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Em Busca de Um Sentido

Dias Cinzentos

Nem todos os dias têm que ser o dia mais feliz da tua vida. Há dias que não são felizes nem tristes. Depois há dias em que não queres sair na cama e tudo te parece fora de hipótese.

Depende de ti o dia para que pendes. Não há nada de errado em ter dias menos bons, dias cinzentos e sem graça... Estes também fazem falta para contrabalançar com o que há de bom e fazer com que voltes a ter os pés na Terra. A distinção entre fazer disto rotina ou ser algo pontual está na forma como tu os encaras.

Não é fácil ter força para sair mesmo quando não se tem vontade, muito menos se for para estar rodeada de barulho quando tudo o que precisas é de silêncio para ouvir tudo o que paira na tua mente e que está escondido enquanto vives a vida a 200 km/h. A diferença está em saber viver esses momentos para depois erguer a cabeça e seguir em frente e não em entrar no ciclo que é afundar-nos nos nossos próprios pensamentos, que nos vão tirar a vontade de respirar fundo e aproveitar o sol que entra através da janela.

Ser-se alguém por natureza negativo e remar contra a maré é um trabalho árduo, mas demasiado recompensador. Não há nada como a sensação de saber que há dois anos a minha maneira de pensar era completamente diferente. Por muito que fosse alguém que motivava os outros, era-me muito fácil desistir das minhas próprias vontades e deixar-me ficar sentada à sombra da bananeira. Ver que o facto de estar a esforçar-me para sair da minha zona de conforto me está a trazer frutos maravilhosos só me motiva a continuar atrás dos pequenos objetivos que vou encontrando e é a esse sentimento que me tento agarrar quando me persegue a vontade de procrastinar infinitamente.

Sabes quem és?

O processo de conseguirmos abrir todas as gavetas que nos compoem é algo solitário, melancólico e até pode chegar a ser assustador. É mais fácil acomodarmo-nos ao óbvio, ao que é aceite por aí, ao que te dizem para ser. O caminho do "socialmente aceite" é este, aceita que dói menos, acham eles...

E depois vêm as frustrações, os medos de não se ser bom o suficiente, a necessidade de estarmos constantemente acompanhados e aquela parvoíce de querer agradar cada pessoa que faz parte do nosso círculo que achamos íntimo e na verdade é só um conjunto de pessoas vazias que te impelem a ser tudo aquilo que não és, sem que o vejas.

A dor continua a crescer, a ser infinitamente maior do que seria se simplesmente nos déssemos ao luxo de aproveitar os tempos mortos ao dar-lhes vida na procura da essência que nos faz sentir leves, o cheiro que nos leva para um mundo mais bonito, a música que nos faz querer cantar, as palavras que nos fazem corar, as cores que nos aquecem o coração, as atividadades que nos permitem ir dormir cansados mas aliviados... 

Um processo solitário, torna-se assustador apenas porque ainda não aprendemos a gostar de nós e da nossa companhia... Existe o Instagram, o Twitter e todas as redes sociais que crescem à velocidade da luz, fazendo-nos perder tempo, em vez de ganhá-lo... Podem ser uma das melhores coisas da nossa geração, mas apenas se usadas com responsabilidade. Tudo o que é usado de forma errada causa transtorno e instabilidade... Deixamos de viver as nossas vidas e de ser introspectivos... Deixamos de ser.

Sabes quem és? Descobre, acredito que seja algo lindo, só precisas de tentar, quando começares, não te vais cansar.

Má gestão do tempo...

Vim a descobrir-me mais artística do que achei que seria e ao mesmo tempo que isso me dá uma força e magia diferente, a falta desse meu lado mais sensível às artes na minha rotina deixa-me melancólica.

O meu dia perfeito envolve um bocadinho de ciências (por alguma razão estudo numa faculdade de ciências), mas também tem que ter muito de música, livros, frases, pintura, fotografia, escrita... Mas os dias não têm todas as horas que eu gostaria que tivessem, pelo menos por agora, e acabo por deixar algumas coisas de parte.

Estou numa fase em que a universidade não me está a cativar tanto assim. Adoro aprender, e saber mais sobre todas as áreas que estudo, mas esta rotina de estudar tudo o que conseguir para depois ir despejar conhecimento num exame que dita o destino daquela cadeira, deixa-me nervosa e sem vontade de viver o que está para além disso. 

