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Em Busca de Um Sentido

Estou a gostar de mim...

Escrevo-te para te dizer que vejo a força e o peso que as palavras têm no teu pequeno coração... Vejo a forma como a cor dos teus olhos altera dependendo do teu estado de humor, um bocadinho como aqueles anéis que usávamos quando éramos crianças... Apesar disso, não digas que é o fim, que vais virar costas e desistir daquilo que te faz feliz, porque eu vejo pela água que te enche o olhar que não é isso que queres... 

Sabes que às vezes sou desantenta, nunca o neguei, e hoje, mais do que nunca, não tenho medo de me caracterizar assim... O mundo tem tanta coisa bonita que acabo por me perder ao tentar cumprir as partes chatas enquanto me alimento do mais bonito... E no meio de tudo ando numa dança que me alimenta a alma e me faz ser cada vez mais aquilo que está nos confins do meu ser... Entre livros de Física e músicas lamechas... Entre artigos para ler e fotografias para editar... E até entre páginas rasgadas com tudo aquilo que queria ter dito e calei, com medo da censura...

Mas decidi que hoje não é um desses dias em que me calo. Hoje é o dia em que te olho nos olhos e digo: "Tu és forte, inspira, expira e vai à luta".... E no espelho vejo a tua versão mais bonita e mais radiante. No espelho vejo-te, como nunca me vi... Livre das amarras a que te prendias e a correr atrás de tudo aquilo que sabes que pode ser teu... Corre, mas não te percas, estou a gostar de ti.

Estou a gostar de mim...

Não sou o que achei que seria...

Neste momento da minha vida, não sou a pessoa que a Tatiana de 16 anos achava que iria ser.

No sonho que tinha com a jovem adulta em que me iria tornar, estava no terceiro ano de Medicina. O namorado de sempre, continuava a sê-lo. A Tatiana conformista continuava a aceitar o que lhe era oferecido, em vez de exigir da vida tudo o que merecia...

Há quem ache que isso tem algo de negativo... Ter deixado alguns objetivos escaparem-me das mãos... No entanto, a verdade é que isso nunca foram objetivos reais. Isso seria ir pelo que me era dito que era "o melhor" sem me autoanalisar. Seria ir pelo caminho óbvio, em vez de observar aquilo que realmente me fazia feliz...

Não sou a pessoa que seria caso tivesse seguido sempre em frente, sem parar para pensar... Não a sou porque decidi que seria eu a escrever o meu destino e a tomar as minhas decisões... Queria mais do que aquilo que estava logo ali. Queria mais do que sentir-me bem. Queria ser feliz.

Sempre fui de ir pelo caminho mais difícil e ainda bem, porque graças a este feitio complicado cheguei aqui...

Estou envolvida em projetos maravilhosos, conheci pessoas que me acrescentam de uma forma inexplicável, sem me anularem e segui as áreas que realmente gosto, por saber que o fim será bom por estar a estudar o que me apaixona todos os dias.

E vocês? São a pessoa que achavam que irião ser?

Ontem foi um bom dia...

Há momentos que nos permitem ser tudo aquilo que somos sem reservas do que irão pensar e ontem tive um desses, sem querer.

Comecei a dar conselhos a um amigo meu e quando dei por mim estava a desabafar e a contar imensas experiências que me mudaram nos últimos meses, ao ponto de chorar de tão sobrecarregada que estava.

O mais engraçado em toda a situação é que nem eu sabia que estava assim. Para mim estava tudo bem, e sinceramente, continua a estar... Mas tinha muitas coisas presas na garganta que precisava de falar e mostrar a alguém que não as pessoas de sempre.

E ainda bem que o fiz, porque foi o "clique" necessário para eu me ver com outros olhos e para que a pessoa que estava a falar comigo, que talvez seja esta pessoa, entender as reações que estava a ter. Entendi que sim, estou diferente, mas às vezes há quem não tenha o convívio suficiente comigo para perceber essa mudança da forma que eu quero que entenda...

