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Em Busca de Um Sentido

Metáforas minhas...

E como que por um ato de magia estou aqui, a ver o sol pôr-se e a ouvir o mar revoltar-se com uns meros grãos de areia... Atribuo ao momento um certo simbolismo, talvez obscuro, mas que me conforta e me faz sentir compreendida.

Tal como o dia que termina, também a nossa vida tem fases que acabam, e por mais nostálgico que possa ser, é maravilhoso observar esta correria, vivendo sempre como se não existisse o antes e o depois. A verdade é que tudo neste mundo é composto por ciclos, e mesmo que uns sejam mais curtos do que outros, nenhum toma maior relevo.

Nada há mais bonito do que ver que mesmo com todo o conforto que o conhecido nos traz, conseguimos viver como se tudo nos fosse desconhecido. Continuamos a abraçar cada ocasião como se fosse o primeiro contacto com aquela realidade.

É como o mar quando se mistura com a areia... Embora seja um casamento antigo, todo aquele atrito incomoda e parece tudo novo, ou até primitivo. O mar lida com a areia como se não fosse suposto que ela ali estivesse, mune-se de um certo egoísmo, que na quantidade certa faz com que a união prevaleça. Finge não conhecê-la, mesmo sabendo que aquilo é o seu mundo.

Embora tenham a sua identidade definida, são um conjunto indivisível. 

E lá vai o mar, a descer, a afastar-se, a desistir de estar aqui... Mas não te preocupes. Amanhã de manhã estamos de pazes feitas e ele volta. Volta sempre.

Queria dizer que te amo...

E hoje eu queria dizer que te amo. Amo-te com todas as minhas forças e isso faz doer. Faz doer porque sinto a tua falta no segundo exato em que a tua mão deixa a minha. Abandonada e sem rumo. Fica a minha mão e fico eu, num daqueles momentos em que sinto o calor da tua pele, mas olho-me e vejo-me sem ti.

Talvez nenhum amor seja eterno, e se assim o for o nosso não irá ser exceção. Mas não é tão bom viver um amor finito como se fosse infinito? Não é tão bom imaginar o dia em que teremos tudo, mesmo que nunca cheguemos a juntar as nossas vidas para serem uma só?

Num daqueles raros e loucos momentos em que digo que te amo, talvez te diga que não sei viver sem ti. Não quero que sintas que te minto, mas a verdade é que sei, porque no fundo basta-me respirar para estar viva. A diferença entre ter-te e não te ter equivale a conhecer-me viva e com impulsos ou perdida à deriva neste mundo de fantasia que criei só para nós.

Dou por ti a observar-me e peço-te que pares. Mas não pares, está bem? Eu fico envergonhada, mas gosto que me olhes como se eu fosse uma obra de arte. Gosto que me admires como se admira uma escultura, como se admira a técnica utilizada para aproximar a imaginação da realidade. Não é isso que a arte é? Uma aproximação à realidade do ponto de vista de quem se denomina artista.

Tu podias ser pintor, sabias? Pela delicadeza com que me olhas, pelos detalhes que de mim decoras chego a crer que se te fechassem os olhos e te oferecessem papel e caneta serias capaz de me recriar com uma precisão de mestre, incluindo até a mais pequena das cicatrizes.

Sei que receias magoar-me. Apercebo-me de tal sempre que faço beicinho e vejo o teu ar desesperado de quem procura uma razão sem a encontrar.

Mas ouve-me. Por favor, ouve-me quando te digo que o meu tamanho não retrata tudo o que sou capaz de aguentar, e embora te confesse que aos poucos a muralha vai caindo, ainda tenho a estrutura principal intacta, acho que sempre vou ter.

Por isso te digo... Se um dia quiseres ir, vai... Vai sem olhar para trás... Vai sem medos. Vai, porque um amor pode não ser eterno, mas a memória é eterna até que me falte o ar e a que mantenho de ti é doce, tão doce que vou mantê-la guardada, não vão as formigas quere-la para elas. Sabes como é.

O que é meu, fica. Fica sempre. E tu és do mundo, de um mundo que não me pertence, e por isso te digo: se quiseres ir, vai e sê livre, porque em mim estás sempre.

Só queria dizer que te amo...

O tempo perde-se em mim...

O tempo perde-se em mim... Ou será ao contrário? Perco a noção dos segundos, até mesmo dos dias e mantenho-me aqui, assim. Vou imaginando tudo aquilo que eu gostaria de ter na minha vida e percebo que tenho o que me faz sentir verdadeiramente realizada.

