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Em Busca de Um Sentido

E de repente já passou um ano...

Setembro 16, 2018

Passou um ano desde aquele dia em que acordei a saber que nunca mais te ia poder abraçar, mesmo antes que alguém mo dissesse em voz alta. Aquele telefone a tocar foi o alarme e antes de ser atendido eu já sabia que tinha acontecido. O teu sofrimento tinha terminado e o meu tinha acabado de se tornar mais forte.

 

Tenho saudades tuas, sabes? A partir desse momento tornei-me outra pessoa, mais atenta e também mais medrosa... Mais solitária, mas também a querer viver mais... Porque um dia nós acordamos e o mundo pode ter mudado e eu não quero sentir o arrependimento que seria não aproveitar as oportunidades que me são entregues.

 

O meu mundo alterou-se nesse dia. Foi o dia em que a perda de alguém se tornou, pela primeira vez, real... Até aí eu achava que ia saber lidar, que são coisas que acontecem e que é mau, mas é o rumo de toda e qualquer pessoa.

 

Desde aí descobri o quanto sou realmente apegada à minha família e não há um dia em que não me lembre da peça essencial que és nela.

 

Cheguei a querer ir menos a casa. Tinha medo do que iria sentir de cada vez que entrasse e não te visse, de olhar para a avó e ver-lhe os olhos sempre molhados e as roupas pretas.

 

Com os dias a passarem entendi que isso não me iria fazer bem, que tinha que viver a tua perda como precisava e não fugir dela... A verdade é que em vez da distância me fazer bem, só tornava mais real o meu sentimento de revolta.

 

Hoje a tia foi embora, voltou para a Alemanha... Como exatamente há um ano. Mas desta vez custou um bocadinho menos, porque sinto mais a tua presença nas nossas personalidades e nas nossas vivências do que a tua perda. As saudades vão sempre ficar, já me habituei a elas, mas é tão maior toda a bagagem que nos ofereceste com as tuas histórias e a tua boa disposição...

 

Onde quer que estejas, espero que estejas bem e orgulhoso da tua família, porque eu sinto muito orgulho em dizer que o Sr. Ilídio era e é o meu avô.

Tenho saudades...

Março 15, 2018

Tenho saudades das tardes passadas sentada debaixo da mesa de trabalho do meu avô, num enorme plástico, enquanto brincava com os restos da cera que ele moldava. Tenho saudades do cheiro da cura das abelhas. Tenho saudades do cheiro das flores acabadas de florir.

 

E vou dizendo que tenho saudades, enquanto a lista de tarefas aumenta, eu cresço e o meu avô vai-se enchendo de cabelos brancos e cansaço próprio da idade.

 

Sou a primeira a dizer que é hora de parar, que a idade não perdoa e que tamanho trabalho não é para ele. Quero ao máximo preservar a sua saúde, uma vez que o medo que tenho de também o perder só vai crescendo.

 

Apesar disso, sei o quanto vou sentir falta de ouvir "fui às abelhas" e o quanto quero reservar um tempo para ir com ele - apesar do receio que tenho de ser picada. Então cada vez insisto menos na ideia dela virar as costas à sua paixão... Porque sei que é o que o faz feliz e que um dia talvez eu sinta a mesma paixão por algo e vou querer aproveitá-la até ao fim.

A minha família!

Janeiro 08, 2018

Há pessoas que sem saber se tornam a sorte da vida de outras. Aparecem, conquistam e tem para si um conjunto de corações que não roubaram, mas que são seus em segredo.

 

Há quem seja naturalmente iluminado... Há quem tenha uma luz gigante, e apesar da área que ilumina nem desconfia que o faz... Há quem alcance o carinho de meio mundo, sem notar... Há quem contagie quem está à sua volta com uma alegria maravilhosa...

 

Assim o é o meu pai. Pai que o é porque lhe ganhou o direito, porque abdicou da sua liberdade para dar um futuro a três crianças, porque tem os braços sempre abertos, mesmo sabendo as dificuldades que podem surgir. Pai que o é porque eu deixei que o fosse, mesmo que ao início lhe tenha negado o acesso ao meu pequeno coração.

 

Conquistou-me por inteiro sem grande esforço, e aos poucos fui-me entregando ao amor que me era dado por alguém que não tinha obrigação de o dar.

 

Atrás dele veio toda uma família, a minha família. Os meus avós, os meus tios, os meus primos. Mais uma vez, ninguém tinha a obrigação de me acolher, mas todos o fizeram e permitiram que eu invadisse um espaço que não deveria ser meu, mas que me foi oferecido com o maior carinho do mundo. Sou apaixonada por cada uma destas pessoas, e mais do que isso, sou imensamente grata por tudo o que me proporcionaram e continuam a proporcionar.

