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Em Busca de Um Sentido

Dias Cinzentos

Nem todos os dias têm que ser o dia mais feliz da tua vida. Há dias que não são felizes nem tristes. Depois há dias em que não queres sair na cama e tudo te parece fora de hipótese.

Depende de ti o dia para que pendes. Não há nada de errado em ter dias menos bons, dias cinzentos e sem graça... Estes também fazem falta para contrabalançar com o que há de bom e fazer com que voltes a ter os pés na Terra. A distinção entre fazer disto rotina ou ser algo pontual está na forma como tu os encaras.

Não é fácil ter força para sair mesmo quando não se tem vontade, muito menos se for para estar rodeada de barulho quando tudo o que precisas é de silêncio para ouvir tudo o que paira na tua mente e que está escondido enquanto vives a vida a 200 km/h. A diferença está em saber viver esses momentos para depois erguer a cabeça e seguir em frente e não em entrar no ciclo que é afundar-nos nos nossos próprios pensamentos, que nos vão tirar a vontade de respirar fundo e aproveitar o sol que entra através da janela.

Ser-se alguém por natureza negativo e remar contra a maré é um trabalho árduo, mas demasiado recompensador. Não há nada como a sensação de saber que há dois anos a minha maneira de pensar era completamente diferente. Por muito que fosse alguém que motivava os outros, era-me muito fácil desistir das minhas próprias vontades e deixar-me ficar sentada à sombra da bananeira. Ver que o facto de estar a esforçar-me para sair da minha zona de conforto me está a trazer frutos maravilhosos só me motiva a continuar atrás dos pequenos objetivos que vou encontrando e é a esse sentimento que me tento agarrar quando me persegue a vontade de procrastinar infinitamente.

Relações Tóxicas

Ontem ia no metro e presenciei uma discussão entre um casal. Não eram mais velhos do que eu, para ser sincera, fiquei com a sensação de que ainda estavam no secundário.

Iam a falar num tom normal, mas perfeitamente audível para quem estava ao redor. Enquanto ele ia a olhar para o telemóvel, para tentar disfarçar, ela agarrava-lhe num braço e dizia "olha para mim, estou a falar contigo, já te pedi desculpa, eu preciso de ti, já não gostas de mim?". Ao que ele respondia "gosto, mas não quero estar sempre a ser mal tratado, larga-me". E voltava a olhar para o telemóvel. E ela fingia que chorava enquanto repetia "mas eu preciso de ti, também me estás a tratar mal agora, mas eu perdoo-te, porque gosto de ti". Até que em algum momento ouvi "estás a deixar-me desconfortável".

O motivo da discussão não importa. O que importa é que eu já fui aquela rapariga, e não me orgulho disso. E também já tive um namorado que tratava com frieza os momentos em que eu me arrependia de ser assim. Tudo naquela relação estava errado, éramos tóxicos um para o outro. E assusta-me ver miúdas a traçar os meus passos. A terem relações tóxicas em que se atiram culpas um ao outro até que fazem as pazes e tudo se repete. De novo. E de novo.

Talvez elas nunca tenham a força de virar costas, porque só vi o quão mau tudo aquilo era para ambos, quanto já estava sem falar com ele e depois de muita tentativa de manter o contacto. Talvez nunca venham a entender que para além de gostarem de uma pessoa, tem que haver respeito, confiança e que uma relação é suposto dar-nos calma e não fazer de nós a nossa pior versão. 

Cores do Mundo

Nem sempre o mundo é colorido à primeira... Por vezes precisamos de aprender a respirar fundo, agarrar nas tintas e dar-lhe a cor que queremos, com calma... Aproveitar o processo é um bem necessário, porque talvez o resultado não vá ser a cor que pretendemos, mas sim a que precisamos...

Nem sempre as cores dos outros vão dar certo com as tuas. Cabe-te a ti decidir se queres mudar a tua pintura para te adaptares, ou procurar algo que seja mais próximo daquilo que para ti é harmonioso. Nenhuma decisão é errada, só o será se não fores fiel ao que o teu coração te disser... Sei que às vezes podes não ouvi-lo, mas ele guiar-te-á pelo caminho que te leva à tela que te fará mais feliz.

Vão haver folhas rasgadas, tintas estragadas, cores imprevistas... Mas vai valer a pena no fim... Apenas vai pintando, o resultado vai ser o melhor.

Sabes quem és?

O processo de conseguirmos abrir todas as gavetas que nos compoem é algo solitário, melancólico e até pode chegar a ser assustador. É mais fácil acomodarmo-nos ao óbvio, ao que é aceite por aí, ao que te dizem para ser. O caminho do "socialmente aceite" é este, aceita que dói menos, acham eles...

E depois vêm as frustrações, os medos de não se ser bom o suficiente, a necessidade de estarmos constantemente acompanhados e aquela parvoíce de querer agradar cada pessoa que faz parte do nosso círculo que achamos íntimo e na verdade é só um conjunto de pessoas vazias que te impelem a ser tudo aquilo que não és, sem que o vejas.

A dor continua a crescer, a ser infinitamente maior do que seria se simplesmente nos déssemos ao luxo de aproveitar os tempos mortos ao dar-lhes vida na procura da essência que nos faz sentir leves, o cheiro que nos leva para um mundo mais bonito, a música que nos faz querer cantar, as palavras que nos fazem corar, as cores que nos aquecem o coração, as atividadades que nos permitem ir dormir cansados mas aliviados... 

Um processo solitário, torna-se assustador apenas porque ainda não aprendemos a gostar de nós e da nossa companhia... Existe o Instagram, o Twitter e todas as redes sociais que crescem à velocidade da luz, fazendo-nos perder tempo, em vez de ganhá-lo... Podem ser uma das melhores coisas da nossa geração, mas apenas se usadas com responsabilidade. Tudo o que é usado de forma errada causa transtorno e instabilidade... Deixamos de viver as nossas vidas e de ser introspectivos... Deixamos de ser.

Sabes quem és? Descobre, acredito que seja algo lindo, só precisas de tentar, quando começares, não te vais cansar.

Para que serve uma família?

Hoje acompanhei uma das minhas avós a fazer um exame que exigia que fosse acompanhada por alguém de confiança... Aproveitei que estava em casa esta semana e acabei por passar a manhã em que ela estava na cidade com ela.

Acompanhei-a até à enfermeira que a ia levar para a realização do exame e a senhora perguntou se eu era neta, respondeu-me que era muito bonito o que estava a fazer e deu-me os parabéns.

A questão é a seguinte: eu tenho consciência que a relação que a minha família tem entre si é bonita e tudo mais, mas faz sentido darem-nos os parabéns? Na minha cabeça não faz.

Uma família serve mesmo para se cuidar e amar e, devido a tudo o que já passei, cada vez mais digo que família é quem trata bem de nós e se preocupa incondicionalmente.

Percebi que a enfermeira não o disse com má intenção... O que me preocupa é pensar que se ela o disse é porque eu sou a exceção, e devia ser a regra. Os idosos deviam ser acompanhados no seu dia a dia, seja por netos, filhos, sobrinhos... Cuidaram de nós uma vida inteira e agora é a nossa vez de cuidar deles e de fazer com que se sintam protegidos e mimados...