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Em Busca de Um Sentido

Este é o caminho...

Algures na minha vida decidi que uma das melhores formas de desabafar é escrever. Aliás, não foi uma decisão que tomei do dia para a noite, foi algo que foi fazendo parte da minha rotina, desde que me lembro de saber ler e escrever.

Com o passar dos anos, as responsabilidades aumentaram e o tempo livre diminuiu. À medida que eu me tornei cada vez mais exigente com tudo o que assumia como meu, acabei por entender que me estava a afogar numa angústia imensa sem que houvesse justificação.

Eu era uma miúda com uma vida normal, que se focava bastante na escola e se esquecia de viver o que se passava à sua volta. Apercebi-me, já no secundário, que me fazia falta escrever, andar com o meu caderninho atrás e despejar tudo o que me vem à mente, nem que seja uma simples frase.

No 12º ano comecei a fazer voluntariado e entendi que essa era outra das peças que me fazia falta, porque me faz sentir útil, mesmo que por coisas bastante simples que acabam por marcar a diferença.

A tudo isto juntou-se a fotografia, nem sei bem como, nem porquê. Quando percebi a paixão era quase tão grande como a que sentia pela escrita. Por momentos, chegou mesmo a substituir a minha necessidade de escrever.

O primeiro ano em Lisboa foi complicado. Foi o ano em que cresci mais, aliado ao facto de ter feito algumas mudanças bruscas na minha vida. Desleixei-me na escrita, na fotografia e no voluntariado. Estive o ano praticamente todo bastante instável emocionalmente, cheguei a estar doente semanas seguidas. Nunca soube as razões de tanto alto e baixo.

Mudei de curso. Tenho o triplo do trabalho, escrevo, saio por aí a captar momentos e dou aulas uma vez por semana na Universidade Sénior, de fotografia.

Estou no fim do primeiro semestre do que considero que vai ser o resto da minha vida profissional, com pouco tempo para respirar, mas realizada e cada vez mais empenhada.

Onde está a miúda instável? Não sei, mas deixe-se estar onde ficou, porque estou a gostar bastante do rumo que tudo está a levar.

Dilemas Meus

Acordo com uma ansiedade que seria perfeitamente aceitável se não estivesse de férias. Olho-me ao espelho e rio. Qual é a necessidade de me sentir assim, se até começar o segundo semestre tenho todo o tempo do mundo para me preparar com calma, para respirar fundo e deitar fora toda a pressão que tenho sentido.

Vasculho os meus pensamentos mais profundos e encontro aquele que me está a deixar assim...

No decorrer dos últimos tempos tenho dado tanto de mim que fiquei exausta. Tenho até tentado fazer uma seleção, segundo prioridades que eu própria estabeleci, e aos poucos vou decidindo que tenho que aprender a ser menos dada, tenho que perceber que se ajuda caso nos peçam ajuda e apenas se entendermos que o fariam também por nós.

Soa egoísta e até um pouco infantil, mas às vezes canso-me de ficar para trás por meter tudo e mais alguma coisa em primeiro lugar... É como se estivesse sentada num banco, com a minha vida parada enquanto vejo o mundo correr à minha frente.

Penso que agora é hora de fazer algo por mim, pelos meus sonhos, pelas coisas que ambiciono alcançar... Um dia vou ter oitenta anos, vou ter os meus netos ao colo e vou querer ter o que contar. Para além disso, quero poder sentir que vivi tudo o que era suposto viver e orgulhar-me do caminho que acabei por percorrer.

Assusta-me pensar que posso estar a deixar escapar oportunidades incríveis por não me colocar em primeiro lugar, ou até por medo.

Embora saiba que este meu discurso de mudança se vai manter, reconheço que preciso de começar uma mudança interior, para que possa concretizar tudo a que me proponho... Falar é bonito, mas fazer já é mais complicado...

No entanto, parece que vou carregar pause assim que me surja a próxima preocupação...

E fico assim, com o meu dilema e com mil questões no ar.

Talvez...

Olho-te nos olhos e sinto que agora é o momento certo... Algo na forma como me olhas me faz sentir segura e capaz de tudo neste mundo.

Contigo sou livre, por mais incoerente que possa soar. Contigo rio-me das coisas mais parvas que possam acontecer, sinto-me criança de novo e não tenho vergonha de o ser. É como se as barreiras caissem e ficasse totalmente despida de vergonhas e medos tontos. Tudo o que sou, mostro-te, e é tão bom sentir que gostam de nós mesmo conhecendo todos os nossos pontos fracos.

