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Em Busca de Um Sentido

Volto à confusão...

Sensação crescente de que escolher-me faz de mim alguém egoísta e amargo, quando na verdade tenho todo o direito de decidir o que quero ou não na minha vida.

Todas as escolhas me parecem ser feitas em momentos de impulsão, sem pensamento acerca dos assuntos, quando na verdade sou a pessoa que remói cada pedacinho de pensamento para ter a certeza de tudo.

Olho-me ao espelho e vejo várias de mim. Essa total desidentificação com algo concreto leva a que ande à deriva entre ideais, entre grupos e até entre hobbies. Não sou só cientista, mas também não sou só artista. Não sou só sentimental, mas também não sou só a durona. Não sou só a organizada, mas também não sou só a que se perde nas listas. Não sou só a que se maquilha, mas também não sou só a que anda de fato de treino.

A lista poderia continuar... Tudo isto para dizer que a minha pluraridade de reações e de identificações leva-me à confusão extrema por vezes. Aceito-me, mas não consigo descrever o que aceito. Apenas sei que sou e que gosto do que sou. E volto à confusão...

Eu pertenço a um mundo de diversidade!

Não gosto de rótulos. Não sei quando ou como me surgiu esta necessidade de afirmar que rótulos não é comigo, mas apareceu e não consigo fazer com que volte para o sítio de onde veio.

Noto que fico irritada sempre que alguém precisa de me dizer "isto não é o teu estilo", quando nem eu própria me consigo definir dentro de um padrão, seja em relação ao que for. Sou instável por natureza, com tudo o que possam imaginar.

Tudo o que sei acerca de mim, que não é muito, implica que eu não tenho preferências demasiado vincadas e acabo por oscilar entre coisas totalmente opostas sem que isso me incomode.

Gosto de me vestir de forma discreta e no dia seguinte ser mais ousada. Gosto de ter uma playlist em que encontro baladas, funk, rock e tantos outros estilos. Gosto de ver uma comédia romântica tanto quanto gosto de ficção científica. Até nos livros sou assim, uma vez que passo de José Saramago para livros de adolescentes com bastante facilidade e sem me fazer mossa alguma.

Gosto de ser livre para mudar a minha própria opinião tantas vezes quanto me apetecer, e se acontecer na mesma semana, qual é o problema? Eu sou feliz assim. Só não associem a coisas demasiado específicas, não me coloquem em caixas quando eu pertenço a um mundo de diversidade.

Para além disso, também não me levem demasiado a sério. É natural eu mudar - todos estamos em constante evolução e não existe mal nisso: faz parte de ser-se humano e de se estar sempre a aprender.

E quando eu disser que gosto de tudo, não me achem vira-casacas; fiquem felizes por conhecerem alguém que consegue retirar algo positivo de praticamente tudo - menos filmes de terror. Não mos apresentem, a menos que volte a mudar de ideias e tente apreciar algo que me assusta e me faz ter pesadelos. Afinal o objetivo deste texto é afirmar o quanto mudo de opinão, certo?