo um dia bom, e espero que consiga levar esta positividade ao longo do semestre. Estou a precisar!

Muitos parabéns, avó!

Hoje a minha avó materna faz anos. Hoje mais do que nunca eu gostava de estar em casa, gostava de poder abraçá-la e dizer-lhe tudo o que merece ouvir.

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Desde sempre que oiço "és tal e qual a tua avózinha, que raio de mau feitio", sendo que a minha avó se desculpa sempre com o signo. Somos as duas escorpião e para ela isso é justificação suficiente para o facto de eu ser bastante parecida com ela.

Eu, por outro lado, gosto de justificar isso com os genes. Todas as mulheres da nossa família têm um feitio complicado, somos ótimas pessoas... Mas difíceis de aturar. Para além disso, antes de entrar para a escola passava muito tempo em casa da minha avó, enquanto os meus pais iam trabalhar. Portanto, é perfeitamente normal que eu tenha ganho manias dela, não é verdade?

A minha avó é uma das pessoas que mais admiro, porque apesar de ter vivido sempre do campo, gosta de saber, gosta de aprender, anda sempre informada e é uma mulher de armas. Sempre foi o braço direito do meu avô e apesar de eu ser quase igual a ela, falta-me a organização.

Liguem-lhe a perguntar em que sítio da horta tem um molho de coentros, que ela vai responder tão correto que só lhe vão faltar as coordenadas. E para fazer contas de cabeça não há melhor do que ela, confiem. 

Devo-lhe tudo, tal como o devo a qualquer elemento mais próximo da minha família. Apesar do mau feitio, de chocarmos imenso, de eu parecer mãe dela sempre que não concordo com alguma coisa, eu amo-a.

Muitos parabéns, avó!

Indiferença do Mundo

A indiferença que habita o mundo é algo que me incomoda de uma forma inexplicável. Tento ao máximo que me passe ao lado, que consiga viver a minha vida sem que me afete, mas não consigo.

Não são raros os dias em que vejo pessoas a ignorar situações em que deviam atuar e sei que, mesmo que faça por não questionar, os meus dias acabam por ser limitados por esses pequenos momentos. 

Lisboa, como eu tantas vezes digo, é um mundo à parte do meu, mesmo que seja um mundo a que eu me quero adaptar. É um mundo onde cada um luta com os seus próprios problemas e dificilmente se importa com a velhota que custa a carregar o saco das compras, com o cego que no metro vai contra a parede ou com a rapariga que vai a chorar de fones nos ouvidos.

Sabem o quanto tudo isso me assusta? Não é a primeira vez que falo aqui sobre isto, e acredito que não vai ser a última. Todas as semanas me deparo com algo novo, que me faz querer mudar o mundo, que me faz querer atuar, que me leva a pensar que integrar uma equipa que possa fazer algo, mesmo que mínimo, é uma boa ideia. 

Onde ficou a educação das pessoas? Onde ficou o bom senso? Onde fica tudo aquilo que o ser humano tem de bom? Expliquem-me, porque aos poucos estou a perder a esperança no ser humano.