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Em Busca de Um Sentido

Volto à confusão...

Sensação crescente de que escolher-me faz de mim alguém egoísta e amargo, quando na verdade tenho todo o direito de decidir o que quero ou não na minha vida.

Todas as escolhas me parecem ser feitas em momentos de impulsão, sem pensamento acerca dos assuntos, quando na verdade sou a pessoa que remói cada pedacinho de pensamento para ter a certeza de tudo.

Olho-me ao espelho e vejo várias de mim. Essa total desidentificação com algo concreto leva a que ande à deriva entre ideais, entre grupos e até entre hobbies. Não sou só cientista, mas também não sou só artista. Não sou só sentimental, mas também não sou só a durona. Não sou só a organizada, mas também não sou só a que se perde nas listas. Não sou só a que se maquilha, mas também não sou só a que anda de fato de treino.

A lista poderia continuar... Tudo isto para dizer que a minha pluraridade de reações e de identificações leva-me à confusão extrema por vezes. Aceito-me, mas não consigo descrever o que aceito. Apenas sei que sou e que gosto do que sou. E volto à confusão...

Eu e o mundo...

Por vezes acordo com vontade de te escrever acerca do que nunca chegámos a viver, mas que planeámos até à exaustão. Todas as viagens, todos os restaurantes, todos os cantos e recantos de uma cidade que viu nascer um amor e também o viu ir...

No meio do turbilhão de emoções que me iam ocupando a mente, a adrenalina foi desvanescendo e ficou apenas um enorme carinho que se pode confundir com tantas outras coisas e que fui aceitando, como se nunca fosse merecer mais do que um amor calmo e sereno, tão sereno que se torna apenas o estar e não o ser.

De tanto te querer, deixei o momento passar e deixei com isso irem todas as coisas bonitas que um dia dissemos olhos nos olhos, que tanto sentido faziam e que hoje me apertam o coração. Não é que eu não o quisesse... Mas há mais para lá das cortinas que se fecham quando eu me foco apenas em criar uma fantasia do par perfeito e não consigo ver que às vezes as coisas não são para ser e que existem os meus próprios limites, que não quero ultrapassar.

Para além de ti, existo eu. Um dia que não estejas, vou estar eu. E se eu não estou serena, como podemos estar nós? Se eu não gosto do silêncio quando estou aqui, como posso gostar quando estás tu?

Nunca digo nunca, aprendi com os meus erros... Também deixei as despedidas para outro dia... Mas para hoje quero isto. Eu, as minhas letras salpicadas em folhas velhas, os meus livros que foram acumulando nas prateleiras e o mundo que vou descobrir sozinha, por agora.

Dias Cinzentos

Nem todos os dias têm que ser o dia mais feliz da tua vida. Há dias que não são felizes nem tristes. Depois há dias em que não queres sair na cama e tudo te parece fora de hipótese.

Depende de ti o dia para que pendes. Não há nada de errado em ter dias menos bons, dias cinzentos e sem graça... Estes também fazem falta para contrabalançar com o que há de bom e fazer com que voltes a ter os pés na Terra. A distinção entre fazer disto rotina ou ser algo pontual está na forma como tu os encaras.

Não é fácil ter força para sair mesmo quando não se tem vontade, muito menos se for para estar rodeada de barulho quando tudo o que precisas é de silêncio para ouvir tudo o que paira na tua mente e que está escondido enquanto vives a vida a 200 km/h. A diferença está em saber viver esses momentos para depois erguer a cabeça e seguir em frente e não em entrar no ciclo que é afundar-nos nos nossos próprios pensamentos, que nos vão tirar a vontade de respirar fundo e aproveitar o sol que entra através da janela.

Ser-se alguém por natureza negativo e remar contra a maré é um trabalho árduo, mas demasiado recompensador. Não há nada como a sensação de saber que há dois anos a minha maneira de pensar era completamente diferente. Por muito que fosse alguém que motivava os outros, era-me muito fácil desistir das minhas próprias vontades e deixar-me ficar sentada à sombra da bananeira. Ver que o facto de estar a esforçar-me para sair da minha zona de conforto me está a trazer frutos maravilhosos só me motiva a continuar atrás dos pequenos objetivos que vou encontrando e é a esse sentimento que me tento agarrar quando me persegue a vontade de procrastinar infinitamente.

Para que serve uma família?

Hoje acompanhei uma das minhas avós a fazer um exame que exigia que fosse acompanhada por alguém de confiança... Aproveitei que estava em casa esta semana e acabei por passar a manhã em que ela estava na cidade com ela.

Acompanhei-a até à enfermeira que a ia levar para a realização do exame e a senhora perguntou se eu era neta, respondeu-me que era muito bonito o que estava a fazer e deu-me os parabéns.

A questão é a seguinte: eu tenho consciência que a relação que a minha família tem entre si é bonita e tudo mais, mas faz sentido darem-nos os parabéns? Na minha cabeça não faz.

Uma família serve mesmo para se cuidar e amar e, devido a tudo o que já passei, cada vez mais digo que família é quem trata bem de nós e se preocupa incondicionalmente.

Percebi que a enfermeira não o disse com má intenção... O que me preocupa é pensar que se ela o disse é porque eu sou a exceção, e devia ser a regra. Os idosos deviam ser acompanhados no seu dia a dia, seja por netos, filhos, sobrinhos... Cuidaram de nós uma vida inteira e agora é a nossa vez de cuidar deles e de fazer com que se sintam protegidos e mimados...

Má gestão do tempo...

Vim a descobrir-me mais artística do que achei que seria e ao mesmo tempo que isso me dá uma força e magia diferente, a falta desse meu lado mais sensível às artes na minha rotina deixa-me melancólica.

O meu dia perfeito envolve um bocadinho de ciências (por alguma razão estudo numa faculdade de ciências), mas também tem que ter muito de música, livros, frases, pintura, fotografia, escrita... Mas os dias não têm todas as horas que eu gostaria que tivessem, pelo menos por agora, e acabo por deixar algumas coisas de parte.

Estou numa fase em que a universidade não me está a cativar tanto assim. Adoro aprender, e saber mais sobre todas as áreas que estudo, mas esta rotina de estudar tudo o que conseguir para depois ir despejar conhecimento num exame que dita o destino daquela cadeira, deixa-me nervosa e sem vontade de viver o que está para além disso. 

Sei que é um mal necessário para poder trabalhar na área que quero, para alcançar os objetivos que vou traçando para a minha vida, mas quando começa a interferir com a minha sanidade mental, preocupa-me. 

O pior é que está a interferir por falta de gestão de tempo. Eu ainda não consegui alcançar o equilíbrio entre tudo o que gosto de fazer, procastino imenso, durmo pouco e neste momento nem a alimentação está a ser a melhor. Depois o corpo sente-se e durmo doze horas de uma vez, troco os dias pelas noites e o ciclo de me sentir desmotivada mantém-se.

Não foi uma semana fácil. Mas está na hora de meter o ponto final neste ciclo de pouca vontade e poucos sorrisos. Está na altura de voltar a encontrar a paz que preciso para seguir com calma e força.