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Em Busca de Um Sentido

Havia o mundo para descobrir...

Tinhas tudo para ser o amor de uma vida, mas algures no tempo o destino quis pregar-nos uma partida e isso não aconteceu...

Quis durante anos que todas as minhas inseguranças se desvanecessem, de forma a ter direito a uma história digna de uma comédia romântica... Só passado muito tempo entendi que a vida podia ser muito mais do que isso... Que havia o mundo para descobrir, tanto o exterior quanto o interior...

Infelizmente o teu amor não me era suficiente... Era como um abraço muito apertado. Apertado demais. Sufocante. Não me deixava respirar. Eu não conseguia olhar para além desse aperto, para além do horizonte que sem intenções me impunhas...

Havia a história que íamos construindo... Ou que tu construias e eu aceitava, confesso que tudo são memórias perdidas... Vamos viver juntos um dia. Eu sabia que não aconteceria. Não era falta de amor por ti, era falta de amor por mim. Como seria possível viver o que me davam, se eu nunca tinha sido capaz de agarrar o que tinha para mim? 

Por vezes acreditei que estava pré-destinada a fracassos amorosos... Tudo haveria de estar aquém das minhas expectativas... Sempre quis mudar tudo, para que ficasse à minha medida, à medida dos sonhos que escrevo em folhas soltas... Olha para mim, agora, a viver um amor com tudo o que tenho, passados tantos anos...

Em todos os sonhos e textos bonitos em que te inclui, estava uma pessoa a escrever que não era eu... Transformava-me em alguém que oscilava entre um estado de perdição de amor e um outro estado de raiva que desconhecia em mim. Num dia queria casar contigo e nunca mais te deixar, para que no dia seguinte te fechasse a porta na cara, após mais uma briga sem noção.

A ti só tenho que agradecer. Pelo bom, pelo menos bom e pelas marcas que deixaste. Marcas essas que me mostram aquilo que não quero para mim e aquilo que não quero ser para os outros. Contigo fui a pior versão de mim própria.  A versão que se odiava e que odiava o mundo. A culpa nunca foi tua... Aliás, ninguém teve culpa. Sabes disso, não sabes?

Crianças a querer viver amores de adultos são só amostras de sonhos que não se concretizam... Cada segundo foi uma aprendizagem e lidar com a falta que escolhi ter fez-me entender que tenho que estar sempre em primeiro lugar, seja em que situação for. Primeiro a minha sanidade mental. Primeiro o meu equilíbrio. Primeiro o meu sorriso. Primeiro tudo o que me faz sentir viva... E eu tinha-me esquecido. 

Estou a gostar de mim...

Escrevo-te para te dizer que vejo a força e o peso que as palavras têm no teu pequeno coração... Vejo a forma como a cor dos teus olhos altera dependendo do teu estado de humor, um bocadinho como aqueles anéis que usávamos quando éramos crianças... Apesar disso, não digas que é o fim, que vais virar costas e desistir daquilo que te faz feliz, porque eu vejo pela água que te enche o olhar que não é isso que queres... 

Sabes que às vezes sou desantenta, nunca o neguei, e hoje, mais do que nunca, não tenho medo de me caracterizar assim... O mundo tem tanta coisa bonita que acabo por me perder ao tentar cumprir as partes chatas enquanto me alimento do mais bonito... E no meio de tudo ando numa dança que me alimenta a alma e me faz ser cada vez mais aquilo que está nos confins do meu ser... Entre livros de Física e músicas lamechas... Entre artigos para ler e fotografias para editar... E até entre páginas rasgadas com tudo aquilo que queria ter dito e calei, com medo da censura...

Mas decidi que hoje não é um desses dias em que me calo. Hoje é o dia em que te olho nos olhos e digo: "Tu és forte, inspira, expira e vai à luta".... E no espelho vejo a tua versão mais bonita e mais radiante. No espelho vejo-te, como nunca me vi... Livre das amarras a que te prendias e a correr atrás de tudo aquilo que sabes que pode ser teu... Corre, mas não te percas, estou a gostar de ti.

Estou a gostar de mim...

A sorte que tenho...