 

São a família que eu não tinha, mas que ganhei. São o exemplo do que é ser-se genuinamente bom.

 

Algures num momento de tristeza observavam-me abraçada à minha avó, a chorar a morte do meu avô, e ouviu-se "parece mesmo neta". Hoje dou a resposta que não fui capaz de dar na altura.

 

Não pareço, sou.

 

Adquiri o direito de me dizer neta, mesmo que os genes sejam outros. Tal como cada um deles me conquistou e permitiu que eu desse o que tenho de mais doce e puro: o meu amor de neta, sobrinha, prima... Filha.

 

Somos uma família e assim vamos permanecer, mesmo que estas palavras nos magoem. Porque família é quem cria, cuida e mima e não quem vira as costas à mínima dificuldade.

 

Somos a família que escolhemos e que surgiu através de um amor lindo que é o dos meus pais.

 

Amo-vos.

A minha Véspera de Natal

Dezembro 25, 2017

Entre risos, doces e calor humano encontrei o espírito natalício que tinha deixado algures entre idas ao hospital e tardes de estudo que me pareceram infinitas, mesmo que o conteúdo reflita tudo aquilo que quero na minha vida.

 

Tenho a minha família por perto, nem que seja no coração... Isto mesmo sabendo que a avó, por teimosia, quis passar a noite de Natal sozinha.

 

Este Natal tem um sabor agridoce, porque embora seja o primeiro que vou passsar depois de perder o meu avô paterno, estou a passá-lo em casa, e não no hospital com o meu outro avô.

 

De Menino Jesus, como dizem as minhas avós, só peço saúde e força para que consigamos continuar esta caminhada de cabeça erguida e mãos dadas. 

 

Este ano iniciamos uma nova tradição, que pretendo que se mantenha. Visto que já não há crianças pequenas entre nós, fizemos Amigo Secreto. Vai ser giro, uma vez que neste momento ainda não chegámos à meia noite, e portanto, não se fez a troca de prendas.

 

A noite começou com a recolha de telemóveis, pelo meu pai, para que pudessemos conviver sem a interferência de telecomunicações... Embora isto tenha durado menos de duas horas, foi o suficiente para que se criasse tema de conversa para a noite toda e para que começasse um filme que estamos a ver em conjunto na televisão.

 

Tudo isto serviu para que o meu coração ficasse bem quentinho... É bom ver que apesar de todas as diferenças existentes entre nós, somos uma família unida.

 

Espero que isto se mantenha durante longos anos, mesmo que o meu espírito natalício apareça quase fora de horas.

 

No final das contas sou uma sortuda e sou imensamente feliz por assim o ser.

 

***

 

Entregues e abertas as prendas, com direito a papel de embrulho espalhado por tudo quanto é canto, posso dizer-vos que sou uma criança feliz. Pela prenda que recebi? Não. Pelas risadas que demos em família com as imitações que fizemos uns dos outros, para mostrar quem seria o dono da prenda que se tinha na mão... Até o meu avô, mesmo cansado, teve forças para imitar alguém.

 

Foi um dos melhores Natais que tive, por isto mesmo... Pela família que somos, pelo amor que transborda o meu coração... 

 

Sou feliz, e vou dormir feliz. A vocês desejo-vos um dia de Natal repleto de coisas boas!

 

Que assim seja...

Dezembro 19, 2017

Encontro-me sentada em frente de um dos homens que me viu crescer. Posso até dizer que foi e é uma das pessoas que mais me ensinou e continua a ensinar o que é ser-se humano. Sem estudos, sem saber escrever ou ler, é das pessoas mais humildes e sensatas que eu conheço. 

 

Queria não estar aqui. Queria estar em frente à televisão, com uma mesa cheia de livros, perto do vinho e da aguardente que ele próprio faz. Tudo o que tenho neste momento é uma cama de hospital, e a mão dele para me confortar, enquanto diz piadas para que eu fique menos preocupada. 

 

Tem mais de oitenta anos, e nunca usufruiu da reforma que tanto merece. Em ar de brincadeira digo-lhe que estes dias são só umas férias das abelhas, que são a sua paixão. Tudo o que eu quero é que ele fique bem, que ele fale do que é preciso para curar as diversas doenças que esses bichinhos irritantes têm, que ele me explique que as abelhas são como nós, simplesmente não falam. 

 

Podemos vir a passar o Natal por aqui... Mas que assim seja, desde que o resto do ano que aí vem o passe em casa, saudável e capaz de me contar tantas vezes quando possa tudo aquilo que me conta desde que eu sou pequenina e que eu continuo a ouvir e a questionar como se fosse a primeira vez.

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