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Em Busca de Um Sentido

28
Set17

Mudei, cresci.

Tatiana

Quão parva uma miúda precisa de ser para se conseguir superar e corrigir tudo aquilo que achou que seria o seu destino?

 

Por momentos fui feliz, mas foram mais os momentos em que fugi do que me fazia bem. Existem pessoas que gostam do caminho mais difícil, talvez eu seja uma dessas pessoas... Apesar disso, estou a gostar de tudo o que estou a sentir e consigo aproveitá-lo de uma forma que desconhecia em mim.

 

A verdade é que até agora nunca tinha tido tempo para me preocupar comigo, porque o meu foco era tapar buracos, justificar atitudes que só a mim me diziam respeito, nunca me permiti meter-me em primeiro lugar... Hoje dou por mim a querer retirar tudo o que disse, a querer ser mais ponderada...

 

O tempo fez-me crescer... Sei que olham para mim e conseguem ver uma mulher a aparecer, embora continue a vestir a roupa da menina que um dia fui. Cheguei a acreditar que tudo o que habitava em mim era amor pela minha família e uma indiferença geral pelo mundo que me rodeia. Descobri tudo enterrado sei lá onde, num lugar que achei nunca encontrar. Descobri toda uma dimensão de novos sentimentos que achei que nunca teria.

 

Hoje eu sei onde ir, sei com quem contar, sei como devo comunicar... Cometo os meus erros, como qualquer ser humano. Ninguém por aqui é perfeito. No entanto, tenho consciência do que faço e tento ao máximo evitar ser incorreta, mesmo que seja impulsiva e só consiga desculpar-me depois.

 

Estava habituada ao mesmo tipo de pessoas que se fascina por algo que não sou, que procura menos do que aquilo que merece, que ambiciona pouco e percebi que para mim isso não funciona. Preciso de me rodear de segurança, determinação e objetivos. E não há nada de errado nisso, isto sou só eu a ser aquilo que quero ser.

 

Por vezes, mantenho-me sentada a um canto... Observo... Já viste como o mundo corre? Achei que quando chegasse este dia eu ia sentir alguma diferença no que me rodeia, cheguei a pensar que o mundo iria mudar, que as cores mudassem de intensidade, que o meu olhar alterasse e tudo o que consegui alcançar foi uma paz interior que às vezes me assusta.

 

A ansiedade continua cá, mas com menos frequência. Quando começo a sentir o aperto dos sentimentos limito-me a deixá-los vir, porque sei que no dia seguinte vou acordar a sentir menos, a lembrar menos... Talvez um dia eu consiga ser a mulher segura que quero alcançar. Tudo leva tempo e sei que o meu momento vai chegar, desde que eu vá à luta e não me sente à espera.

 

Às vezes acho que sonhei com tudo, que sempre estive assim... As imagens que foram reais misturam-se com a ficção e eu deixo de saber o que efetivamente vivi e o que vem dos livros e séries que devoro à velocidade de luz. Comigo tudo é uma montanha russa sem grande rumo, um dia estou lá em cima e noutro consigo ir até à profundeza do meu ser...

 

Apesar de tudo sei que vejo as coisas de forma diferente e estou a conseguir reerguer-me, a sentir mais aquilo que sou e menos aquilo que querem que eu seja...

 

Prazer, esta sou eu.

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