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Em Busca de Um Sentido

Tudo me leva a ti...

Pouso o olhar no rio e de forma quase automática a minha mente enche-se com memórias de um amor que foi quase impossível e que tornei real. Tudo me dizia que era errado e hoje tudo tem o teu cheiro, tudo tem o teu brilho, tudo me lembra de ti.

Chego a parecer patética. Lutei contra os sentimentos mesmo sabendo que existiam. Talvez sempre tenham existido e hoje peço-te desculpa por tudo, tudo aquilo que me fez afastar. No entanto, sei que isto, tudo isto, é certo e aconteceu na sequência certa. 

Por vezes dou por mim a pensar que só sou o que sou porque tu existes na minha vida, porque apareceste no momento certo e me fizeste ver o mundo de outra forma. Contigo consigo ver o lado bom, mesmo sendo a pessoa mais negativa que conheço.

Acho que o Tejo passou a ser o maior testemunha do quanto me completas, do quanto me acalmas e mesmo quando estou no meu limite, basta que me dês a mão e me olhes nos olhos. Basta isso para que me encha de segurança e tenha a certeza de que tudo vai ficar bem.

Consigo quase prometer-te que tudo vai ficar como deve ficar, que vamos ser felizes e dias como estes vão ser infinitamente repetidos até que tenhamos vivido tudo o que era suposto. É só o para sempre que me assusta, mesmo que esteja implicito em cada declaração de amor que te faço. Vês como pareço patética? Sinto-me com 13 anos de novo, a acreditar em castelos e príncipes encantados. No entanto, deixo-te aqui, escrito para quem quiser ler... É tão bom acreditar em nós.

Aqui deixo o texto com o tema sugerido pela Only one Girl.

Acerca dos incêndios...

Há anos que não vejo televisão, o pouco que vejo é às refeições caso alguma colega minha esteja a ver, quando vou almoçar na casa da minha avó ou quando entro num café com televisão. Mesmo quando tenho por perto esse objeto que nos lança imagens, acabo por me abstrair. Isto acontece por opção minha, tal como o facto de dificilmente procurar noticías ou abrir um jornal. Quem quiser pode chamar-me inculta, eu aceito, porque no fundo sei que o sou um pouco.

Raramente sei o que se passa no mundo, ou até mesmo no país, a não ser que seja uma situação drástica, a não ser que seja algo que corre de boca em boca até chegar a mim. Há quem me pergunte vezes sem conta o porquê, e eu respondo a rir "gosto de ser feliz na minha inocência". A verdade é que sou uma pessoa demasiado sensível, a todos os niveís. Tenho a capa de durona, mas deixo-me levar por sentimentos e histórias de vida. Às vezes não conheço as pessoas e dou por mim a viver a sua vida na minha mente e a sofrer por isso.

Foi e é o caso dos incêndios. Faz uma semana... Portugal era o inferno na Terra e eu vivia a minha vida de universitária. Pessoas perdiam as suas casas e eu estava no conforto da minha. Humanos morriam e eu estava ali, a viver a minha sorte. Sorte por não viver lá, sorte por estar segura, sorte por tudo.

Soube dos incêndios muito depois da altura mais crítica. Soube dos incêndios porque havia a probabilidade de familiares de conhecidos estarem lá. Soube dos incêndios porque o terror era tal que por todo o lado se falava nisso, por todo o lado existiam fotografias.

Foram vários os testumunhos que li. Foram imensas as fotografias chocantes que vi. Eu não conhecia ninguém que estivesse a sofrer diretamente com tudo o que se passou, mas fiquei mal ao ponto de parecer que estava a viver aquilo. Parecia que era a minha casa, a minha família. Várias foram as vezes em que os meus olhos se encheram de lágrimas. 

Apesar de me doer, dói mil vezes mais a quem lá estava... Por muito que queira falar, sei que não há palavras para consolar centenas de famílias. Só posso dizer que lamento muito. E acrescento um pedido de esperança de que algo irá ser feito para repor ao máximo todas as perdas materiais, porque infelizmente as vidas já ninguém as devolve.

