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Em Busca de Um Sentido

20? Já?

Os últimos dias têm sido uma mistura de nostalgia com felicidade, com poucas horas de sono, mas com tudo feito a tempo e horas.

Quando fiz dezoito anos pouca foi a mudança que senti. Continuava na casa dos meus pais, com o mesmo namorado de sempre, com o grupo de amigos de sempre, a matar-me a estudar para ser médica. Parece que foi tudo noutra vida. Por vezes chego a sentir que nesse momento eu era uma mera espetadora da minha vida e que não vivia realmente tudo o que era suposto.

Faço 20 anos, hoje. E por alguma razão apetece-me comemorar, viver, aproveitar cada segundo. No entanto, começo a sentir o peso que é dizer "tenho 20 anos". Não soa estranho? Quando foi que o tempo passou, que eu não dei por isso?

Sem ser quando era criança, nunca vi o meu aniversário como o meu dia, apenas gostava deste dia porque significava que ia conseguir juntar todas as pessoas que realmente importavam na minha vida. 

Hoje olho para trás e vejo o quanto a minha vida mudou em dois anos, e com ela mudei eu. De repente vi-me a morar em Lisboa, e a única coisa que me prende ao Alentejo é a minha família. Como por magia a menina que cresceu a querer ser médica percebeu que giro, giro era ser engenheira na área e poder ter saúde, matemática e física para o resto da vida.

E assim, sem mais nem menos eu sinto-me uma adulta, a viver realmente a minha vida, a tomar decisões importantes... Mas acima de tudo a aproveitar o que o mundo tem para me oferecer, e com um círculo completamente novo de pessoas à minha volta, pessoas essas que me entendem, que me apoiam e que se mantêm aqui, mesmo naqueles dias em que todo o meu mau feitio surge.

Para essas pessoas, um enorme obrigada. Hoje é o nosso dia, porque tudo o que sou, devo-o um bocadinho a vocês!

Muitos parabéns, avó!

Hoje a minha avó materna faz anos. Hoje mais do que nunca eu gostava de estar em casa, gostava de poder abraçá-la e dizer-lhe tudo o que merece ouvir.

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Desde sempre que oiço "és tal e qual a tua avózinha, que raio de mau feitio", sendo que a minha avó se desculpa sempre com o signo. Somos as duas escorpião e para ela isso é justificação suficiente para o facto de eu ser bastante parecida com ela.

Eu, por outro lado, gosto de justificar isso com os genes. Todas as mulheres da nossa família têm um feitio complicado, somos ótimas pessoas... Mas difíceis de aturar. Para além disso, antes de entrar para a escola passava muito tempo em casa da minha avó, enquanto os meus pais iam trabalhar. Portanto, é perfeitamente normal que eu tenha ganho manias dela, não é verdade?

A minha avó é uma das pessoas que mais admiro, porque apesar de ter vivido sempre do campo, gosta de saber, gosta de aprender, anda sempre informada e é uma mulher de armas. Sempre foi o braço direito do meu avô e apesar de eu ser quase igual a ela, falta-me a organização.

Liguem-lhe a perguntar em que sítio da horta tem um molho de coentros, que ela vai responder tão correto que só lhe vão faltar as coordenadas. E para fazer contas de cabeça não há melhor do que ela, confiem. 

Devo-lhe tudo, tal como o devo a qualquer elemento mais próximo da minha família. Apesar do mau feitio, de chocarmos imenso, de eu parecer mãe dela sempre que não concordo com alguma coisa, eu amo-a.

Muitos parabéns, avó!