Ontem foi um bom dia. A mais dias assim.

Estou diferente...

Recentemente, recebi uma mensagem a dizer que a fotografia que tinha anteriormente numa das minhas redes sociais era muito mais bonita do que a atual. Eu pintei e cortei o cabelo há cerca de um mês e depois de tantas mudanças em mim não me sentia confortável em manter nas redes sociais uma versão minha loira e de cabelo comprido.

Sendo que foi uma pessoa relativamente próxima a mim há alguns anos eu quero acreditar que o comentário não foi de todo intencionado, mas desde esse dia que fiquei a pensar na conversa toda que existiu e ainda continuo triste com toda a situação.

A verdade é que eu não coloco fotografias minhas nas redes sociais com frequência por ser bastante insegura e a conversa fez-me sentir que atualmente estou mais feia do que há um ano atrás, o que até pode ser verdade, mas a mudança do cabelo trouxe-me uma segurança diferente. Sinto-me mais eu com algumas das mudanças que fui fazendo ao longo do ano, e isso passa por me identificar com a imagem de óculos e cabelo avermelhado que vejo no espelho, uma vez que de alguma forma revela tanto a parte nerd quanto a parte do mau feitio. 

E depois disto tudo fiquei a acreditar que se não me vêm a mim na "imagem" que tenho agora, talvez não me conheçam de verdade e não consigam entender aquilo que sou... Obviamente que não sou só a rapariga do cabelo estranho, mas atingi um nível de sossego me permite colocar fotografias espontâneas em redes sociais que tenho como privadas sem me importar com o que vão dizer, a não ser que seja alguém por quem tenho consideração a vir com "Achas mesmo que essa fotografia está melhor? Nunca pensei."

A conversa acabou a dizerem-me que estou diferente, apenas por ter respondido que não coloco fotografias para agradar alguém, e que há formas menos rudes de abordar alguém.

Ainda bem que estou diferente... Ao fim de dois anos era muito chato se eu continuasse igual, com as mesmas ideias e a calar-me perante certas situações.

Por fim, se o único assunto que têm com alguém implica tecer comentários que não acrescentam em nada a vida da outra pessoa, talvez seja porque não existe muito em comum e está na hora de ou reverter a situação ou seguir em frente.

Desabafos meus...

Sempre fui uma pessoa que escreve para outros. Não escrevo para agradar quem me lê, mas raramente escrevo sem destinatário, nem que o fim seja apenas criar aquilo que preciso ouvir.

Onde quer que vá surgem-me ideias e temas que captam a minha atenção e me fazem sentir próxima daquilo que sou e do que poderei vir a ser. Tenho uma mente hiperativa e a maior parte das vezes a minha ansiedade surge dessa atividade excessiva de análise a tudo o que vejo e acabo por absorver.

Considero-me distraída das coisas óbvias. A maior parte das vezes o que me é mais próximo é o que me passa ao lado. Como o prédio que foi pintado há dois meses e só agora me chamou a atenção, ou a janela que não fechava e de repente, após dias e dias a usá-la me apercebo e "desde quando isto funciona?". A minha atenção voa para outras coisas e geralmente envolve a criança que se ri na rua, o velhote que coxeia, o cão que corre aos saltos, o rosa das flores e daí parte para o meu futuro e para todos os significados que atribuo ao que observo.

Escrever sobre o que penso nessas alturas faz-me crescer e alimentar uma sensibilidade que é crescente e que nunca me abandona, mesmo quando quero parecer dura e menos criança... A verdade é que gosto de ver o mundo do castelo que construí e apenas agora estou a aprender a misturar-me ao que admiro e ao que me faz sentir leve...

Realmente tornei-me a melhor casa para se viver e isso enche-me o coração de sentimentos bons, mesmo que todos os meus dramas por vezes ameacem os alicerces, sei que sou firme.