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Em Busca de Um Sentido

Tenho que te pedir que saias...

Entre folhas antigas escrevo-te de novo, como em tantos outros momentos. Escrevo-te como forma de me libertar das amarras que me autoimpus, no meio de uma descoberta interior que quero fazer, embora me prenda constantemente.

Longe dessas amarras sinto que posso ser por inteiro aquilo que me tenho impedido de ser sem perceber o que realmente estava a fazer.

A brisa vem, a brisa vai... E eu aqui sentada, entre pensamentos que sempre quis cortar, mas que hoje me permito agarrar e explorar, como forma de me conhecer para além do reflexo que vejo todos os dias ao acordar.

Quase sem ver, dei por mim no meio de mantas e lençóis que encharcaram com os mares que me corriam rosto abaixo... O mar ia e vinha, através de ondas que me estremeciam o corpo por inteiro e me afogavam aos poucos em pré-conceitos criados, com base em medos obscuros que muitas vezes me impediram de respirar.

E é por isso que hoje te escrevo... Porque a brisa que me levanta os cabelos está a limpar a alma que era receosa e aos poucos se torna segura nas suas imperfeições e que se abraça num gesto que conforta. Mesmo sem rumo definido, eu sei o que quero viver e tenho que te pedir que saias, aos poucos, para doer menos... Mas vai.

Dias Cinzentos

Nem todos os dias têm que ser o dia mais feliz da tua vida. Há dias que não são felizes nem tristes. Depois há dias em que não queres sair na cama e tudo te parece fora de hipótese.

Depende de ti o dia para que pendes. Não há nada de errado em ter dias menos bons, dias cinzentos e sem graça... Estes também fazem falta para contrabalançar com o que há de bom e fazer com que voltes a ter os pés na Terra. A distinção entre fazer disto rotina ou ser algo pontual está na forma como tu os encaras.

Não é fácil ter força para sair mesmo quando não se tem vontade, muito menos se for para estar rodeada de barulho quando tudo o que precisas é de silêncio para ouvir tudo o que paira na tua mente e que está escondido enquanto vives a vida a 200 km/h. A diferença está em saber viver esses momentos para depois erguer a cabeça e seguir em frente e não em entrar no ciclo que é afundar-nos nos nossos próprios pensamentos, que nos vão tirar a vontade de respirar fundo e aproveitar o sol que entra através da janela.

Ser-se alguém por natureza negativo e remar contra a maré é um trabalho árduo, mas demasiado recompensador. Não há nada como a sensação de saber que há dois anos a minha maneira de pensar era completamente diferente. Por muito que fosse alguém que motivava os outros, era-me muito fácil desistir das minhas próprias vontades e deixar-me ficar sentada à sombra da bananeira. Ver que o facto de estar a esforçar-me para sair da minha zona de conforto me está a trazer frutos maravilhosos só me motiva a continuar atrás dos pequenos objetivos que vou encontrando e é a esse sentimento que me tento agarrar quando me persegue a vontade de procrastinar infinitamente.

Má gestão do tempo...

Vim a descobrir-me mais artística do que achei que seria e ao mesmo tempo que isso me dá uma força e magia diferente, a falta desse meu lado mais sensível às artes na minha rotina deixa-me melancólica.

O meu dia perfeito envolve um bocadinho de ciências (por alguma razão estudo numa faculdade de ciências), mas também tem que ter muito de música, livros, frases, pintura, fotografia, escrita... Mas os dias não têm todas as horas que eu gostaria que tivessem, pelo menos por agora, e acabo por deixar algumas coisas de parte.

Estou numa fase em que a universidade não me está a cativar tanto assim. Adoro aprender, e saber mais sobre todas as áreas que estudo, mas esta rotina de estudar tudo o que conseguir para depois ir despejar conhecimento num exame que dita o destino daquela cadeira, deixa-me nervosa e sem vontade de viver o que está para além disso. 

Sei que é um mal necessário para poder trabalhar na área que quero, para alcançar os objetivos que vou traçando para a minha vida, mas quando começa a interferir com a minha sanidade mental, preocupa-me. 

