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Em Busca de Um Sentido

Eu e o mundo...

Por vezes acordo com vontade de te escrever acerca do que nunca chegámos a viver, mas que planeámos até à exaustão. Todas as viagens, todos os restaurantes, todos os cantos e recantos de uma cidade que viu nascer um amor e também o viu ir...

No meio do turbilhão de emoções que me iam ocupando a mente, a adrenalina foi desvanescendo e ficou apenas um enorme carinho que se pode confundir com tantas outras coisas e que fui aceitando, como se nunca fosse merecer mais do que um amor calmo e sereno, tão sereno que se torna apenas o estar e não o ser.

De tanto te querer, deixei o momento passar e deixei com isso irem todas as coisas bonitas que um dia dissemos olhos nos olhos, que tanto sentido faziam e que hoje me apertam o coração. Não é que eu não o quisesse... Mas há mais para lá das cortinas que se fecham quando eu me foco apenas em criar uma fantasia do par perfeito e não consigo ver que às vezes as coisas não são para ser e que existem os meus próprios limites, que não quero ultrapassar.

Para além de ti, existo eu. Um dia que não estejas, vou estar eu. E se eu não estou serena, como podemos estar nós? Se eu não gosto do silêncio quando estou aqui, como posso gostar quando estás tu?

Nunca digo nunca, aprendi com os meus erros... Também deixei as despedidas para outro dia... Mas para hoje quero isto. Eu, as minhas letras salpicadas em folhas velhas, os meus livros que foram acumulando nas prateleiras e o mundo que vou descobrir sozinha, por agora.

Dias Cinzentos

Nem todos os dias têm que ser o dia mais feliz da tua vida. Há dias que não são felizes nem tristes. Depois há dias em que não queres sair na cama e tudo te parece fora de hipótese.

Depende de ti o dia para que pendes. Não há nada de errado em ter dias menos bons, dias cinzentos e sem graça... Estes também fazem falta para contrabalançar com o que há de bom e fazer com que voltes a ter os pés na Terra. A distinção entre fazer disto rotina ou ser algo pontual está na forma como tu os encaras.

Não é fácil ter força para sair mesmo quando não se tem vontade, muito menos se for para estar rodeada de barulho quando tudo o que precisas é de silêncio para ouvir tudo o que paira na tua mente e que está escondido enquanto vives a vida a 200 km/h. A diferença está em saber viver esses momentos para depois erguer a cabeça e seguir em frente e não em entrar no ciclo que é afundar-nos nos nossos próprios pensamentos, que nos vão tirar a vontade de respirar fundo e aproveitar o sol que entra através da janela.

Ser-se alguém por natureza negativo e remar contra a maré é um trabalho árduo, mas demasiado recompensador. Não há nada como a sensação de saber que há dois anos a minha maneira de pensar era completamente diferente. Por muito que fosse alguém que motivava os outros, era-me muito fácil desistir das minhas próprias vontades e deixar-me ficar sentada à sombra da bananeira. Ver que o facto de estar a esforçar-me para sair da minha zona de conforto me está a trazer frutos maravilhosos só me motiva a continuar atrás dos pequenos objetivos que vou encontrando e é a esse sentimento que me tento agarrar quando me persegue a vontade de procrastinar infinitamente.

Relações Tóxicas

Ontem ia no metro e presenciei uma discussão entre um casal. Não eram mais velhos do que eu, para ser sincera, fiquei com a sensação de que ainda estavam no secundário.

Iam a falar num tom normal, mas perfeitamente audível para quem estava ao redor. Enquanto ele ia a olhar para o telemóvel, para tentar disfarçar, ela agarrava-lhe num braço e dizia "olha para mim, estou a falar contigo, já te pedi desculpa, eu preciso de ti, já não gostas de mim?". Ao que ele respondia "gosto, mas não quero estar sempre a ser mal tratado, larga-me". E voltava a olhar para o telemóvel. E ela fingia que chorava enquanto repetia "mas eu preciso de ti, também me estás a tratar mal agora, mas eu perdoo-te, porque gosto de ti". Até que em algum momento ouvi "estás a deixar-me desconfortável".

