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Em Busca de Um Sentido

Relações Tóxicas

Ontem ia no metro e presenciei uma discussão entre um casal. Não eram mais velhos do que eu, para ser sincera, fiquei com a sensação de que ainda estavam no secundário.

Iam a falar num tom normal, mas perfeitamente audível para quem estava ao redor. Enquanto ele ia a olhar para o telemóvel, para tentar disfarçar, ela agarrava-lhe num braço e dizia "olha para mim, estou a falar contigo, já te pedi desculpa, eu preciso de ti, já não gostas de mim?". Ao que ele respondia "gosto, mas não quero estar sempre a ser mal tratado, larga-me". E voltava a olhar para o telemóvel. E ela fingia que chorava enquanto repetia "mas eu preciso de ti, também me estás a tratar mal agora, mas eu perdoo-te, porque gosto de ti". Até que em algum momento ouvi "estás a deixar-me desconfortável".

O motivo da discussão não importa. O que importa é que eu já fui aquela rapariga, e não me orgulho disso. E também já tive um namorado que tratava com frieza os momentos em que eu me arrependia de ser assim. Tudo naquela relação estava errado, éramos tóxicos um para o outro. E assusta-me ver miúdas a traçar os meus passos. A terem relações tóxicas em que se atiram culpas um ao outro até que fazem as pazes e tudo se repete. De novo. E de novo.

Talvez elas nunca tenham a força de virar costas, porque só vi o quão mau tudo aquilo era para ambos, quanto já estava sem falar com ele e depois de muita tentativa de manter o contacto. Talvez nunca venham a entender que para além de gostarem de uma pessoa, tem que haver respeito, confiança e que uma relação é suposto dar-nos calma e não fazer de nós a nossa pior versão. 

Desabafos meus...

Sempre fui uma pessoa que escreve para outros. Não escrevo para agradar quem me lê, mas raramente escrevo sem destinatário, nem que o fim seja apenas criar aquilo que preciso ouvir.

Onde quer que vá surgem-me ideias e temas que captam a minha atenção e me fazem sentir próxima daquilo que sou e do que poderei vir a ser. Tenho uma mente hiperativa e a maior parte das vezes a minha ansiedade surge dessa atividade excessiva de análise a tudo o que vejo e acabo por absorver.

Considero-me distraída das coisas óbvias. A maior parte das vezes o que me é mais próximo é o que me passa ao lado. Como o prédio que foi pintado há dois meses e só agora me chamou a atenção, ou a janela que não fechava e de repente, após dias e dias a usá-la me apercebo e "desde quando isto funciona?". A minha atenção voa para outras coisas e geralmente envolve a criança que se ri na rua, o velhote que coxeia, o cão que corre aos saltos, o rosa das flores e daí parte para o meu futuro e para todos os significados que atribuo ao que observo.

Escrever sobre o que penso nessas alturas faz-me crescer e alimentar uma sensibilidade que é crescente e que nunca me abandona, mesmo quando quero parecer dura e menos criança... A verdade é que gosto de ver o mundo do castelo que construí e apenas agora estou a aprender a misturar-me ao que admiro e ao que me faz sentir leve...

Realmente tornei-me a melhor casa para se viver e isso enche-me o coração de sentimentos bons, mesmo que todos os meus dramas por vezes ameacem os alicerces, sei que sou firme.

Confia...

Por vezes, a autosuperação não tem a ver com conseguirmos atingir marcos grandes e visíveis nas nossas vidas. Por vezes, conseguirmo-nos olhar ao espelho e sentir orgulho do que somos, sem peso na consciência, sem "e se", sem todas essas pequeninas coisas que nos fazem ficar para trás já é uma grande evolução e por isso devemos sentir que nos estamos a superar e a melhorar.

Nem todos os dias são bons dias. Muito menos te posso garantir que a partir desse incrível momento, todas as vezes que o teu companheiro for o espelho te vais sentir incrível. É normal haver baixos no meio dos bons momentos e são esses que nos fazem crescer como pessoas. Mas, por outro lado, posso dar-te praticamente a certeza de que no dia em que conseguires encarar a vida como uma sequência de momentos que te faz ser cada vez mais e melhor vai ser bem mais fácil sair dos baixos.

Vão existir noites difíceis. Não te minto. Vão existir segundos em que vais querer jogar tudo ao chão e gritar "desisto", mas o mais importante é conseguires ter força para fechar os olhos, respirar fundo e acreditar que amanhã o sol vai brilhar e vais superar esse obstáculo. Eu sei que és capaz, e tu bem no fundo também o sabes. Confia. E sê feliz.

Livros de Colorir

Durante o ano passado descobri uma nova paixão: livros para colorir. 

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É claro que quando era criança me divertia durante horas a pintar com as minhas canetas de feltro... No entanto, não me recordo de ser uma atividade que me acalmasse e me mantivesse nesse estado durante algum tempo.

Andar com um livro de colorir de cada vez que mudo um bocadinho de sítio passou a ser algo necessário... Cheguei a correr lojas para comprar canetas novas, porque as que tinha eram velhas e tinham secado de estarem paradas há tanto tempo... Comecei, inclusivé, a receber cadernos destes como prendas, de tão grande que era o vício.

Na pausa do estudo, em vez de ler um livro, lá estou eu a dar cor a desenhos sem vida. É a minha forma de sentir que tenho um momento parada, sem estar necessariamente sossegada. Há quem brinque com a situação e me diga "acalma-me mais ver-te pintar do que ser eu a tentar não ultrapassar as linhas"... E eu sorrio... 

Sorrio porque é na tentativa de não sair das margens que descubro a minha mente vazia.

Dizem que são livros de mindfullness... Enganaram-se no meu caso. Mas ainda bem, porque o meu cérebro costuma ter inúmeras discussões a decorrer e ter descoberto algo que mantivesse o silêncio durante uns momentos é das melhores sensações do mundo.

Admiro...

Admiro quem tem capacidade para ter um post novo praticamente todos os dias no blog e que para além disso tem uma vida agitada por trás das letras e dos textos bem escritos e coerentes.

Admiro quem tem inspiração para pegar num dia que não teve nada de diferente e analisá-lo de uma forma tão perspicaz que daí surge a ideia inicial do que escreve e sonha.

Admiro pessoas reais, com vidas banais que sabem dar a volta por cima e fazer com que o banal vire especial em menos de um segundo.

Admiro tudo o que me faça sentir "um dia quero poder ser um bocadinho disto", porque tudo o que vou vendo, sentindo e aprendendo me deixa um bocadinho mais perto da pessoa que eu ambiciono ser.

Admiro quem tem força para se levantar todos os dias da cama com um sorriso na cara, mesmo que esteja a passar um mau bocado, ou simplesmente tenha dormido mal, porque eu sou incapaz disso.

Admiro quem me faz sentir calma e descontraída, porque eu tenho consciência da dificuldade que é manter-me serena por um longo período de tempo.

Já vos disse que vos admiro? Admiro-vos.