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Em Busca de Um Sentido

E de repente já passou um ano...

Passou um ano desde aquele dia em que acordei a saber que nunca mais te ia poder abraçar, mesmo antes que alguém mo dissesse em voz alta. Aquele telefone a tocar foi o alarme e antes de ser atendido eu já sabia que tinha acontecido. O teu sofrimento tinha terminado e o meu tinha acabado de se tornar mais forte.

Tenho saudades tuas, sabes? A partir desse momento tornei-me outra pessoa, mais atenta e também mais medrosa... Mais solitária, mas também a querer viver mais... Porque um dia nós acordamos e o mundo pode ter mudado e eu não quero sentir o arrependimento que seria não aproveitar as oportunidades que me são entregues.

O meu mundo alterou-se nesse dia. Foi o dia em que a perda de alguém se tornou, pela primeira vez, real... Até aí eu achava que ia saber lidar, que são coisas que acontecem e que é mau, mas é o rumo de toda e qualquer pessoa.

Desde aí descobri o quanto sou realmente apegada à minha família e não há um dia em que não me lembre da peça essencial que és nela.

Cheguei a querer ir menos a casa. Tinha medo do que iria sentir de cada vez que entrasse e não te visse, de olhar para a avó e ver-lhe os olhos sempre molhados e as roupas pretas.

Com os dias a passarem entendi que isso não me iria fazer bem, que tinha que viver a tua perda como precisava e não fugir dela... A verdade é que em vez da distância me fazer bem, só tornava mais real o meu sentimento de revolta.

Hoje a tia foi embora, voltou para a Alemanha... Como exatamente há um ano. Mas desta vez custou um bocadinho menos, porque sinto mais a tua presença nas nossas personalidades e nas nossas vivências do que a tua perda. As saudades vão sempre ficar, já me habituei a elas, mas é tão maior toda a bagagem que nos ofereceste com as tuas histórias e a tua boa disposição...

Onde quer que estejas, espero que estejas bem e orgulhoso da tua família, porque eu sinto muito orgulho em dizer que o Sr. Ilídio era e é o meu avô.

Páscoa na Alemanha

Encontro-me sentada no sofá de uma casa que não é a minha, mas que adoro como se fosse. Num país que não é o meu, rodeada das pessoas que são a minha família e que me receberam de braços abertos desde o primeiro segundo, para uma Páscoa que já passou.

Sempre achei que este dia estava bastante distante. Não imaginei que iria chegar tão depressa, mas ainda bem que chegou, porque as saudades transbordavam no meu pequenino coração... Muita gente não consegue perceber o apego que tenho à minha família, mas eu amo-os com toda a força que tenho e por mim tinha-os sempre por perto.

Passei os últimos dias na Alemanha, rodeada de amor, risos e calor. Conheci o meu primo mais novo, que tem um ano e pouco, nascido já aqui, filho de um primo meu e foi maravilhoso.

Até o S. Pedro ajudou, visto que nos deu ótimos dias para passear e aproveitar o que queríamos visitar.

Tudo me pareceu surreal, um sonho a ser realizado. Apesar de ter consciência de que estava fora do meu país, senti-me tão segura que custou-me a acreditar que realmente tinha apanhado aquele avião... Foi a primeira viagem que fiz de avião e vim com os meus irmãos.

Hoje é o meu último dia por aqui e já me está a chegar a nostalgia, por saber que falta um tempinho para voltar a ver os meus tios e os meus primos... Custa-me ir embora e deixá-los aqui, mas a vida é assim e sei que aqui estão melhor.

Fica a promessa de voltar assim que consiga, e o fascínio por um país que embora seja desenvolvido tem uma aparência rústica e natural.