O motivo da discussão não importa. O que importa é que eu já fui aquela rapariga, e não me orgulho disso. E também já tive um namorado que tratava com frieza os momentos em que eu me arrependia de ser assim. Tudo naquela relação estava errado, éramos tóxicos um para o outro. E assusta-me ver miúdas a traçar os meus passos. A terem relações tóxicas em que se atiram culpas um ao outro até que fazem as pazes e tudo se repete. De novo. E de novo.

Talvez elas nunca tenham a força de virar costas, porque só vi o quão mau tudo aquilo era para ambos, quanto já estava sem falar com ele e depois de muita tentativa de manter o contacto. Talvez nunca venham a entender que para além de gostarem de uma pessoa, tem que haver respeito, confiança e que uma relação é suposto dar-nos calma e não fazer de nós a nossa pior versão. 

Sabes quem és?

O processo de conseguirmos abrir todas as gavetas que nos compoem é algo solitário, melancólico e até pode chegar a ser assustador. É mais fácil acomodarmo-nos ao óbvio, ao que é aceite por aí, ao que te dizem para ser. O caminho do "socialmente aceite" é este, aceita que dói menos, acham eles...

E depois vêm as frustrações, os medos de não se ser bom o suficiente, a necessidade de estarmos constantemente acompanhados e aquela parvoíce de querer agradar cada pessoa que faz parte do nosso círculo que achamos íntimo e na verdade é só um conjunto de pessoas vazias que te impelem a ser tudo aquilo que não és, sem que o vejas.

A dor continua a crescer, a ser infinitamente maior do que seria se simplesmente nos déssemos ao luxo de aproveitar os tempos mortos ao dar-lhes vida na procura da essência que nos faz sentir leves, o cheiro que nos leva para um mundo mais bonito, a música que nos faz querer cantar, as palavras que nos fazem corar, as cores que nos aquecem o coração, as atividadades que nos permitem ir dormir cansados mas aliviados... 

Um processo solitário, torna-se assustador apenas porque ainda não aprendemos a gostar de nós e da nossa companhia... Existe o Instagram, o Twitter e todas as redes sociais que crescem à velocidade da luz, fazendo-nos perder tempo, em vez de ganhá-lo... Podem ser uma das melhores coisas da nossa geração, mas apenas se usadas com responsabilidade. Tudo o que é usado de forma errada causa transtorno e instabilidade... Deixamos de viver as nossas vidas e de ser introspectivos... Deixamos de ser.

Sabes quem és? Descobre, acredito que seja algo lindo, só precisas de tentar, quando começares, não te vais cansar.

Roma, eu sou assim...

Há uma semana estava a entrar num bar, em Roma, sem saber que ia passar a noite toda a falar com pessoas que possivelmente nunca mais vou ver, mas que me permitiram ver Roma para lá das filas de turistas apressados.

Estive em Roma três dias, com duas amigas, e na madrugada de sábado para domingo tivemos a oportunidade de ter dois italianos a mostrar-nos pontos históricos da cidade enquanto explicavam a sua história. 

Vimos imensos monumentos e os assuntos das conversas foram vários, desde a política dos nossos países, à religião, e até sobre as mulheres terem sido privadas de fazer parte do exército durante muito tempo.

Toda a minha estadia foi maravilhosa, embora andasse a dormir três ou quatro horas de cada vez... No entanto, para mim, o momento mais marcante foi quando olhei para as minhas amigas a atirar uma moeda para a Fonte de Trevi e decidi replicar o gesto.

Não sei explicar o que senti em concreto. Foi um misto de felicidade com orgulho e gratidão. E enquanto fechava os olhos e me foquei no desejo, emocionei-me com todos os sentimentos bons que se apoderaram de mim. Foi quando eu percebi onde estava e que fui eu que me permiti estar ali.

Pedi desculpa. E pelo meio uma delas olhou para mim e disse "Tatiana, tu és uma pessoa mais emocional do que a maioria, está na hora de aceitares. Não tem mal seres assim, até é querido". E aí, na minha cabeça soou "Sim, tenho que me aceitar. Eu sou assim."