Agarro-te com toda a força que sou capaz de ter, numa simulação falhada de te fazer entender o quanto te quero por perto... Falhada porque, infelizmente, a minha força não mostra nem um terço do quanto eu preciso de ti na minha vida.

Quero correr o mundo de mão dada contigo, olhar-te nos olhos e perceber a sorte que tenho por ter encontrado o amor no meu melhor amigo.

Sempre ouvi dizer que o amor está na pessoa que nos completa... Mas sabes que para mim isso são tretas? Eu sinto-me plena no que sou, mas contigo sou a versão melhorada de tudo o que posso ser, transbordo amor e boas energias e isso faz-me sentir que talvez esteja a encontrar o sentido que tanto procuro. 

A minha família!

Há pessoas que sem saber se tornam a sorte da vida de outras. Aparecem, conquistam e tem para si um conjunto de corações que não roubaram, mas que são seus em segredo.

Há quem seja naturalmente iluminado... Há quem tenha uma luz gigante, e apesar da área que ilumina nem desconfia que o faz... Há quem alcance o carinho de meio mundo, sem notar... Há quem contagie quem está à sua volta com uma alegria maravilhosa...

Assim o é o meu pai. Pai que o é porque lhe ganhou o direito, porque abdicou da sua liberdade para dar um futuro a três crianças, porque tem os braços sempre abertos, mesmo sabendo as dificuldades que podem surgir. Pai que o é porque eu deixei que o fosse, mesmo que ao início lhe tenha negado o acesso ao meu pequeno coração.

Conquistou-me por inteiro sem grande esforço, e aos poucos fui-me entregando ao amor que me era dado por alguém que não tinha obrigação de o dar.

Atrás dele veio toda uma família, a minha família. Os meus avós, os meus tios, os meus primos. Mais uma vez, ninguém tinha a obrigação de me acolher, mas todos o fizeram e permitiram que eu invadisse um espaço que não deveria ser meu, mas que me foi oferecido com o maior carinho do mundo. Sou apaixonada por cada uma destas pessoas, e mais do que isso, sou imensamente grata por tudo o que me proporcionaram e continuam a proporcionar.

São a família que eu não tinha, mas que ganhei. São o exemplo do que é ser-se genuinamente bom.

Algures num momento de tristeza observavam-me abraçada à minha avó, a chorar a morte do meu avô, e ouviu-se "parece mesmo neta". Hoje dou a resposta que não fui capaz de dar na altura.

Não pareço, sou.

Adquiri o direito de me dizer neta, mesmo que os genes sejam outros. Tal como cada um deles me conquistou e permitiu que eu desse o que tenho de mais doce e puro: o meu amor de neta, sobrinha, prima... Filha.

Somos uma família e assim vamos permanecer, mesmo que estas palavras nos magoem. Porque família é quem cria, cuida e mima e não quem vira as costas à mínima dificuldade.

Somos a família que escolhemos e que surgiu através de um amor lindo que é o dos meus pais.

Amo-vos.

Lisboa tem a parte boa...

Durante anos vivi na sombra do que é querer ser-se o modelo da perfeição e do ideal que a sociedade cria. Vivi agarrada a um conjunto de estereótipos que tomei como sendo a minha forma de pensar e continua a ser complicado deixá-los de lado.

Lisboa tem todos os lados maus que eu vou referindo. Lisboa tem um lado sombrio que me assusta, que me faz pensar que talvez vá perder a sensibilidade que trouxe de casa. Apesar de tudo isso, também tem pessoas diferentes, vindas de todas as partes do país e até do mundo, e isso permite-me a cada segundo mudar alguns pormenores do que assumo como a minha "filosofia de vida".

Para além de ter conhecido bastantes exemplos daquilo que não quero para mim, tenho outros tantos que me fascinam e que me fazem ambicionar chegar mais longe e ser cada vez melhor do que aquilo que sou. Lisboa deu-me a liberdade de ser eu e de aproveitar a plenitude que é ter-se vinte anos e estar a viver o sonho de menina.

Larguei as ideias pré-concebidas do que é ser-se mulher, deixei de lado as roupas que me escondiam e me faziam invisível, aprendi a falar aquilo que realmente penso sem querer agradar a quem me ouve... Aprendi que ser-se ousada, na quantidade certa, dá um certo charme e me faz aproveitar o que o mundo tem para me oferecer.

Agarrei e agarro todas as oportunidades que tenho e que me fazem dar mais um passo no trilho que pretendo percorrer no mundo.

Se posso vir a mudar a minha forma de ser? Claro que posso... Tenho um longo caminho pela frente e é certo que as minhas ideias se vão alterar e até evoluir. Mas é tão bom sentir-me eu e descobrir quem sou.

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