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Em Busca de Um Sentido

21
Ago17

Sozinha em Lisboa

Tatiana

Há um ano mudei-me para a Grande Lisboa, para passar lá o ano letivo. Cheguei com a intenção de estar lá pelo menos três anos (o tempo do curso que frequentava) e talvez ir embora para mestrado. Atualmente, estou à espera de mudar para um mestrado integrado este ano, o que significa pelo menos mais 5 anos na confusão de Lisboa. E sim, sei que disse que não ia mudar de curso, mas não estava feliz com a minha decisão. Será que estou doente?

 

Ao início tudo na mudança foi maravilhoso. O fascínio assombrava-me de tal forma que cheguei a achar que ia ser canja. Não podia ser assim tão difícil, era só uma cidade e eu ia conseguir lidar com isso. Em cada canto eu arranjava uma razão para amar Lisboa e hoje, passado praticamente um ano eu entendo que isso foi a proteção que eu arranjei. Eu saí de casa com um medo imenso, com vontade de chorar, estava convencida que passado um mês eu ia querer desistir.

 

Aos poucos entendi que Lisboa é mais que uma cidade. Não é de todo o mar de rosas que esperei... É o barulho, o cheiro, o clima, as pessoas, a correria, os sem-abrigo, os turistas, o contraste em tudo. No entanto, existem todas as oportunidades de atuar no mundo, de crescer, de aprender, de ser cada vez melhor. E hoje consigo ter a noção que dificilmente vou construir a minha vida no Alentejo.

 

O que mais me custou na adaptação foi o facto de estar a lidar com pessoas completamente diferentes das que estava habituada. Parece que todos são indiferentes ao que os rodeia, há toda uma insensibilidade que eu ainda não consegui aceitar. Perdi o "desculpe" sempre que levo um encontrão na rua, o sorriso sempre que sem querer olho nos olhos de alguém, a palavra que recebia daquela velhota sempre que ia no autocarro sozinha.

 

Acabei por, muitas vezes, me sentir sozinha dias seguidos, mesmo que estivesse rodeada de pessoas. Aquilo fazia-me pensar que caso acontecesse alguma coisa ali, no meio da rua, ninguém ia olhar sequer, porque não se pode chegar tarde ao trabalho, porque os filhos estão à espera no colégio, porque é uma miúda a querer atenção, porque simplesmente não querem saber. E isso chegou a acontecer-me... Um dia torci o pé nas escadas da estação do metro, mal andava, várias pessoas viram que eu estava realmente aflita, mas nem uma parou para me perguntar se eu precisava de alguma coisa.

 

O que eu achei que ia ser fácil tornou-se assustador, porque eu era uma miúda de 19 anos a viver na capital, completamente sozinha.

 

Apesar disto tudo, o balanço do ano é positivo, visto que tive a certeza que eu quero estudar o resto da minha vida. Para além disso, posso dizer-me apaixonada por Lisboa e sinceramente, já tenho saudades. Para aproveitar a cidade, basta tentar esquecer um bocadinho as partes más, tentar agarrar com toda a força que der as coisas positivas e deixar o tempo passar.

 

Hoje posso dizer que estou super feliz com a mudança. Sinto que estou no lugar certo, rodeadas das pessoas certas e estou a viver o meu maior sonho. Quem não gosta de se sentir assim? Eu definitivamente gosto.

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