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Em Busca de Um Sentido

30
Set16

Ansiedade

Tatiana

Não consigo dormir. Dou voltas e voltas na cama e só chego a uma conclusão: sou a pessoa mais ansiosa que conheço. 

 

Desde pequena que a ansiedade se apodera de mim de uma forma quase sobrenatural. Dou por mim com falta de ar, prestes a chorar e com a sensação de que me estão a estrangular.

 

Por vezes esta sensação vai crescendo ao longo do dia, sem que eu note realmente que está lá, porque nunca há uma razão muito concreta para que me sinta assim... Chego a pensar que eu sou a culpada de me sentir assim. Parece que alimento todos os sentimentos negativos que possam imaginar...

 

Com o passar do tempo criei métodos que me ajudam a evitar esta sensação de quem vai chorar a qualquer momento, um deles é escrever, faz-me concentrar em coisas objetivas, mesmo que isso implique pensar no que estou a sentir... O facto de o escrever torna "problema" menor.

 

Hoje a ansiedade é por um motivo em específico... Um motivo tolo para todos com quem tenho falado, que me acham ridícula porque estou no início do primeiro ano da faculdade e já não largo os livros.

 

Cresci a querer ser a melhor. Não a melhor da turma, do mundo, ou de qualquer outra coisa em que estejam a pensar. Eu só quero ser a melhor versão de mim mesma a cada segundo. Agora quero ser melhor do que era de manhã. Daqui a um bocado, quero ser melhor ainda. Pode ser uma questão de auto-estima, mas para mim é realmente importante. Gosto de sentir essa evolução, ou pelo menos saber que não estou pior. Essa "mania" nota-se principalmente no que toca aos estudos.

 

Tenho conseguido acompanhar a matéria de quase todas as cadeiras, tenho feito por isso. Mas anatomia... Anatomia faz-me querer arrancar os cabelos e enfiar na cama até que passe este semestre. Dei uma quantidade infinita de matéria, já estou nas aulas a pensar que o que estão a dizer é chinês. Estudo uma tarde inteira para no fim perceber que só estudei um osso. Um osso das centenas de ossos de que os professores falaram ao longo das duas últimas semanas. Entre músculos, articulações e ossos do corpo humano inteiro, eu sinto-me triste por dizer que só consegui captar uma ínfima quantidade dos ossos da cabeça, o resto parece que entrou por um ouvido e saiu pelo outro.

 

Eu sei, quem é a parva que se preocupa com isso de madrugada? Sou eu. Não consigo dormir a pensar que não me vou safar na cadeira, que fui estúpida por escolher um curso na área da saúde quando fazia qualquer curso de matemática com uma perna às costas. Sei que tudo exige esforço, mas sinto que por mais que me esforce nunca vou chegar ao ponto que quero.

 

O meu receio é nunca vir a ser uma boa profissional por ter escolhido o curso que mais me captava interesse em vez daquele a que teria mais facilidade. Tenho medo de nunca vir a ser boa o suficiente, de ficar para trás, de estar a gastar tempo.

 

Sei que as saudades de casa ajudam a que isto tudo pareça um problema muito maior. Avisaram-me que eu ia ter uma quebra, que mais cedo ou mais tarde eu ia chorar, chorar até não aguentar mais. Disseram-me que era normal, que faz parte. Só achei que comigo fosse ser diferente, afinal de contas eu devia estar bem, devia estar a aproveitar o início do curso em vez de pensar já no fim. Mas não consigo. Fico sem sono, acordo vezes sem conta, sonho com os meus óculos partidos, com cadeiras por fazer. Acho que estou mais perto do momento da quebra do que aquilo que eu gostaria. E isso assusta-me, tenho medo de desistir sem sequer me esforçar.

 

Sou só mais uma rapariga a entrar para a faculdade e a querer ser brilhante... Sou demasiado exigente e tenho medo que isso me prejudique, mas sei que no momento que essa exigência desapareça eu vou estar condenada ao fracasso devido à preguiça.

 

Preciso de descansar, preciso de parar para respirar, mas não consigo. Hei de conseguir, mas para já escrevo o que vai na minha mente e deixo que isso me acalme o máximo que der. Não pode correr assim tão mal, pois não? Espero que não.

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