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Em Busca de Um Sentido

01
Jul15

Mutilação Genital Feminina

Tatiana
No último período escolar tive que fazer um trabalho para Filosofia sobre a Mutilação Genital Feminina (MGF) e desde o início da realização do mesmo pensei que este ainda ia ser o tema de um post do blog. Por essa mesma razão, e por o trabalho já ter sido avaliado, decidi fazer o post de hoje com base no mesmo, citando algumas frases. Peço desde já desculpa se vou "ferir" a sensibilidade de alguém, porque realmente este é um tema difícil e que choca várias pessoas.

em busca de um sentido
 
"Todos nós sabemos que, em algumas partes do Mundo, a MGF é realizada de forma natural em todas as crianças do sexo feminino de determinadas culturas. No entanto, há algum tempo que o mundo ocidental pretende sensibilizar para as consequências do que as culturas que o fazem julgam ser inofensivo, e até bom para a vida que essas jovens mulheres irão levar. Este objetivo (...) deve-se grandemente ao facto de cada vez mais se identificarem casos de MGF na Europa, incluindo em Portugal onde nos primeiros meses de 2014 foram registados 9 casos. 
 
A MGF teve origem em antigos rituais. Julga-se que o seu início se deu no Egito, partindo daí até ser hoje uma tradição em bastantes culturas. 
 
Esta consiste na remoção parcial ou total dos órgãos sexuais femininos. Utilizam-se instrumentos de corte inapropriados, tais como cacos de vidros ou facas sujas, não esterilizados.
 
Para alguns povos africanos os genitais femininos são impuros, demasiado grandes e feios, daí a necessidade de serem removidos. A excisão do clitóris serve para diminuir o desejo sexual feminino. Para outros a MGF é encarada como uma forma de assegurar a castidade da mulher até ao casamento. Uma mulher que não seja circuncidada pode ser vista como uma prostituta e em casos mais extremos, ser excluída da sua própria sociedade. 
 
A MGF não tem qualquer tipo de benefícios, ao contrário do que as culturas que a praticam pensam. As vítimas da MGF sofrem danos psicológicos, embora estes sejam difíceis de detetar, visto que tem de ser feita uma rigorosa análise ao comportamento da mulher. 
 
A mutilação genital apresenta-se como uma forma de submeter as mulheres. É uma violação do corpo para controlar o espírito da vítima, no entanto esta violação pode levar a que as mulheres, embora apresentem atitudes calmas e dóceis, desenvolvam um lado mais frio na sua personalidade e pode também levar a que a mulher desenvolva Síndrome Pós-Traumático devido ao choque que lhes é presente durante a MGF. 
 
Muitos são os autores e críticos que comparam a MGF às cirurgias que envolvem a introdução de silicone no nosso corpo, ou o facto de se retirarem costelas para se ter uma cintura mais fina, cirurgias frequentes no mundo ocidental. Isto acontece porque a MGF pode ser vista como uma cirurgia relacionada com a estética, tal como as cirurgias referidas. Num mundo em que esses processos não existem podem ser considerados algo igualmente atroz, no entanto, as mulheres que passam por esse tipo de cirurgias dão o seu consentimento para que exista intervenção médica, ao contrário do que acontece com as mulheres que sofrem mutilação genital. A opinião destas mulheres não é pedida quando se trata de lhe fazerem a intervenção, até porque são muito jovens, e por verem que é a realidade do mundo onde vivem acabam por se conformar com a situação, vindo a aceitar isso com alguma naturalidade quando adultas. 
 
Se todos nós nascemos livres, porquê obrigar estas mulheres a sofrer tanto com algo que não querem? Se devemos agir uns para com os outros em espírito de fraternidade, qual é o objetivo de não as protegerem?
 
Temos que condenar os atos de quem expoem jovens mulheres a circunstâncias tão dolorosas sem ser essa a sua vontade, levando-as à morte, sem haver ninguém no meio a tentar protegê-las. É verdade que a população que pratica este tipo de tradições não sabe as consequências do que está a fazer, pensa que a atitude correta é a que está a tomar, mas se nós já nos apercebemos do quão errado é a mutilação genital feminina e não fazemos nada acerca do assunto, é como se estivéssemos a concordar com eles. 

Para que se cumpra uma tradição bastante antiga estão a expor crianças a um sofrimento extremo que ninguém merece, muito menos um indivíduo que não tem capacidade de se auto proteger, devendo por isso ser protegido pela população mais velha. 
 
O principal problema destas culturas é facto de terem como fim algo que, no fundo, pensam conseguir alcançar. Querem fazer com que a mulher seja fiel e a verdade é que conseguem. No entanto, estes não têm em conta o sofrimento a que expõe a mulher, nem os problemas de saúde que lhes dão. Assim sendo, o que poderia ser feito para evitar a MGF era a mudança das políticas educacionais destas culturas, fazendo com que tenham em conta todas as consequências deste ato. 
 
Apesar de os números de mulheres expostas a esta intervenção terem diminuído, não significa que é menos importante continuar com esta luta. Na verdade, a MGF pode ser uma realidade diferente daquela a que estamos habituados, mas não se encontra assim tão distante de nós, e se somos capazes de dizer “isto é um erro, não se devem expor crianças a um sofrimento destes”, também seremos capazes de lutar contra tal. Nunca será tarde demais para mudar uma realidade e mesmo que leve muito tempo, nós somos capazes."
 
Peço desculpa por este post ser tão longo, mas realmente achei que era necessário para que dissesse tudo e conseguisse um texto com alguma lógica. 
 
Por hoje é tudo. Não se esqueçam de deixar a vossa opinião!
 

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