Por quanto tempo morre o homem?

"Quanto vive o homem, por fim?

Vive mil anos ou um só?

Vive uma semana ou vários séculos?

Por quanto tempo morre o homem?

Que quer dizer para sempre?"

Pablo Neruda

Há dias em que acredito que há vida depois daquilo a que chamamos vida. Por vezes tento enganar-me e mudar de ideias, dizer que tudo termina no segundo em que fechamos os olhos e a nossa respiração deixa de marcar o passar do tempo.

Não consigo convencer-me de que estamos aqui só porque sim, só porque os átomos são incríveis e existe uma energia que não sabemos bem qual é, mas que nos faz sobreviver. Essa é a parte de mim que me faz ir um bocadinho contra o que se denomina por Ciência, mesmo que eu tenha fé de que um dia vamos conseguir chegar lá.

Muitas são as questões que com o passar dos anos se foram formando na minha mente. Várias foram as provas, mesmo que imaginadas, embora eu queira crer que existiram. 

Talvez tudo sejam esperanças de uma idealista, que quer que o mundo seja perfeito, que pretende que tudo seja construído de forma a que nós consigamos evoluir cada dia mais um bocadinho. Ainda assim, para mim faz sentido que exista algo depois... Para onde vai toda a energia que temos? Como é que desligamos assim, do nada?

Consigo defender ambas as ideias: a de que não existe nada quando se morre e a de que continuamos a viver, mas como energia. No entanto, quase sempre opto pela segunda. E sim, eu sei que menciono com alguma regularidade que não tenho uma religião.

A verdade é que não tenho nenhuma religião. No entanto, tenho a esperança, tenho a fé... Posso até dizer que tenho mais fé que muitos religiosos que por aí andam. Acredito que tudo é energia e que, quer queiramos ou não, tudo o que fazemos tem uma consequência, mesmo que essa seja recebida tarde, vai chegar. Acredito que os nossos pensamentos podem afetar o que nos rodeia, que puxamos o que desejamos para os outros.

Para mim faz sentido que estejamos no mundo para nos melhorarmos moralmente, para evoluirmos, para dar melhores condições às gerações futuras, que talvez sejamos nós, ou talvez seja outra pessoa qualquer.

Se às vezes me acho louca? Acho. Mas isso passa... Não somos todos loucos, afinal?

Eu não tenho religião, mas...

Eu não tenho religião, mas fecho os olhos e imagino um mundo melhor, onde ninguém depende de ninguém e todos somos fortes e independentes. Na minha cabeça vivo nessa utopia de que o mundo está limpo de males e que todas as almas que por aqui andam são puras.

Sei que não sou a única com essas ambições, ouço-te falar por aí do quanto seria bom que os presidentes fizessem pelo povo e não pelos bolsos que têm, que já vão bem cheios, enquanto os nossos esvaziam cada vez mais.

Mas eu tenho esperança... Às vezes até posso dizer que tenho fé, visto que quando dou por mim estou numa angústia gigante e rezo. Sabes pelo que rezo? Rezo pela mudança, pela paz a cair-nos aos pés sem que seja duro lutar por ela. Estou tão farta de ver crianças abandonadas, pessoas a passar fome, países a arder e políticos a discutir coisas que em nada mudam a situação em que estamos.

Quantas vezes por dia ligas a televisão? Sabias que estou desligada do mundo? Não me orgulho de dizer que sou sempre, ou quase sempre, das últimas a saber o que se passa por aqui. Gosto de viver com a consciência tranquila, sem ter medo de rir, sem ter medo de ser feliz, sem ter medo de ser ambiciosa. Mas por vezes reprovo-me... Reprovo-me ao ponto de me ir informar... E sinto um vazio gigante. Com tanta gente a passar mal, eu estou aqui, a escrever num computador, enquanto o mundo está cada vez mais degradado. Enquanto o mundo vai de mal a pior, eu estou aqui, a querer ter uma casa grande e dinheiro na conta. Enquanto eu vivo a minha vida sem pesos, há quem carregue mundos para conseguir sobreviver.

