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Em Busca de Um Sentido

Amo amar-te.

E cá estou eu de novo. À beira rio, de mão dada contigo e com toda a liberdade que me fazes sentir. Disseram-me que isto iria acontecer... Sentir-me livre quando encontrasse a pessoa certa. E eu só consigo pensar que andei a esconder-me de ti e de nós este tempo todo, quando podia ter largado todos os meus medos e dizer-te "és tu".

Mas a coragem faltou-me e eu deixei o tempo passar... Mas passou apenas até eu conseguir dizer-te que o meu lugar é aqui: ao pé de ti e deste rio que ouve confidências e guarda segredos só nossos. E por mais que te escreva e te diga tudo o que ficou por dizer, sinto que não é o suficiente.

E por isso continuo a ocupar estas linhas enquanto me lembro das gargalhadas, do meu cabelo a voar, da felicidade que nos rodeava e do bater do meu coração, sempre acelerado quando estás por perto. Chego a acreditar que ele pressente a tua chegada antes de eu a notar.

Só queria dizer que te amo. Mesmo que amanhã diga outra coisa. Hoje amo-te, e amo amar-te. 

Fazes-me feliz.

Foi um dia bom...

Há dias que correm particularmente bem. Nós nem sabemos o porquê de sentirmos as boas vibrações a alimentar-nos a alma, mas saímos da cama a perceber que o dia vai ser render, mesmo quando os últimos dias têm sido cansativos e melancólicos.

Hoje foi um dia excecionalmente positivo. Não ganhei o euromilhões, não descobri a cura para uma doença, mas encontrei um ponto de inspiração que nem sabia que iria existir.

Há umas semanas que ando mais embaixo... Tenho publicado por aqui textos escritos há algum tempo, mas que sem querer acabam por revelar um bocadinho do peso que tenho sentido. Peso esse que vem apenas das minhas inseguranças, da minha falta de autovaliação positiva, da minha necessidade de me meter o mais na Terra possível para não me desiludir. 

O problema começa quando deixo de festejar as coisas boas que me vão acontecendo e me foco apenas nas que me fazem arrastar os pés na esperança que o destino se encarregue de construir o lugar a que quero chegar. E esqueço-me de que sou eu quem constrói o meu caminho. Melhor ou pior, mas faço-o.

E hoje foi o dia em que eu olhei à minha volta e percebi que algures em mim existe potencial, como há em qualquer pessoa, e que preciso de acreditar mais nisso. Hoje foi o dia em que eu olhei para alguém que admiro e reparei que é possível alcançar o sonho que estou a alimentar, e que tenho que me esforçar para conseguir fazer com que se torne realidade. Basicamente, descobri que um professor meu, para além de ter uma carreira bastante positiva nas ciências, escreve romances. Uma pequena motivação para a pequena criança que existe em mim.

Sabem? Hoje foi mesmo um dia bom, e espero que consiga levar esta positividade ao longo do semestre. Estou a precisar!

Tenho saudades...

Tenho saudades das tardes passadas sentada debaixo da mesa de trabalho do meu avô, num enorme plástico, enquanto brincava com os restos da cera que ele moldava. Tenho saudades do cheiro da cura das abelhas. Tenho saudades do cheiro das flores acabadas de florir.

E vou dizendo que tenho saudades, enquanto a lista de tarefas aumenta, eu cresço e o meu avô vai-se enchendo de cabelos brancos e cansaço próprio da idade.

Sou a primeira a dizer que é hora de parar, que a idade não perdoa e que tamanho trabalho não é para ele. Quero ao máximo preservar a sua saúde, uma vez que o medo que tenho de também o perder só vai crescendo.

Apesar disso, sei o quanto vou sentir falta de ouvir "fui às abelhas" e o quanto quero reservar um tempo para ir com ele - apesar do receio que tenho de ser picada. Então cada vez insisto menos na ideia dela virar as costas à sua paixão... Porque sei que é o que o faz feliz e que um dia talvez eu sinta a mesma paixão por algo e vou querer aproveitá-la até ao fim.

Que sonhos mais serão perdidos?

Vou no metro a ler um livro que não sei dizer se me está a alimentar a alma ou se me está a desconstruir aos poucos. Vou descansada uma vez que vou percorrer a linha praticamente toda. Assim posso enlear-me nas linhas que tenho nas mãos.

Entra uma criança pela mão da mãe e é obrigada a sentar-se de frente para mim. Noto que está a olhar-me com espanto, como se fosse estranho alguém andar com um livro fora de casa. Lê o título em voz alta - como ainda não olhei na sua direção acha que não estou a ouvir.

"Mãe, tens livros?"

"Só em casa..."

"Quero ler. Posso ler?"

E a mãe passa-lhe para as mãos um panfleto que por momentos lhe serve - afinal só quer ler. Depressa entende que aquilo é chato, não tem uma história.

"Mãe, tens papel e caneta? Quero escrever uma história..."

E a mãe faz-lhe sinal para sossegar, tem que se portar bem em frente às outras pessoas.

Saímos na mesma estação e seguimos caminhos opostos.

Vou a descer as escadas e pergunto-me se aquela mãe irá alimentar os desejos da criança ou ignorá-los por julgar que aquilo é um pedido idiota de alguém que pela tenra idade que tem só quer imitar tudo o que vê...

Se for uma vontade ignorada, vou ter pena... Se a minha mãe tivesse ignorado as minhas ideias de criança eu não estava agora a escrever um blog no tempo que tenho livre do curso que me faz ir ao encontro dos sonhos de menina.

Eu pertenço a um mundo de diversidade!

Não gosto de rótulos. Não sei quando ou como me surgiu esta necessidade de afirmar que rótulos não é comigo, mas apareceu e não consigo fazer com que volte para o sítio de onde veio.

Noto que fico irritada sempre que alguém precisa de me dizer "isto não é o teu estilo", quando nem eu própria me consigo definir dentro de um padrão, seja em relação ao que for. Sou instável por natureza, com tudo o que possam imaginar.

Tudo o que sei acerca de mim, que não é muito, implica que eu não tenho preferências demasiado vincadas e acabo por oscilar entre coisas totalmente opostas sem que isso me incomode.

Gosto de me vestir de forma discreta e no dia seguinte ser mais ousada. Gosto de ter uma playlist em que encontro baladas, funk, rock e tantos outros estilos. Gosto de ver uma comédia romântica tanto quanto gosto de ficção científica. Até nos livros sou assim, uma vez que passo de José Saramago para livros de adolescentes com bastante facilidade e sem me fazer mossa alguma.

Gosto de ser livre para mudar a minha própria opinião tantas vezes quanto me apetecer, e se acontecer na mesma semana, qual é o problema? Eu sou feliz assim. Só não associem a coisas demasiado específicas, não me coloquem em caixas quando eu pertenço a um mundo de diversidade.

Para além disso, também não me levem demasiado a sério. É natural eu mudar - todos estamos em constante evolução e não existe mal nisso: faz parte de ser-se humano e de se estar sempre a aprender.

E quando eu disser que gosto de tudo, não me achem vira-casacas; fiquem felizes por conhecerem alguém que consegue retirar algo positivo de praticamente tudo - menos filmes de terror. Não mos apresentem, a menos que volte a mudar de ideias e tente apreciar algo que me assusta e me faz ter pesadelos. Afinal o objetivo deste texto é afirmar o quanto mudo de opinão, certo?

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