Não me contento com qualquer coisa, mas em mim existe aquele brilho de quem encontrou tudo o que é certo para o momento em que vive. O carinho corre-me no sangue e percebo em cada sorriso que esboço que sou genuinamente feliz com tudo aquilo que faz parte do que vivo.

O tempo perde-se em mim... E eu perco-me nele. Deixo-me levar pelas sensações e pelo instinto e percebo que talvez tudo tenha valido a pena até este dia. Todas as lágrimas, todas as noites mal dormidas, tudo o que gritei, todos os amores e desamores, tudo o que faz parte do meu passado e que me permite conhecer a pessoa que sou. 

Não me deixo iludir pelo que é belo, pelo menos não o faço normalmente. No entanto, a simplicidade da conexão com o meu mundo faz-me sentir poderosa... E este poder nem sequer é algo negativo, é algo meu que me permite tomar as rédeas do que creio, quero e crio.

O tempo perde-se comigo... E eu deixo que se perca, porque eu sou o mais importante.

E se chegar o fim?

Se o fim chegar nós sabemos como recomeçar, sempre soubemos e acho que essa pode ser a nossa magia...

Sabemos reiventarmo-nos como poucos sabem... E inacreditavelmente nós nunca soubemos que já estivemos exatamente nesta situação de nos querermos irremediavelmente, sem filtros, só nós e este brilho no olhar que insistes em dizer que é a coisa mais bonita que viste na vida enquanto eu te garanto que o amor te faz cometer loucuras e delirar. Isso é só mais uma alucinação que tiveste, porque nunca te ensinaram o que é amar, nunca te explicaram que irias perder a fome só porque todas as tuas necessidades vão estar saciadas enquanto os meus olhos estiverem colados aos teus, a falar como se o mundo fosse acabar amanhã...

A necessidade de fugir às vezes torna-se maior do que qualquer outra coisa, mas o nosso refúgio é a nossa união e essa vai existir aqui, em Paris ou na Lua, desde que estejamos juntos não precisamos de muito mais. E talvez esse seja o sinal de que precisamos para nos mantermos firmes e fortes, como se fosse destino, entendes?

Insisto em fazer-te acreditar em tudo o que existe fora do que consegues alcançar ou ver, falo-te de signos, destino, previsões, outras vidas que não a que conhecemos e sei que em cada segundo tu te fascinas, porque embora a ciência seja o teu primeiro fascínio, eu ganhei-te doutra forma. Sei que não te faço duvidar das tuas realidades, mas também tenho a certeza que ouves cada teoria como se fosse a maior sabedoria deste mundo.

E talvez esse seja o sinal de que preciso para saber-te meu... Porque a mim já me tens.

E é perdida que encontro o meu lugar...

Sinto-me perdida, mesmo quando sei exatamente onde estou... E o mais estranho é que gosto da sensação... Perco-me nos campos acabados de florir, no som da água a correr por onde consegue... Vou olhando para tudo como se fosse a primeira vez que ali estou e como se nunca mais pudesse voltar a apreciar tudo o que a Natureza tem para me oferecer...

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Sei que dou atenção a pormenores que mais ninguém consegue ver, mesmo que tente, encontro beleza numa simples folha com duas ou três gotas de água... Alguns acham que perco o meu tempo sempre que agarro na máquina fotográfica e vou captando tudo quanto consigo, até coisas que possam parecer verdadeiramente insignificantes... No entanto, para mim tudo tem potencial e é isso que me permite continuar a sentir felicidade quando clico no botão.

Perco noção do tempo, as horas tornam-se curtas para a vontade que eu tenho de absorver tudo o que os meus olhos conseguem alcançar... E eu sei que para além do horizonte há mais para ver, para observar, para me apaixonar... E vou andando em frente, à descoberta de um mundo que a minha objetiva ainda não alcançou, mesmo que me garantam que é tudo igual ao que vi na semana passada.

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Quando me apercebo que o tempo realmente passa, já está a escurecer e preciso de voltar à realidade dos dias monótonos, em que tudo é igual e a rotina é a mesma de sempre. Mas se há uma coisa que sei, é que não vão deixar de existir esses dias em que me deixo ir ao sabor do vento, sem me preocupar com os segundos a passar...

Sabes uma coisa? É ali, no nascer de algo novo, no florir de um mundo, que eu encontro a minha essência e tudo o que me traz harmonia.