O pior é que está a interferir por falta de gestão de tempo. Eu ainda não consegui alcançar o equilíbrio entre tudo o que gosto de fazer, procastino imenso, durmo pouco e neste momento nem a alimentação está a ser a melhor. Depois o corpo sente-se e durmo doze horas de uma vez, troco os dias pelas noites e o ciclo de me sentir desmotivada mantém-se.

Não foi uma semana fácil. Mas está na hora de meter o ponto final neste ciclo de pouca vontade e poucos sorrisos. Está na altura de voltar a encontrar a paz que preciso para seguir com calma e força.

Abraçar o imprevisível...

Há alturas em que precisamos que se faça um clique na nossa mente... Um clique daqueles que nos faz olhar para trás e pensar "isto esteve sempre à minha frente e eu simplesmente não vi".

A verdade é que eu sou uma control freak. Eu gosto de controlar tudo. Controlo a hora a que me levanto, o número de páginas que quero estudar, os dias em que quero ir a casa, as tarefas que têm que ser feitas naquele dia específico, os sítios por onde quero passear, a rota a percorrer de casa à faculdade, a forma como estruturo os meus apontamentos... Imaginem uma lista perto de infinita de coisas, garanto-vos que até isso eu vou querer controlar. Eu controlo tanto, que odeio que me façam surpresas, porque não sou eu que as planeio.

E o clique fez-se, assim, sem mais nem menos, a ver um vídeo aleatório na internet enquanto faço uns exercícios. E de repente o meu cérebro focou-se no que eu estava a ouvir para evitar sentir-me sozinha. E eu percebi... A minha mania de querer controlar tudo, inclusivamente a forma como as pessoas agem perante mim, faz-me ser extremamente ansiosa. Não é novidade que tenho ansiedade, mas ando à procura de gatilhos dessa ansiedade e quando acho que os encontro, percebo que não é bem assim e que está ali mais qualquer coisa...

O motivo principal de me sentir assim é não abraçar o imprevisível. Eu quero planear cada segundo da minha vida, e sempre que não consigo cumprir as minhas expectativas, que são quase sempre bastante elevadas, sinto-me ansiosa, triste, incapaz...

Sim, algumas coisas têm mesmo que ser planeadas, não vamos virar todos uns desleixados, mas não controlamos o mundo e muito menos o tempo... Acho que o objetivo é darmos o nosso melhor e esperar o que a vida nos devolve, que a maior parte das vezes é maravilhoso... 

Assim sendo, acabei de encontrar uma meta para este ano e muito provavelmente uma luta para travar o resto da minha vida: não querer controlar tudo o que me rodeia e aproveitar o imprevisível.

Estou a gostar de mim...

Escrevo-te para te dizer que vejo a força e o peso que as palavras têm no teu pequeno coração... Vejo a forma como a cor dos teus olhos altera dependendo do teu estado de humor, um bocadinho como aqueles anéis que usávamos quando éramos crianças... Apesar disso, não digas que é o fim, que vais virar costas e desistir daquilo que te faz feliz, porque eu vejo pela água que te enche o olhar que não é isso que queres... 

Sabes que às vezes sou desantenta, nunca o neguei, e hoje, mais do que nunca, não tenho medo de me caracterizar assim... O mundo tem tanta coisa bonita que acabo por me perder ao tentar cumprir as partes chatas enquanto me alimento do mais bonito... E no meio de tudo ando numa dança que me alimenta a alma e me faz ser cada vez mais aquilo que está nos confins do meu ser... Entre livros de Física e músicas lamechas... Entre artigos para ler e fotografias para editar... E até entre páginas rasgadas com tudo aquilo que queria ter dito e calei, com medo da censura...

Mas decidi que hoje não é um desses dias em que me calo. Hoje é o dia em que te olho nos olhos e digo: "Tu és forte, inspira, expira e vai à luta".... E no espelho vejo a tua versão mais bonita e mais radiante. No espelho vejo-te, como nunca me vi... Livre das amarras a que te prendias e a correr atrás de tudo aquilo que sabes que pode ser teu... Corre, mas não te percas, estou a gostar de ti.

Estou a gostar de mim...