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Em Busca de Um Sentido

Má gestão do tempo...

Janeiro 18, 2019

Vim a descobrir-me mais artística do que achei que seria e ao mesmo tempo que isso me dá uma força e magia diferente, a falta desse meu lado mais sensível às artes na minha rotina deixa-me melancólica.

 

O meu dia perfeito envolve um bocadinho de ciências (por alguma razão estudo numa faculdade de ciências), mas também tem que ter muito de música, livros, frases, pintura, fotografia, escrita... Mas os dias não têm todas as horas que eu gostaria que tivessem, pelo menos por agora, e acabo por deixar algumas coisas de parte.

 

Estou numa fase em que a universidade não me está a cativar tanto assim. Adoro aprender, e saber mais sobre todas as áreas que estudo, mas esta rotina de estudar tudo o que conseguir para depois ir despejar conhecimento num exame que dita o destino daquela cadeira, deixa-me nervosa e sem vontade de viver o que está para além disso. 

 

Sei que é um mal necessário para poder trabalhar na área que quero, para alcançar os objetivos que vou traçando para a minha vida, mas quando começa a interferir com a minha sanidade mental, preocupa-me. 

 

O pior é que está a interferir por falta de gestão de tempo. Eu ainda não consegui alcançar o equilíbrio entre tudo o que gosto de fazer, procastino imenso, durmo pouco e neste momento nem a alimentação está a ser a melhor. Depois o corpo sente-se e durmo doze horas de uma vez, troco os dias pelas noites e o ciclo de me sentir desmotivada mantém-se.

 

Não foi uma semana fácil. Mas está na hora de meter o ponto final neste ciclo de pouca vontade e poucos sorrisos. Está na altura de voltar a encontrar a paz que preciso para seguir com calma e força.

Abraçar o imprevisível...

Janeiro 05, 2019

Há alturas em que precisamos que se faça um clique na nossa mente... Um clique daqueles que nos faz olhar para trás e pensar "isto esteve sempre à minha frente e eu simplesmente não vi".

 

A verdade é que eu sou a uma control freak. Eu gosto de controlar tudo. Controlo a hora a que me levanto, o número de páginas que quero estudar, os dias em que quero ir a casa, as tarefas que têm que ser feitas naquele dia específico, os sítios por onde quero passear, a rota a percorrer de casa à faculdade, a forma como estruturo os meus apontamentos... Imaginem uma lista perto de infinita de coisas, garanto-vos que até isso eu vou querer controlar. Eu controlo tanto, que odeio que me façam surpresas, porque não sou eu que as planeio.

 

E o clique fez-se, assim, sem mais nem menos, a ver um vídeo aleatório na internet enquanto faço uns exercícios. E de repente o meu cérebro focou-se no que eu estava a ouvir para evitar sentir-me sozinha. E eu percebi... A minha mania de querer controlar tudo, inclusivamente a forma como as pessoas agem perante mim, faz-me ser extremamente ansiosa. Não é novidade que tenho ansiedade, mas ando à procura de gatilhos dessa ansiedade e quando acho que os encontro, percebo que não é bem assim e que está ali mais qualquer coisa...

 

O motivo principal de me sentir assim é não abraçar o imprevisível. Eu quero planear cada segundo da minha vida, e sempre que não consigo cumprir as minhas expectativas, que são quase sempre bastante elevadas, sinto-me ansiosa, triste, incapaz...

 

Sim, algumas coisas têm mesmo que ser planeadas, não vamos virar todos uns desleixados, mas não controlamos o mundo e muito menos o tempo... Acho que o objetivo é darmos o nosso melhor e esperar o que a vida nos devolve, que a maior parte das vezes é maravilhoso... 

 

Assim sendo, acabei de encontrar uma meta para este ano e muito provavelmente uma luta para travar o resto da minha vida: não querer controlar tudo o que me rodeia e aproveitar o imprevisível.

Estou a gostar de mim...

Novembro 05, 2018

Escrevo-te para te dizer que vejo a força e o peso que as palavras têm no teu pequeno coração... Vejo a forma como a cor dos teus olhos altera dependendo do teu estado de humor, um bocadinho como aqueles anéis que usávamos quando éramos crianças... Apesar disso, não digas que é o fim, que vais virar costas e desistir daquilo que te faz feliz, porque eu vejo pela água que te enche o olhar que não é isso que queres... 

