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Em Busca de Um Sentido

Ontem foi um bom dia...

Há momentos que nos permitem ser tudo aquilo que somos sem reservas do que irão pensar e ontem tive um desses, sem querer.

Comecei a dar conselhos a um amigo meu e quando dei por mim estava a desabafar e a contar imensas experiências que me mudaram nos últimos meses, ao ponto de chorar de tão sobrecarregada que estava.

O mais engraçado em toda a situação é que nem eu sabia que estava assim. Para mim estava tudo bem, e sinceramente, continua a estar... Mas tinha muitas coisas presas na garganta que precisava de falar e mostrar a alguém que não as pessoas de sempre.

E ainda bem que o fiz, porque foi o "clique" necessário para eu me ver com outros olhos e para que a pessoa que estava a falar comigo, que talvez seja esta pessoa, entender as reações que estava a ter. Entendi que sim, estou diferente, mas às vezes há quem não tenha o convívio suficiente comigo para perceber essa mudança da forma que eu quero que entenda...

Ontem foi um bom dia. A mais dias assim.

Estou diferente...

Recentemente, recebi uma mensagem a dizer que a fotografia que tinha anteriormente numa das minhas redes sociais era muito mais bonita do que a atual. Eu pintei e cortei o cabelo há cerca de um mês e depois de tantas mudanças em mim não me sentia confortável em manter nas redes sociais uma versão minha loira e de cabelo comprido.

Sendo que foi uma pessoa relativamente próxima a mim há alguns anos eu quero acreditar que o comentário não foi de todo intencionado, mas desde esse dia que fiquei a pensar na conversa toda que existiu e ainda continuo triste com toda a situação.

A verdade é que eu não coloco fotografias minhas nas redes sociais com frequência por ser bastante insegura e a conversa fez-me sentir que atualmente estou mais feia do que há um ano atrás, o que até pode ser verdade, mas a mudança do cabelo trouxe-me uma segurança diferente. Sinto-me mais eu com algumas das mudanças que fui fazendo ao longo do ano, e isso passa por me identificar com a imagem de óculos e cabelo avermelhado que vejo no espelho, uma vez que de alguma forma revela tanto a parte nerd quanto a parte do mau feitio. 

E depois disto tudo fiquei a acreditar que se não me vêm a mim na "imagem" que tenho agora, talvez não me conheçam de verdade e não consigam entender aquilo que sou... Obviamente que não sou só a rapariga do cabelo estranho, mas atingi um nível de sossego me permite colocar fotografias espontâneas em redes sociais que tenho como privadas sem me importar com o que vão dizer, a não ser que seja alguém por quem tenho consideração a vir com "Achas mesmo que essa fotografia está melhor? Nunca pensei."

A conversa acabou a dizerem-me que estou diferente, apenas por ter respondido que não coloco fotografias para agradar alguém, e que há formas menos rudes de abordar alguém.

Ainda bem que estou diferente... Ao fim de dois anos era muito chato se eu continuasse igual, com as mesmas ideias e a calar-me perante certas situações.

Por fim, se o único assunto que têm com alguém implica tecer comentários que não acrescentam em nada a vida da outra pessoa, talvez seja porque não existe muito em comum e está na hora de ou reverter a situação ou seguir em frente.

Ácido lático, porque me fazes sofrer?

Sou uma das pessoas mais sedentárias que conheço, nem estou a brincar. A minha vida resume-se a estar sentada a ler, ou no computador, ou a estudar, ou a comer. Apesar disso, em Lisboa acabo por ser muito mais ativa.

De forma a contornar a situação, inscrevi-me no ginásio. Ontem foi o primeiro dia (de muitos, caso haja coragem).

Decidi ir um bocadinho mais cedo com uma amiga minha para conhecermos o espaço. O nosso objetivo era frequentar uma aula, porque ambas estávamos pouco motivadas para definir um plano sozinhas. A aula chama-se "bunda" e nós ainda tínhamos a ilusão que íamos sair de lá sem dores.

Ainda andei de bicicleta 15 minutos e fiz abdominais, para fazer tempo para a aula. Estava-me a sentir super atleta.

Cheguei à porta da aula.

"Primeira aula?"

"Sim..."

"Amanhã vai custar um bocadinho a mexer as pernas."

Eu, inocente, pensei que a professora estava a brincar, não podia ser assim tão mau.

A verdade é que a aula custou um bocadinho, não vou mentir. Mas saí de lá a pensar que conseguia correr uma maratona logo a seguir. O que não está muito longe do que se passou.

Depois do ginásio, ainda fiz a cidade de Lisboa a pé, para mostrar a cidade aos novos alunos do meu curso. Depois do jantar, ainda fui sair.

Hoje acordei e não sinto as pernas, só mexer um dedo do pé me custa. Ácido lático, gostei de te estudar, mas a sério que é mesmo necessário eu ter estas dores todas?

Gosto de ti, Lisboa.

Ao fim de mais um dia de correria, posso dizer-vos que tinha mesmo saudades de estar em Lisboa.

Para além de adorar o meu curso e isso fazer com que me custe um bocadinho menos todo o trabalho que me dá, sentia falta de acabar o dia completamente cansada.

Estar assim faz-me querer aproveitar os momentos que estou sozinha, apenas aqui, a olhar para o computador, ou a ler um livro, ou até mesmo só a olhar para o teto entre os meus pensamentos.

As férias dão-me muito tempo livre, mas saber que tenho o dia todo implica que eu não valorize o tempo que é só meu.

Em Lisboa tenho sempre alguma coisa para fazer, nem que seja ajudar uma amiga com qualquer coisa e isso faz-me sentir útil, ao mesmo tempo que me dá a sensação de estar usar cada segundo do meu dia para alguma coisa minimamente importante... Sei que daqui a umas semanas já estou a pedir férias de novo, mas antes desse momento preciso de dizer que gosto de Lisboa e de tudo o que me tem proporcionado até agora.

Desabafos meus...

Sempre fui uma pessoa que escreve para outros. Não escrevo para agradar quem me lê, mas raramente escrevo sem destinatário, nem que o fim seja apenas criar aquilo que preciso ouvir.

Onde quer que vá surgem-me ideias e temas que captam a minha atenção e me fazem sentir próxima daquilo que sou e do que poderei vir a ser. Tenho uma mente hiperativa e a maior parte das vezes a minha ansiedade surge dessa atividade excessiva de análise a tudo o que vejo e acabo por absorver.

Considero-me distraída das coisas óbvias. A maior parte das vezes o que me é mais próximo é o que me passa ao lado. Como o prédio que foi pintado há dois meses e só agora me chamou a atenção, ou a janela que não fechava e de repente, após dias e dias a usá-la me apercebo e "desde quando isto funciona?". A minha atenção voa para outras coisas e geralmente envolve a criança que se ri na rua, o velhote que coxeia, o cão que corre aos saltos, o rosa das flores e daí parte para o meu futuro e para todos os significados que atribuo ao que observo.

Escrever sobre o que penso nessas alturas faz-me crescer e alimentar uma sensibilidade que é crescente e que nunca me abandona, mesmo quando quero parecer dura e menos criança... A verdade é que gosto de ver o mundo do castelo que construí e apenas agora estou a aprender a misturar-me ao que admiro e ao que me faz sentir leve...

Realmente tornei-me a melhor casa para se viver e isso enche-me o coração de sentimentos bons, mesmo que todos os meus dramas por vezes ameacem os alicerces, sei que sou firme.