Sei que é um mal necessário para poder trabalhar na área que quero, para alcançar os objetivos que vou traçando para a minha vida, mas quando começa a interferir com a minha sanidade mental, preocupa-me. 

O pior é que está a interferir por falta de gestão de tempo. Eu ainda não consegui alcançar o equilíbrio entre tudo o que gosto de fazer, procastino imenso, durmo pouco e neste momento nem a alimentação está a ser a melhor. Depois o corpo sente-se e durmo doze horas de uma vez, troco os dias pelas noites e o ciclo de me sentir desmotivada mantém-se.

Não foi uma semana fácil. Mas está na hora de meter o ponto final neste ciclo de pouca vontade e poucos sorrisos. Está na altura de voltar a encontrar a paz que preciso para seguir com calma e força.

Não quero ser um lápis azul...

Sou o meu lápis azul. Escrevo e rescrevo na procura constante de não ser direta demais... Na procura de não dizer tudo, porque isso é mostrar a essência do que construo na minha mente.

Sou o meu lápis azul quando não agarro nas ideias que me ocorrem, chegando ao ponto de censurar a sua exteriorização...

Sou o meu lápis azul quando não escrevo o que a inspiração me oferece e quando me imponho limites que não tenho que ter... O céu é o único limite, não é?

Não quero ser um lápis azul... Quero ser o céu, que tem a mesma cor mas me permite ter a liberdade de espírito que quero como característica minha... 

Quero ser o céu que me permite usar as asas dos meus sonhos e voar para onde me sentir mais feliz, mais eu e mais minha.

Quero ser tudo aquilo que me der liberdade de explorar o mundo e tudo aquilo que eu posso ser nele... Quero ser eu em todas as minhas dimensões e mostrá-las sem receios. Quero descobrir-me e ser plena nessa descoberta... Quero ser... Mas não um lápis azul.

Havia o mundo para descobrir...

Tinhas tudo para ser o amor de uma vida, mas algures no tempo o destino quis pregar-nos uma partida e isso não aconteceu...

Quis durante anos que todas as minhas inseguranças se desvanecessem, de forma a ter direito a uma história digna de uma comédia romântica... Só passado muito tempo entendi que a vida podia ser muito mais do que isso... Que havia o mundo para descobrir, tanto o exterior quanto o interior...

Infelizmente o teu amor não me era suficiente... Era como um abraço muito apertado. Apertado demais. Sufocante. Não me deixava respirar. Eu não conseguia olhar para além desse aperto, para além do horizonte que sem intenções me impunhas...

Havia a história que íamos construindo... Ou que tu construias e eu aceitava, confesso que tudo são memórias perdidas... Vamos viver juntos um dia. Eu sabia que não aconteceria. Não era falta de amor por ti, era falta de amor por mim. Como seria possível viver o que me davam, se eu nunca tinha sido capaz de agarrar o que tinha para mim? 

Por vezes acreditei que estava pré-destinada a fracassos amorosos... Tudo haveria de estar aquém das minhas expectativas... Sempre quis mudar tudo, para que ficasse à minha medida, à medida dos sonhos que escrevo em folhas soltas... Olha para mim, agora, a viver um amor com tudo o que tenho, passados tantos anos...

Em todos os sonhos e textos bonitos em que te inclui, estava uma pessoa a escrever que não era eu... Transformava-me em alguém que oscilava entre um estado de perdição de amor e um outro estado de raiva que desconhecia em mim. Num dia queria casar contigo e nunca mais te deixar, para que no dia seguinte te fechasse a porta na cara, após mais uma briga sem noção.

A ti só tenho que agradecer. Pelo bom, pelo menos bom e pelas marcas que deixaste. Marcas essas que me mostram aquilo que não quero para mim e aquilo que não quero ser para os outros. Contigo fui a pior versão de mim própria.  A versão que se odiava e que odiava o mundo. A culpa nunca foi tua... Aliás, ninguém teve culpa. Sabes disso, não sabes?

Crianças a querer viver amores de adultos são só amostras de sonhos que não se concretizam... Cada segundo foi uma aprendizagem e lidar com a falta que escolhi ter fez-me entender que tenho que estar sempre em primeiro lugar, seja em que situação for. Primeiro a minha sanidade mental. Primeiro o meu equilíbrio. Primeiro o meu sorriso. Primeiro tudo o que me faz sentir viva... E eu tinha-me esquecido.