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Em Busca de Um Sentido

Bullet Journal I

Comecei a usar um bullet journal quando entrei para a universidade - em setembro de 2016. Na altura andava toda entusiasmada para criar algo bonito com a ajuda do Pinterest. Cheguei a criar um álbum por lá, para guardar as ideias que me agradassem e de vez em quando ainda vou acrescentando algumas coisas.

Penso que toda a gente que começa algo do género acaba por se fascinar um bocadinho e perder o foco. Eu não fui a exceção.

Escolhi este método de organização principalmente porque nunca me consegui orientar com uma agenda convencional. Queria algo que fosse versátil e que permitisse a adaptação às minhas necessidades. No entanto, o meu foco dispersou e eu comecei a inventar. Acrescentei coisas que agora não fazem o mínimo sentido, mas que me mantinham ocupada e distraída, como é o caso de uma página para controlar a quantidade de horas que eu dormia.

O meu antigo bullet journal teve direito a tudo:

  • um calendário com datas de aniversário;
  • um calendário com datas relacionadas com a faculdade;
  • em época de exames um calendário para controlar o que estudava;
  • uma página de citações preferidas;
  • uma página de músicas preferidas;
  • uma página de livros que queria ler;
  • uma lista de compras;
  • uma wishlist;
  • uma página para apontar os episódios vistos das minhas séries;
  • (...)

Não preciso de dizer que a longo prazo não consegui manter o bullet journal e deixei-o totalmente de lado até as aulas terminarem. Acabei por me fartar porque deixou de ser funcional, devido à minha necessidade de ter tudo bonito e não ter tempo para o fazer. 

Se acho que é um ótimo método de organização? Para mim é o melhor... Mas só agora, que adotei um método um bocadinho diferente, que irei explicar mais tarde. Hoje quero apenas transmitir que manter tudo o mais simples e intuitivo possível é a melhor opção, pelos menos para mim, principalmente porque inventar pode fazer com que algo maravilhoso se torne maçante e uma perda de tempo.

Deixo-vos então, com fotografias do meu antigo bullet journal...

Aqui mesmo...

Sinto a tua presença como se existisse algo de magnético entre nós e sob o brilho do luar eu tenho vontade de te abraçar e pedir que dances comigo. Aqui mesmo, debaixo da chuva que me limpa de preconceitos e de medos... Aqui mesmo, onde o nosso amor merece toda a atenção que posso dar... Aqui mesmo, onde me sinto tua e te sei meu, mesmo que seja só por agora...

Encontro-te em cada rua que desagua no rio e sinto-me tão mais eu quando isso acontece... Há algo de mágico na forma como o som da água me faz lembrar a melodia da tua voz e sei que se fechar os olhos me vou lembrar do nosso primeiro beijo sentados num banco a ouvir este mesmo barulho...

Agarraste a minha mão e sem medos roubaste-me todos os medos que eu tinha, dando-me em troca uma segurança que não sabia que podia sentir.

Será que é isso que é amar? Tomar os pesadelos de alguém como nossos só para garantir que pesam menos...

Sempre que volto aqui sei que há memórias impossíveis de apagar... Há memórias que passam a fazer parte de nós... Mesmo que um dia seja outra pessoa a fazer o pedido... Mesmo que um dia o teu sorriso deixe de fazer com que me sinta sortuda... Mesmo que um dia perceba que afinal não era para ser.

O que importa é que hoje é, e é uma das sensações mais reconfortantes do mundo.

O Meu Universo Mudou

Os primeiros amores costumam ser uma surpresa para todos nós. Parece que nunca mais vamos gostar de alguém dessa forma e com o passar dos tempos percebemos que afinal amor é outra coisa... No entanto, ficam estas recordações que venho partilhar...

A Tati Escreveu.png

O meu universo mudou,

O meu pensamento é outro,

Só eu sei o que se passou,

Para mim só existes tu.

 

Sempre que olho para ti,

Uma alegria cresce em mim,

Sinto-me maravilhosa,

Nunca estive assim...

 

Preciso mesmo de ti,

Significas muito para mim,

Em todos os livros que li,

Nunca houve um amor assim...

Estou cansada...

Estou cansada de viver num mundo em que é normal sexualizar-se uma mulher, só porque teve o "azar" de ter nascido com dois cromossomas iguais e um conjunto de hormonas que por acaso a fazem ter ancas largas, mamas e um rabo mais evidente. Estou cansada de viver num mundo onde responder à letra a uma tentativa de assédio é justificado com a frase "acha-se mais do que os outros".

O que é preciso fazer-se para que uma mulher possa simplesmente existir sem ser incomodada? E o pior é que acabamos a sentir nojo de nós próprias apenas porque somos bonitas perante uma sociedade que faz de nós objetos sem inteligência e sem capacidade de defesa.

É triste perceber que temos que analisar ao pormenor a roupa que usamos, apenas porque vestir uma saia ou uns calções vai atrair atenção que não queremos... É triste que nos sintamos envergonhadas por atitudes alheias... É triste que a sociedade nos tenha educado a baixar a cabeça quando passamos por um grupo de homens... É triste que ser-se ousada faça com que nos apontem o dedo.

Não é suposto que nos sintamos diminuídas, menos capazes, apenas por uma condição biológica que nem sequer escolhemos. Não é suposto que nos calemos só porque o mundo não está preparado para ouvir uma mulher com uma opinião forte... Não é suposto que pareçamos animais no circo, porque é muito bonito dizer-se que há igualdade de géneros e depois colocarem-se mulheres em exposição só porque torna o espetáculo mais apelativo.

Uma mulher é mais do que o corpo que tem... É inteligente, é capaz de ter uma conversa culta, é capaz de se mostrar interessada por assuntos "importantes", é capaz de grandes feitos, é forte e independente... Uma mulher é um ser humano. Já pararam para pensar sobre isso, homens? Já pararam para perceber que não é simpático dizerem-nos o quanto o nosso corpo vos agrada?

É que eu já estou cansada... Cansada de me sentir menos por algo que me deveria fazer sentir mais... Cansada de ter que explicar centenas de vezes que não quero ser vista como um objeto... Cansada que simplesmente não saibam respeitar o que é ser-se mulher...

E vocês, homens? Não se cansam de viver a ser indelicados?