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Em Busca de Um Sentido

Abraçar o imprevisível...

Há alturas em que precisamos que se faça um clique na nossa mente... Um clique daqueles que nos faz olhar para trás e pensar "isto esteve sempre à minha frente e eu simplesmente não vi".

A verdade é que eu sou uma control freak. Eu gosto de controlar tudo. Controlo a hora a que me levanto, o número de páginas que quero estudar, os dias em que quero ir a casa, as tarefas que têm que ser feitas naquele dia específico, os sítios por onde quero passear, a rota a percorrer de casa à faculdade, a forma como estruturo os meus apontamentos... Imaginem uma lista perto de infinita de coisas, garanto-vos que até isso eu vou querer controlar. Eu controlo tanto, que odeio que me façam surpresas, porque não sou eu que as planeio.

E o clique fez-se, assim, sem mais nem menos, a ver um vídeo aleatório na internet enquanto faço uns exercícios. E de repente o meu cérebro focou-se no que eu estava a ouvir para evitar sentir-me sozinha. E eu percebi... A minha mania de querer controlar tudo, inclusivamente a forma como as pessoas agem perante mim, faz-me ser extremamente ansiosa. Não é novidade que tenho ansiedade, mas ando à procura de gatilhos dessa ansiedade e quando acho que os encontro, percebo que não é bem assim e que está ali mais qualquer coisa...

O motivo principal de me sentir assim é não abraçar o imprevisível. Eu quero planear cada segundo da minha vida, e sempre que não consigo cumprir as minhas expectativas, que são quase sempre bastante elevadas, sinto-me ansiosa, triste, incapaz...

Sim, algumas coisas têm mesmo que ser planeadas, não vamos virar todos uns desleixados, mas não controlamos o mundo e muito menos o tempo... Acho que o objetivo é darmos o nosso melhor e esperar o que a vida nos devolve, que a maior parte das vezes é maravilhoso... 

Assim sendo, acabei de encontrar uma meta para este ano e muito provavelmente uma luta para travar o resto da minha vida: não querer controlar tudo o que me rodeia e aproveitar o imprevisível.

A hora vai chegar...

Estou numa fase de absorção... Adoro escrever, comunicar o que me vai na cabeça, mas cheguei ao ponto em que tenho que parar, olhar, e sentir tudo como se não houvesse amanhã, para que quando pegue no papel e na caneta venha algo diferente, sem perder a minha identidade.

A verdade é que me sinto a mergulhar sempre nos mesmos assuntos, o que até para mim se torna aborrecido. No fundo, como a maior parte das pessoas, vivo numa rotina que pouco traz de novidades e as novidades que traz ainda estão a ser analisadas e daí parto para um ciclo em que penso exageradamente nas mesmas coisas.

Voltei ao ponto em que preciso de andar nas ruas, ver coisas novas, respirar em sítios diferentes e ver o mundo doutro ponto de vista, este está a tornar-se sobreexplorado. Não é por falta de tentativa, muito menos por falta de vontade, mas a fluidez na escrita está a faltar e tenho que ir à procura dela...

Queria falar de tanta coisa, e quando chego aqui entendo que não é a hora certa, pelo menos não para mim... Mas a hora vai chegar, porque isto faz parte de mim.

Ontem foi um bom dia...

Há momentos que nos permitem ser tudo aquilo que somos sem reservas do que irão pensar e ontem tive um desses, sem querer.

Comecei a dar conselhos a um amigo meu e quando dei por mim estava a desabafar e a contar imensas experiências que me mudaram nos últimos meses, ao ponto de chorar de tão sobrecarregada que estava.

O mais engraçado em toda a situação é que nem eu sabia que estava assim. Para mim estava tudo bem, e sinceramente, continua a estar... Mas tinha muitas coisas presas na garganta que precisava de falar e mostrar a alguém que não as pessoas de sempre.

E ainda bem que o fiz, porque foi o "clique" necessário para eu me ver com outros olhos e para que a pessoa que estava a falar comigo, que talvez seja esta pessoa, entender as reações que estava a ter. Entendi que sim, estou diferente, mas às vezes há quem não tenha o convívio suficiente comigo para perceber essa mudança da forma que eu quero que entenda...

Ontem foi um bom dia. A mais dias assim.