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Em Busca de Um Sentido

16
Nov15

Em homenagem a um menino especial...

Tatiana
Hoje, por alguma razão em especial, houve um momento que me ficou marcado. 

Estava muito bem na biblioteca quando um rapazito se meteu com o grupo de raparigas em que eu estava. A conversa vai evoluindo até que ele pergunta, muito sério:
"Vocês acham que eu sou deficiente?"
 
Este tal rapaz tem uma doença neurológica que afeta o sistema motor, coisa que eu desconhecia, até hoje.

Desde que entrei na escola que me apercebi que era realmente um miúdo diferente dos outros e talvez por preconceito nunca me tentei aproximar muito. No entanto, apesar de a maioria ter tendência para se afastar por não saber lidar com a situação, há os maldosos que se aproveitam para ter alguém com quem gozar. Uma das formas de fazer pouco do rapaz é chamá-lo de deficiente.

Nós, apesar de um bocadinho chocadas com a pergunta, respondemos-lhe que não. Ele ao perceber que nós não estávamos a gozar e que não nos incomodava a presença dele acabou a contar que doença tinha e que era algo muito raro, chegando a mencionar alguns hospitais em que já esteve internado.

Nós deixámos o tema de conversa "fugir" e acabámos a conversar da universidade. Quando chegou a minha vez de falar disse, como quase sempre, que gostava muito de ser investigadora. O rapaz, com um sorriso enorme nos lábios, responde-me "tu podias investigar a minha doença". Automaticamente, arrepiei-me. Geralmente, sou meio insensível, mas a verdade é que a conversa com este miúdo me tocou.

Este momento foi muito especial, sem dúvida, porque o rapaz falou de uma forma tão genuína connosco, via-se que estava a gostar de estar ali, que se sentia aceite e eu perto dele senti-me minúscula.
 
Tudo isto para dizer que a nossa sociedade ainda é realmente muito preconceituosa, não aceita a diferença, mas também não se esforça para tal. Penso que esteja na altura de tentar alterar isto, porque ninguém tem culpa de como é, cada um é especial da sua maneira e cabe-nos a nós, que iremos ser o dito "futuro da sociedade" mudar a visão negativa que todos têm em relação à diferença, lutando para que todos se sintam integrados. 
 

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