E por instantes, eu desejo que todos nos juntemos e rezemos. Rezemos para que um dia não sejamos nós... Rezemos para que os bens sejam melhor repartidos... Rezemos por tudo e por nada. Mas isso passa-me, sabes porquê?

Porque eu não tenho religião, mas rezo. Eu não tenho religião, mas quero marcar a diferença. Eu não tenho religião, mas quero dar de comer a quem não o tem. Eu não tenho religião, mas também não a finjo ter.

E tu? Tu, que finjes ter religião, que te assumes católico, protestante ou o que raio lhe queiras chamar... Que fazes para mudar o nosso mundo?

Fé e Proteção

Fé e Proteção

Nunca fui de superstições. Nunca fui de acreditar em orações. Acho que sempre quis ser diferente dos outros e isso notou-se desde cedo na forma como eu ajo perante as minhas crenças, sempre questionei tudo.

O meu "início" de percurso escolar foi feito num meio religioso, inicialmente na pré-escolar, em que a minha educadora era freira, e depois na primária, que era uma escola privada católica. Apesar de não acreditar muito nos santinhos a quem rezavam, eu fui crescendo a aprender as orações e ia regularmente à missa. Quando passei para a escola pública deixei de ir, já não era obrigatório, mas tinha EMRC (Educação Moral Religiosa Católica). Com o tempo deixei de frequentar as aulas. Não conseguia ouvir falar em Deus num segundo e no outro das viagens que eram feitas a Itália e no quanto era importante gastarmos esse dinheiro porque nos fazia crescer, mesmo a quem não pudesse gastá-lo.

Esta conversa toda para chegar ao ponto de dizer que apesar de não me assumir como pertencente a uma dada religião, eu tenho fé. Tenho muita fé. Em Deus? Não sei. Chamem-lhe o que quiserem, mas com post que eu li no blog do Solitário, acabei por perceber que não sou a única a ter fé sem seguir uma religião, mas que acredita que existe algo. Gosto de sentir que estou protegida em cada momento.

Como já disse várias vezes por aqui, desde criança que sofro de ansiedade, para muitos não tem importância, mas para mim tornou-se algo relativamente grave porque eu criava vários medos e deixava de dormir. Sentia-me muito cansada, mas não dormia. Não conseguia. Só se fosse agarrada a um dos meus pais. A minha mãe ao perceber isso ensinou-me a oração de que o Solitário fala no post dele. 

"Meu anjo da guarda, minha doce companhia, guardai a minha alma de noite e de dia."

Todos os dias, desde que sei essa oração, em algum momento eu digo essa oração mentalmente. Conforta-me o coração. Faz-me sentir que em todos os segundos eu estou protegida. Nunca precisei de mais do que isso.

No entanto, uns dias antes de vir para Lisboa tinha dito à minha irmã que queria comprar duas pulseiras. Ela ia usar uma e eu outra, para nunca nos esquecermos que mesmo longe estamos sempre perto uma da outra.

Ela, muito despachada, disse-me para eu não me preocupar. Não pensei mais nisso.

Na véspera do dia em que era suposto mudar-me a conversa voltou. Ela ia fazer as pulseiras. Ficaram lindas. São daquelas atadas ao pulso, só sai se for cortada.

Neste momento, sempre que me sinto aflita, sempre que tenho saudades agarro na pulseira. Sei que não estou sozinha, que estou protegida. Sei que vou ter sempre alguém que se preocupa comigo. Ela é uma dessas pessoas. Tão pequenina, com os seus 13 aninhos, muito senhora do seu nariz, anda sempre preocupada comigo, manda-me mensagens para eu não me sentir sozinha e quer saber tudinho.

"Não fiques triste, eu gosto muito de ti, daqui a uns dias já nos vemos."

O amor também protege. Este amor faz-me ter fé, e o meu novo amuleto da sorte também.