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Em Busca de Um Sentido

30
Set16

Fé e Proteção

Tatiana

Nunca fui de superstições. Nunca fui de acreditar em orações. Acho que sempre quis ser diferente dos outros e isso notou-se desde cedo na forma como eu ajo perante as minhas crenças, sempre questionei tudo.

 

O meu "início" de percurso escolar foi feito num meio religioso, inicialmente na pré-escolar, em que a minha educadora era freira, e depois na primária, que era uma escola privada católica. Apesar de não acreditar muito nos santinhos a quem rezavam, eu fui crescendo a aprender as orações e ia regularmente à missa. Quando passei para a escola pública deixei de ir, já não era obrigatório, mas tinha EMRC (Educação Moral Religiosa Católica). Com o tempo deixei de frequentar as aulas. Não conseguia ouvir falar em Deus num segundo e no outro das viagens que eram feitas a Itália e no quanto era importante gastarmos esse dinheiro porque nos fazia crescer, mesmo a quem não pudesse gastá-lo.

 

Esta conversa toda para chegar ao ponto de dizer que apesar de não me assumir como pertencente a uma dada religião, eu tenho fé. Tenho muita fé. Em Deus? Não sei. Chamem-lhe o que quiserem, mas com post que eu li no blog do Solitário, acabei por perceber que não sou a única a ter fé sem seguir uma religião, mas que acredita que existe algo. Gosto de sentir que estou protegida em cada momento.

 

Como já disse várias vezes por aqui, desde criança que sofro de ansiedade, para muitos não tem importância, mas para mim tornou-se algo relativamente grave porque eu criava vários medos e deixava de dormir. Sentia-me muito cansada, mas não dormia. Não conseguia. Só se fosse agarrada a um dos meus pais. A minha mãe ao perceber isso ensinou-me a oração de que o Solitário fala no post dele. 

 

"Meu anjo da guarda, minha doce companhia, guardai a minha alma de noite e de dia."

 

Todos os dias, desde que sei essa oração, em algum momento eu digo essa oração mentalmente. Conforta-me o coração. Faz-me sentir que em todos os segundos eu estou protegida. Nunca precisei de mais do que isso.

 

No entanto, uns dias antes de vir para Lisboa tinha dito à minha irmã que queria comprar duas pulseiras. Ela ia usar uma e eu outra, para nunca nos esquecermos que mesmo longe estamos sempre perto uma da outra.

 

Ela, muito despachada, disse-me para eu não me preocupar. Não pensei mais nisso.

 

Na véspera do dia em que era suposto mudar-me a conversa voltou. Ela ia fazer as pulseiras. Ficaram lindas. São daquelas atadas ao pulso, só sai se for cortada.

 

Neste momento, sempre que me sinto aflita, sempre que tenho saudades agarro na pulseira. Sei que não estou sozinha, que estou protegida. Sei que vou ter sempre alguém que se preocupa comigo. Ela é uma dessas pessoas. Tão pequenina, com os seus 13 aninhos, muito senhora do seu nariz, anda sempre preocupada comigo, manda-me mensagens para eu não me sentir sozinha e quer saber tudinho.

 

"Não fiques triste, eu gosto muito de ti, daqui a uns dias já nos vemos."

 

O amor também protege. Este amor faz-me ter fé, e o meu novo amuleto da sorte também.

 

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