O dia termina e mais uma vez tu não estás aqui. Sei que não é por falta de querer, e do alto da minha independência digo que não preciso de ti, que isso é uma parvoíce... Era o que faltava, precisar de companhia para dormir.

Mas a verdade é que, não preciso, mas faz falta. A minha cabeça deitada no teu peito, os teus dedos a pentearem-me o cabelo... Tu não sabes, mas durmo sempre melhor, quando durmo contigo. Há toda uma sensação de segurança que não sei explicar... Há quem diga que é amor... Será?

As saudades que tenho tuas crescem a partir do momento em que os meus olhos deixam de te ver e aqui fico, a viver a minha rotina, sem ti. Não me queixo, atenção! Sou feliz com o que tenho, gosto de tudo o que a vida me proporciona... Mas gostava de ter mais tempo contigo, conosco.

Talvez um dia isso venha, e aí eu diga "maldita a hora em que pedi isto", mas sabes que vai ser exagero, como sempre... E no fim tu vais sorrir... "Só sabes refilar?"

E eu olho-te com a mesma ternura de sempre, a pensar na sorte que tenho por ter alguém como tu para partilhar as minhas histórias.

Trovoada...

Queria estar aí agora, perto de ti e de toda a alegria da nossa casa, que embora pequena é suficiente para a enchermos com os sentimentos mais bonitos. 

Queria poder agarrar-te nessas bochechas que já arranham devido à pouca barba que te vai crescendo, olhar-te nos olhos e dizer-te que eu estou aqui, como estive no dia em que vieste ao mundo e me permitiste que corresse o mundo de mão dada contigo, para não ter tanto medo de tudo.

Sou a mais refilona e ao mesmo tempo a mais protetora... Até quando quero que sejas tu a proteger-me, sinto-me na obrigação de olhar por ti e garantir que ambos seguimos um caminho que nos é comum e confortável, para te manter perto e sentir-me segura.

Sei que o mundo aqui fora parece escuro e até nos dá voltas à barriga, como se assim que metesses o pé de fora começasse uma trovoada imensa da qual não podes escapar.

Não te vou mentir... Essa trovoada existe, existe sempre e é complicado escaparmos dela. No entanto, depois disso vêm os dias bonitos, vem a tranquilidade de saberes que o que está para trás era teu, mas que o que agora consegues mirar também é e é tão colorido, brilhante e promissor...

Não contes a ninguém, mas estou com medo da trovoada e por isso é que te escrevo... Para saberes que mesmo deste tamanho continuo a temer a natureza, como quando éramos pequenos e eu gritava para não te sujares enquanto tu fazias o favor de sujar-me também. 

Páscoa na Alemanha

Encontro-me sentada no sofá de uma casa que não é a minha, mas que adoro como se fosse. Num país que não é o meu, rodeada das pessoas que são a minha família e que me receberam de braços abertos desde o primeiro segundo, para uma Páscoa que já passou.

Sempre achei que este dia estava bastante distante. Não imaginei que iria chegar tão depressa, mas ainda bem que chegou, porque as saudades transbordavam no meu pequenino coração... Muita gente não consegue perceber o apego que tenho à minha família, mas eu amo-os com toda a força que tenho e por mim tinha-os sempre por perto.

Passei os últimos dias na Alemanha, rodeada de amor, risos e calor. Conheci o meu primo mais novo, que tem um ano e pouco, nascido já aqui, filho de um primo meu e foi maravilhoso.

Até o S. Pedro ajudou, visto que nos deu ótimos dias para passear e aproveitar o que queríamos visitar.

Tudo me pareceu surreal, um sonho a ser realizado. Apesar de ter consciência de que estava fora do meu país, senti-me tão segura que custou-me a acreditar que realmente tinha apanhado aquele avião... Foi a primeira viagem que fiz de avião e vim com os meus irmãos.

Hoje é o meu último dia por aqui e já me está a chegar a nostalgia, por saber que falta um tempinho para voltar a ver os meus tios e os meus primos... Custa-me ir embora e deixá-los aqui, mas a vida é assim e sei que aqui estão melhor.

Fica a promessa de voltar assim que consiga, e o fascínio por um país que embora seja desenvolvido tem uma aparência rústica e natural.