 

Sabes que às vezes sou desantenta, nunca o neguei, e hoje, mais do que nunca, não tenho medo de me caracterizar assim... O mundo tem tanta coisa bonita que acabo por me perder ao tentar cumprir as partes chatas enquanto me alimento do mais bonito... E no meio de tudo ando numa dança que me alimenta a alma e me faz ser cada vez mais aquilo que está nos confins do meu ser... Entre livros de Física e músicas lamechas... Entre artigos para ler e fotografias para editar... E até entre páginas rasgadas com tudo aquilo que queria ter dito e calei, com medo da censura...

 

Mas decidi que hoje não é um desses dias em que me calo. Hoje é o dia em que te olho nos olhos e digo: "Tu és forte, inspira, expira e vai à luta".... E no espelho vejo a tua versão mais bonita e mais radiante. No espelho vejo-te, como nunca me vi... Livre das amarras a que te prendias e a correr atrás de tudo aquilo que sabes que pode ser teu... Corre, mas não te percas, estou a gostar de ti.

 

Estou a gostar de mim...

Desabafos meus...

Setembro 17, 2018

Sempre fui uma pessoa que escreve para outros. Não escrevo para agradar quem me lê, mas raramente escrevo sem destinatário, nem que o fim seja apenas criar aquilo que preciso ouvir.

 

Onde quer que vá surgem-me ideias e temas que captam a minha atenção e me fazem sentir próxima daquilo que sou e do que poderei vir a ser. Tenho uma mente hiperativa e a maior parte das vezes a minha ansiedade surge dessa atividade excessiva de análise a tudo o que vejo e acabo por absorver.

 

Considero-me distraída das coisas óbvias. A maior parte das vezes o que me é mais próximo é o que me passa ao lado. Como o prédio que foi pintado há dois meses e só agora me chamou a atenção, ou a janela que não fechava e de repente, após dias e dias a usá-la me apercebo e "desde quando isto funciona?". A minha atenção voa para outras coisas e geralmente envolve a criança que se ri na rua, o velhote que coxeia, o cão que corre aos saltos, o rosa das flores e daí parte para o meu futuro e para todos os significados que atribuo ao que observo.

 

Escrever sobre o que penso nessas alturas faz-me crescer e alimentar uma sensibilidade que é crescente e que nunca me abandona, mesmo quando quero parecer dura e menos criança... A verdade é que gosto de ver o mundo do castelo que construí e apenas agora estou a aprender a misturar-me ao que admiro e ao que me faz sentir leve...

 

Realmente tornei-me a melhor casa para se viver e isso enche-me o coração de sentimentos bons, mesmo que todos os meus dramas por vezes ameacem os alicerces, sei que sou firme.

"Desculpa" como reflexo...

Julho 19, 2018

Sou uma dessas pessoas que pedem desculpa umas vinte vezes no dia. Para mim é efetivamente um reflexo, algo que eu só percebo que disse depois de dizê-lo. Peço desculpa por falar alto, por rir compulsivamente, por sentir demais, por ser sensível em alturas em que devia ser forte, por tropeçar, por andar devagar... Basicamente, eu peço desculpa por cada detalhe que penso que pode incomodar as pessoas com quem estou a interagir. É como se sentisse que lhes estou a faltar ao respeito, e por "educação" devo pedir que me desculpem. Chego até a iniciar frases com "desculpa, mas...".

 

E sim, eu sei que há situações em que se deve utilizar essa expressão, mas não devia ser apenas quando efetivamente fizemos algo de errado e nos arrependemos disso? Por ser uma expressão usada tão frequentemente não lhe estamos a tirar os sentimentos que lhe deveriam estar associados?

 

Apenas recentemente me apercebi de como me culpabilizo constantemente por coisas mínimas e o quanto isso pode afetar a forma como vivo a minha vida... A verdade é que se eu mudasse certas características minhas, pelas quais me desculpo, eu deixava de ser a pessoa que sou e isso não é algo que eu queira.

 

A necessidade de estar sempre a agradar quem me rodeia causa-me uma ansiedade enorme e o peso com que vou vivendo para não sair da linha é complicado de gerir...

 

Assim sendo, deixo-vos o vídeo que me levou a escrever este post e que me fez entender que não tenho que ter medo de ser quem sou e que se usar outras palavras continuo a ser educada e não me estou a culpar.

 

 

Estou num percurso de auto-conhecimento em o processo de substituir palavras que me fazem mal tem-me levado por um bom caminho e descobrir este tipo de conteúdo é refrescante.

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