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Em Busca de Um Sentido

Que sonhos mais serão perdidos?

Vou no metro a ler um livro que não sei dizer se me está a alimentar a alma ou se me está a desconstruir aos poucos. Vou descansada uma vez que vou percorrer a linha praticamente toda. Assim posso enlear-me nas linhas que tenho nas mãos.

Entra uma criança pela mão da mãe e é obrigada a sentar-se de frente para mim. Noto que está a olhar-me com espanto, como se fosse estranho alguém andar com um livro fora de casa. Lê o título em voz alta - como ainda não olhei na sua direção acha que não estou a ouvir.

"Mãe, tens livros?"

"Só em casa..."

"Quero ler. Posso ler?"

E a mãe passa-lhe para as mãos um panfleto que por momentos lhe serve - afinal só quer ler. Depressa entende que aquilo é chato, não tem uma história.

"Mãe, tens papel e caneta? Quero escrever uma história..."

E a mãe faz-lhe sinal para sossegar, tem que se portar bem em frente às outras pessoas.

Saímos na mesma estação e seguimos caminhos opostos.

Vou a descer as escadas e pergunto-me se aquela mãe irá alimentar os desejos da criança ou ignorá-los por julgar que aquilo é um pedido idiota de alguém que pela tenra idade que tem só quer imitar tudo o que vê...

Se for uma vontade ignorada, vou ter pena... Se a minha mãe tivesse ignorado as minhas ideias de criança eu não estava agora a escrever um blog no tempo que tenho livre do curso que me faz ir ao encontro dos sonhos de menina.

Gosto de ti.

A Tati Escreveu.png

Um dia vais compreender

Que tudo o que já fiz

Foi simplesmente para fazer

Com que tudo volte.

 

Nunca te quis magoar,

Nem afastar,

Tenho estado a pensar,

E tenho que me desculpar.

 

É difícil de perceber,

Mas as vezes tenho atitudes 

Que saem mesmo sem querer,

São um mero impulso.

 

Com essas minhas atitudes

Deito tudo a perder.

Não quero que mudes,

Mesmo que possa parecer.

 

Porque eu gosto de ti,

Pelo que és e fazes

Senão não tinha estado aqui, 

Até nas más fases.

 

Não que te queira julgar

Estou simplesmente a desabafar

Mas por vezes sinto saudades

De te poder abraçar.

Eu pertenço a um mundo de diversidade!

Não gosto de rótulos. Não sei quando ou como me surgiu esta necessidade de afirmar que rótulos não é comigo, mas apareceu e não consigo fazer com que volte para o sítio de onde veio.

Noto que fico irritada sempre que alguém precisa de me dizer "isto não é o teu estilo", quando nem eu própria me consigo definir dentro de um padrão, seja em relação ao que for. Sou instável por natureza, com tudo o que possam imaginar.

Tudo o que sei acerca de mim, que não é muito, implica que eu não tenho preferências demasiado vincadas e acabo por oscilar entre coisas totalmente opostas sem que isso me incomode.

Gosto de me vestir de forma discreta e no dia seguinte ser mais ousada. Gosto de ter uma playlist em que encontro baladas, funk, rock e tantos outros estilos. Gosto de ver uma comédia romântica tanto quanto gosto de ficção científica. Até nos livros sou assim, uma vez que passo de José Saramago para livros de adolescentes com bastante facilidade e sem me fazer mossa alguma.

Gosto de ser livre para mudar a minha própria opinião tantas vezes quanto me apetecer, e se acontecer na mesma semana, qual é o problema? Eu sou feliz assim. Só não associem a coisas demasiado específicas, não me coloquem em caixas quando eu pertenço a um mundo de diversidade.

Para além disso, também não me levem demasiado a sério. É natural eu mudar - todos estamos em constante evolução e não existe mal nisso: faz parte de ser-se humano e de se estar sempre a aprender.

E quando eu disser que gosto de tudo, não me achem vira-casacas; fiquem felizes por conhecerem alguém que consegue retirar algo positivo de praticamente tudo - menos filmes de terror. Não mos apresentem, a menos que volte a mudar de ideias e tente apreciar algo que me assusta e me faz ter pesadelos. Afinal o objetivo deste texto é afirmar o quanto mudo de opinão, certo?

Rosas

Sempre procurei uma fragrância que me acalmasse e me fizesse sentir em paz na minha própria mente... Como se eu caminhasse num jardim paradisíaco mesmo estando enrolada nas mantas de sempre, na cama de sempre... Algures no meio dessa procura percebi que tentava associar o odor das pessoas que me eram queridas à minha paz interior e cheguei a usar o perfume da minha mãe para que mesmo longe me sentisse perto o suficiente...

A longo prazo não resultou, porque apesar de a minha mãe me transmitir imensa calma, nunca alguém vai ser o meu lar, mesmo que eu queira passar todo o tempo do mundo entre os braços de quem me viu crescer.

E como cresci... Mais ainda do que se pode ver a olho nu... Sentada numa cama que não posso dizer que é a minha, cheia de saudades de casa, entendi que são as rosas que ganham o meu coração...

Durante anos achei que baunilha era o meu cheiro e sei que muita gente se lembra de mim sempre que sente essa fragrância... Mas aqui, a ouvir a chuva cair numa cidade que há bem pouco tempo não me conhecia, descobri que o cheiro da minha paz esteve sempre ao virar da esquina e são as rosas... Rosas que me fazem lembrar a pureza e inocência que um dia tive... Rosas que me recordam cheiros de memórias longíquas...

Talvez o frasco de perfume partido não tenha sido um mau presságio... Talvez o universo estivesse a conspirar a meu favor para eu entender que afinal a minha calma esteve sempre nas rosas...

Vou ser eu a ganhar!

Hoje venho partilhar com vocês um poema que escrevi do alto dos meus 13 anos de idade, quando descobri que o rapaz de quem eu gostava não era assim tão boa pessoa e me fez sofrer como se o mundo acabasse naquele exato momento... A sério, eu tento não sentir vergonha de mostrar estas coisas, mas sou incapaz!

A Tati Escreveu.png

Tenho o coração partido,

Mas desta vez não vou chorar

Porque tive o coração aberto

para  ficarmos os dois a ganhar!

 

Nunca acaba por nada,

isso é tão verdade

como o sol em junho.

Ficamos só pela amizade!

 

É tempo de parar,

vou dizer o que sinto.

Eu perdi mas vou ganhar,

desta vez é diferente!

 

Sinto que consigo ir em frente

Tenho que dizer "olá" à vida,

Juro que vai ser diferente,

Já não me enganas!

 

Se callhar, nunca tinha pensado assim,

Por isso fui enganada,

Eu pensei mesmo 

Que estava a ser amada.

 

Porque é que me partiste o coração?

Mas fixa isto,

Não vou andar atrás de ti,

que nunca me deste a mão.