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Em Busca de Um Sentido

Talvez...

Olho-te nos olhos e sinto que agora é o momento certo... Algo na forma como me olhas me faz sentir segura e capaz de tudo neste mundo.

Contigo sou livre, por mais incoerente que possa soar. Contigo rio-me das coisas mais parvas que possam acontecer, sinto-me criança de novo e não tenho vergonha de o ser. É como se as barreiras caissem e ficasse totalmente despida de vergonhas e medos tontos. Tudo o que sou, mostro-te, e é tão bom sentir que gostam de nós mesmo conhecendo todos os nossos pontos fracos.

Agarro-te com toda a força que sou capaz de ter, numa simulação falhada de te fazer entender o quanto te quero por perto... Falhada porque, infelizmente, a minha força não mostra nem um terço do quanto eu preciso de ti na minha vida.

Quero correr o mundo de mão dada contigo, olhar-te nos olhos e perceber a sorte que tenho por ter encontrado o amor no meu melhor amigo.

Sempre ouvi dizer que o amor está na pessoa que nos completa... Mas sabes que para mim isso são tretas? Eu sinto-me plena no que sou, mas contigo sou a versão melhorada de tudo o que posso ser, transbordo amor e boas energias e isso faz-me sentir que talvez esteja a encontrar o sentido que tanto procuro. 

A minha família!

Há pessoas que sem saber se tornam a sorte da vida de outras. Aparecem, conquistam e tem para si um conjunto de corações que não roubaram, mas que são seus em segredo.

Há quem seja naturalmente iluminado... Há quem tenha uma luz gigante, e apesar da área que ilumina nem desconfia que o faz... Há quem alcance o carinho de meio mundo, sem notar... Há quem contagie quem está à sua volta com uma alegria maravilhosa...

Assim o é o meu pai. Pai que o é porque lhe ganhou o direito, porque abdicou da sua liberdade para dar um futuro a três crianças, porque tem os braços sempre abertos, mesmo sabendo as dificuldades que podem surgir. Pai que o é porque eu deixei que o fosse, mesmo que ao início lhe tenha negado o acesso ao meu pequeno coração.

Conquistou-me por inteiro sem grande esforço, e aos poucos fui-me entregando ao amor que me era dado por alguém que não tinha obrigação de o dar.

Atrás dele veio toda uma família, a minha família. Os meus avós, os meus tios, os meus primos. Mais uma vez, ninguém tinha a obrigação de me acolher, mas todos o fizeram e permitiram que eu invadisse um espaço que não deveria ser meu, mas que me foi oferecido com o maior carinho do mundo. Sou apaixonada por cada uma destas pessoas, e mais do que isso, sou imensamente grata por tudo o que me proporcionaram e continuam a proporcionar.

São a família que eu não tinha, mas que ganhei. São o exemplo do que é ser-se genuinamente bom.

Algures num momento de tristeza observavam-me abraçada à minha avó, a chorar a morte do meu avô, e ouviu-se "parece mesmo neta". Hoje dou a resposta que não fui capaz de dar na altura.

Não pareço, sou.

Adquiri o direito de me dizer neta, mesmo que os genes sejam outros. Tal como cada um deles me conquistou e permitiu que eu desse o que tenho de mais doce e puro: o meu amor de neta, sobrinha, prima... Filha.

Somos uma família e assim vamos permanecer, mesmo que estas palavras nos magoem. Porque família é quem cria, cuida e mima e não quem vira as costas à mínima dificuldade.

Somos a família que escolhemos e que surgiu através de um amor lindo que é o dos meus pais.

Amo-vos.

Lisboa tem a parte boa...

Durante anos vivi na sombra do que é querer ser-se o modelo da perfeição e do ideal que a sociedade cria. Vivi agarrada a um conjunto de estereótipos que tomei como sendo a minha forma de pensar e continua a ser complicado deixá-los de lado.

Lisboa tem todos os lados maus que eu vou referindo. Lisboa tem um lado sombrio que me assusta, que me faz pensar que talvez vá perder a sensibilidade que trouxe de casa. Apesar de tudo isso, também tem pessoas diferentes, vindas de todas as partes do país e até do mundo, e isso permite-me a cada segundo mudar alguns pormenores do que assumo como a minha "filosofia de vida".

Para além de ter conhecido bastantes exemplos daquilo que não quero para mim, tenho outros tantos que me fascinam e que me fazem ambicionar chegar mais longe e ser cada vez melhor do que aquilo que sou. Lisboa deu-me a liberdade de ser eu e de aproveitar a plenitude que é ter-se vinte anos e estar a viver o sonho de menina.

Larguei as ideias pré-concebidas do que é ser-se mulher, deixei de lado as roupas que me escondiam e me faziam invisível, aprendi a falar aquilo que realmente penso sem querer agradar a quem me ouve... Aprendi que ser-se ousada, na quantidade certa, dá um certo charme e me faz aproveitar o que o mundo tem para me oferecer.

Agarrei e agarro todas as oportunidades que tenho e que me fazem dar mais um passo no trilho que pretendo percorrer no mundo.

Se posso vir a mudar a minha forma de ser? Claro que posso... Tenho um longo caminho pela frente e é certo que as minhas ideias se vão alterar e até evoluir. Mas é tão bom sentir-me eu e descobrir quem sou.

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