Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Em Busca de Um Sentido

23
Out17

Acerca dos incêndios...

Tatiana

Há anos que não vejo televisão, o pouco que vejo é às refeições caso alguma colega minha esteja a ver, quando vou almoçar na casa da minha avó ou quando entro num café com televisão. Mesmo quando tenho por perto esse objeto que nos lança imagens, acabo por me abstrair. Isto acontece por opção minha, tal como o facto de dificilmente procurar noticías ou abrir um jornal. Quem quiser pode chamar-me inculta, eu aceito, porque no fundo sei que o sou um pouco.

 

Raramente sei o que se passa no mundo, ou até mesmo no país, a não ser que seja uma situação drástica, a não ser que seja algo que corre de boca em boca até chegar a mim. Há quem me pergunte vezes sem conta o porquê, e eu respondo a rir "gosto de ser feliz na minha inocência". A verdade é que sou uma pessoa demasiado sensível, a todos os niveís. Tenho a capa de durona, mas deixo-me levar por sentimentos e histórias de vida. Às vezes não conheço as pessoas e dou por mim a viver a sua vida na minha mente e a sofrer por isso.

 

Foi e é o caso dos incêndios. Faz uma semana... Portugal era o inferno na Terra e eu vivia a minha vida de universitária. Pessoas perdiam as suas casas e eu estava no conforto da minha. Humanos morriam e eu estava ali, a viver a minha sorte. Sorte por não viver lá, sorte por estar segura, sorte por tudo.

 

Soube dos incêndios muito depois da altura mais crítica. Soube dos incêndios porque havia a probabilidade de familiares de conhecidos estarem lá. Soube dos incêndios porque o terror era tal que por todo o lado se falava nisso, por todo o lado existiam fotografias.

 

Foram vários os testumunhos que li. Foram imensas as fotografias chocantes que vi. Eu não conhecia ninguém que estivesse a sofrer diretamente com tudo o que se passou, mas fiquei mal ao ponto de parecer que estava a viver aquilo. Parecia que era a minha casa, a minha família. Várias foram as vezes em que os meus olhos se encheram de lágrimas. 

 

Apesar de me doer, dói mil vezes mais a quem lá estava... Por muito que queira falar, sei que não há palavras para consolar centenas de famílias. Só posso dizer que lamento muito. E acrescento um pedido de esperança de que algo irá ser feito para repor ao máximo todas as perdas materiais, porque infelizmente as vidas já ninguém as devolve.

6 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D